Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

sábado, 17 de julho de 2010

Análise imparcial - Artigo - Diário do Nordeste

Debates e ideias

Análise imparcial


Se você defender o Estado de Israel será rotulado de sionista, mas se for contrário, por qualquer que seja o motivo, será de antissionista, ou seja, numa ou noutra posição pode haver vestígios de preconceito. Com a fundação do Estado de Israel em 1948, os conflitos deixaram de ser esporádicos e se transformaram em uma tensão militar e termonuclear permanente com os países limítrofes onde atuam a Organização para Libertação da Palestina - OLP - e os seus dissidentes milicianos. Outros países extremistas islâmicos também desejam varrer Israel do mapa, pois não reconhecem o Estado de Israel e reivindicam como suas aquelas terras que são de todos. As atrocidades e o genocídio de Hitler nos seus campos de extermínio e de concentração na Alemanha com a sua malfadada doutrina nazista e antissemita, e o êxodo dos judeus que conseguiram fugir dos "gulag" e do regime comunista do também antissemita Stalin, na União Soviética, deram combustível para a doutrina do sionismo que, em apertada síntese, diz que os judeus somente estariam seguros se tivessem o Estado de Israel reconhecido, conforme veem na Bíblia. A Carta do Hamas e a da OLP acusam sem provas os judeus de estarem infiltrados em quase todas as organizações e de agirem por trás de eventos obscuros, daí as divergências sem sentido dos líderes religiosos entre uma e outra religião. Israel - em hebraico quer dizer: aquele que luta com Deus - é hoje potência militar, tecnológica e termonuclear e com o apoio dos EUA resistirá até as últimas consequências a qualquer tentativa de violação de seu Estado. Historicamente, o povo judeu é nômade e dos 14 milhões de judeus no mundo apenas 5.640.000 vivem em Israel, ou seja, os outros 60% estariam hoje em risco fora de Israel? Os judeus e o judaísmo devem ser respeitados por todos e deve-se repudiar pacificamente qualquer tipo de preconceito contra eles. No entanto, deve-se ter humildade para reconhecer que foi precipitada e sem debates, a instalação do Estado de Israel. A paz mundial implora por coragem para opiniões que desestimulem a guerra em prol da paz perpetua.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Psicanalista

sábado, 10 de julho de 2010

Da Comuna ao Kibutz - Artigo - Diário do Nordeste

Da Comuna ao kibutz



Em 18 de março de 1871, os franceses proclamaram a Comuna em desfavor do Estado e criaram uma nova forma de organização social em que os próprios partícipes se administravam de forma igualitária. A experiência com as comunas foi relativamente curta, pois os contra revolucionários reprimiram com banho de sangue essas searas. Os kibutzim em Israel apresentam-se de forma democrática onde todos trabalham e se revezam nas atividades cotidianas em plena igualdade. Muitos dos kibutzim resistem ao capitalismo, mas a pressão é muito grande e sempre há baixas de seus integrantes. Rousseau dizia, sem ser contestado, que a democracia somente seria possível em pequenos grupos; e a ideia de Estado privilegia apenas a elite dominante em desfavor dos que não tiveram acesso à educação e à oportunidade de trabalho. A experiência das comunas e dos kibutzim foram exitosas, mas outra e auspiciosa forma de vida comunitária encontra-se em pleno desenvolvimento no Ceará. Falo do assentamento em Jaguaretama, terra natal do médico dos pobres Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, onde não por acaso várias famílias convivem em harmonia e com o ideal da solidariedade e da caridade. A grande virtude desse assentamento é que se organiza naturalmente e sem conflitos de qualquer ordem. É ilusão acreditar que um dia haverá paz perpétua sem que haja igualdade de oportunidades para todos. Insistir em Estados é repetir erros já conhecidos, pois o desejo dos governantes é de "controlar" o povo e de gozar sem limites no poder. Em 25 de março de 1884, o Ceará libertou pioneiramente os escravos no Brasil; e o protótipo dos assentamentos de Jaguaretama pode ser exemplo para a redenção pacifica e definitiva da civilização. O sacrossanto direito à vida, à liberdade de expressão e à dignidade humana são inegociáveis na nova Era que já chegou... Ideias obscuras e que visem favorecimento individual, grupos de pressão e/ou de sociedades secretas devem ser rejeitadas no nascedouro, pois somente é manipulado quem se permite, ou desconhece a força do magnetismo do discurso demagogo, eloquente e sofismático.


LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Psicanalista

sábado, 3 de julho de 2010

Conhecimento x crença - artigo - jornal OPOVO

Conhecimento x crença


Quem escreveu os livros da Bíblia sabia que se lidos repetidas vezes, tornar-se-iam “verdadeiros” muitos dos fatos ali narrados, pois há hibridismo cultural nos textos. A Bíblia é uma coleção de livros híbridos e poliglotas, pois há nela lendas, leis, poesia, profecias, filosofia e história relatada e absorvida de várias culturas. O hibridismo é também notado na questão das crenças e do manancial de informações que forneceu aos demais textos, após o Antigo Testamento. Assim como o Cristianismo, o Islamismo, que tem como livro sagrado o Alcorão, absorveu e recepcionou boa parte do Antigo e do Novo Testamento, ou seja, as três principais religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – reconhecem a Bíblia como texto sagrado. Seria uma atitude obscurantista negar a importância da Bíblia para a civilização, mas a contradição maior, entre outras, é que, em sendo o livro mais vendido do planeta, é, por conseguinte, o menos lido, pois historicamente os livros foram mais ouvidos do que lidos e as tradições religiosas por muito tempo foram apenas orais.
A glorificação do sentimento de culpa começou a surgir no ano de 375 d. C, quando um monge prescreveu uma lista em que relacionava e considerava as oito tentações que deveriam ser evitadas pelo homem, sob a crença de uma pena de punição divina. O papa Gregório, o Grande, em 590 d. C transformou essa lista com as oito tentações nos Sete Pecados Capitais, os quais teriam como punição o fogo eterno do inferno. Os Sete Pecados Capitais gregorianos da Igreja Católica são na realidade vícios, representados na figura alegórica do diabo, exemplo: avareza (Mammon); ira (Satã); inveja (Leviatã); gula (Belzebu); luxúria (Asmodeu); orgulho (Lúcifer); preguiça (Belfegor), pois a intenção da Igreja era de moldar a humanidade de tal forma que esses excessos se tornassem pecados para quem os cometesse, mas o resultado saiu pela culatra, pois acabou enchendo a mente humana de sentimento de culpa, aliás, os pacientes portadores de transtornos mentais queixam-se sempre de forte sentimento de culpa. A crença numa punição divina imaginária é compatível à tortura mental, pois o sujeito fica “preso” ao passado e não consegue avançar.
Philippe Pinel identificou nos seus estudos, sem que haja contestação, a religião e os livros pios como prejudiciais à saúde mental, daí ter proibido nos hospitais franceses de Bicêtre e de Salpêtrère qualquer tipo de culto a crenças religiosas. É tentador imaginar que há mensagem velada nessa passagem Bíblica: Conhecereis a verdade – conhecimento – e a verdade vos libertará – das crenças.

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista.

sábado, 12 de junho de 2010

Evolução espírita - artigo - jornal OPOVO

Evolução espírita


Antes da Era cristã, o Espiritismo já era praticado no Tibete num ritual da religião Bon - havia comunicação com os espíritos, e animais eram sacrificados. Na edição de 1692, O livro de conveniências de Paris, incluía os horários em que o rei aplicava a “imposição das mãos” nos súditos, fato este conhecido como “toque real” e que, segundo a crença, curava os súditos de diversos males. Franz Mesmer desmistificou o “toque real” teorizando o magnetismo animal, ou passe magnético, como é conhecido no Espiritismo, pois o conhecimento espírita não é estranho à ciência e foi o próprio Kardec que recomendou que acompanhássemos a ciência quando houvesse conflito com os seus enunciados. A importante contribuição de Kardec deve-se ao seu compêndio do conhecimento espírita, mas é preciso avançar no estudo do mundo espiritual expurgando os mitos.

A psicanálise andou paquerando o Espiritismo e em 24 de maio de 1919, Sandor Ferenczi, discípulo mais querido de Freud, apresentou a psicanálise como um movimento espiritual, mas acabou tendo de recuar devido às críticas ao “desconhecido”. Numa carta datada de 24 de julho de 1921, em resposta ao psiquiatra norte-americano Hereward Carrigton, que lhe havia pedido sua opinião sobre espiritualidade, Freud lhe respondeu: “Se eu me encontrasse no início de minha carreira científica, e não em seu fim, talvez escolhesse esse campo de pesquisa e desafiaria todas as dificuldades”. Segundo a historiadora francesa Elisabeth Roudinesco, Freud fez experiências nas mesas girantes como médium, o que sugere que Freud não era cético em relação ao espírito como muitos imaginam.

Tanto a Igreja como a psiquiatria classificam os transtornos mentais como possessão demoníaca e doença da alma, respectivamente, porém, não proclamam a sobrevivência do espírito. O fenômeno da obsessão espiritual tem alcançado milhões de pessoas desprevenidas causando doenças e até desejos suicidas; ora por invigilância no comportamento, ora por uso contínuo de substâncias que causam dependência química, pois os espíritos influenciam em nossas vidas mais do que se imagina; seja lá o que se imagina.

É dito na edição de 30 de janeiro de 1997, do jornal L´Express, que 25% dos franceses buscavam na teoria da reencarnação a causa de seus problemas; e na análise é dito pelos analisandos que conseguiram “superar” a questão, mas quase nunca falam em “cura”. A Evolução do Espiritismo saúda o eminente Kardec, mas abandona de vez a nomenclatura de religião para se desincompatibilizar e auxiliar a civilização na busca da verdade e da plenitude do saber científico.


Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista e espírita

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pedofilia na Igreja Católica - Artigo inédito

Pedofilia na Igreja Católica

A notícia dos escândalos de pedofilia na Igreja Católica é requentada, pois em 27 de fevereiro de 2004, a rede BBC denunciou a existência de 11 mil acusações de casos de pedofilia reconhecidos pelo Vaticano somente nos Estados Unidos. A Igreja Católica e os clérigos são historicamente misóginos, pois no Concílio de Mâcon, em 585, os bispos puseram em dúvida a vinculação da mulher à espécie humana, como se ela não tivesse alma e assim decretaram que as mulheres não faziam parte do reino animal. Porém, o fato dos clérigos serem misóginos, não os transforma automaticamente em homossexuais e/ou pedófilos, pois certamente há clérigos equilibrados e que abdicaram da prática sexual em prol de uma causa nobre.
É considerada perversão sexual a prática da pedofilia, mesmo que o pedófilo tenha sido molestado quando criança, pois, mesmo agindo inconscientemente, não atenua ou justifica esse ato sexual hediondo. Quase não há registros de mulheres pedófilas, ou seja, sugere-se que o pênis é crucial para consumação do desejo do pedófilo. Pelo temor reverencial que as crianças têm dos padres – em italiano padre quer dizer pai – acaba havendo coação psicológica irresistível, pois neste ato o sujeito não tem outra opção a não ser realizar o desejo do pedófilo.
As crianças tendem a imaginar que se contarem para seus pais o abuso sexual, eles não acreditarão em suas versões preferindo a dos clérigos pedófilos. Os clérigos pedófilos usam a inocência das crianças para saciar seus desejos sexuais nefastos traindo a confiança de toda a sociedade e envergonhando os clérigos que são sérios e equilibrados.
O corporativismo na Igreja é grande e há resistência de tornar público as mazelas cometidas dentro dos templos. Além disso, é bom relembrar que os padres não ingressam nos seminários forçados, ou seja, sugere-se que a prática da pedofilia é antiga e que sempre houve o desejo de acobertar essas perversões na Igreja. O padre pedófilo, queira ou não, exerce grande influência nas comunidades em que realiza suas homilias, mas as pessoas esquecem que por debaixo da batina há um homem com pênis, sujeito a desejos e, potencialmente ativo – ou passivo – capaz de seduzir meninos e assim saciar seus perversos desejos.
Há uma característica comum entre os pedófilos em geral: quase sempre são pessoas acima de qualquer suspeita e que gozam de prestígio na sociedade. É tentador imaginar que os clérigos pedófilos deturparam essa passagem bíblica mentalmente para justificar suas perversões sexuais: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Lucas, 18:16.


Luís Olímpio Ferraz Melo

sábado, 24 de abril de 2010

Fenômeno natural, lei universal - Artigo - Jornal OPOVO

Artigo

Fenômeno natural, lei universal

Domingo, 25 de Abril de 2010

É indiscutível a sobrevivência do espírito no fenômeno pós-morte e até os livros - ditos sagrados - das religiões que negam a Reencarnação reconhecem o mundo espiritual - Reencarnação é um conhecimento, e não crença. Existe uma passagem bíblica que prova a Reencarnação e garante que sempre há esperança: ``Jesus desceu ao inferno depois de sua morte, e pregou aos espíritos que lá se achavam em prisão`` (1ª Carta de São Pedro 4, 6), portanto, é desnecessária e cruel a ênfase que se dá nas homilias para a questão do ``pecado`` que gera o malfadado sentimento de culpa. No antigo Egito, os faraós sabiam da Reencarnação, mas de forma equivocada, pois achavam que poderiam retornar aos corpos anteriormente habitados, daí a origem das múmias e da reunião das riquezas materiais nos túmulos. No Tibete, antes mesmo da era cristã, na religião de nome Bon, os tibetanos já se comunicavam com os espíritos de seus entes queridos; e o santo mais reverenciado no Tibete é o ex-feiticeiro Milarepa, que transformou-se em paz e luz um dia - sempre há esperança. Na Índia, ainda há segmento cultural no qual, quando o patriarca desencarna, a mulher iludida se suicida, acreditando continuar igualmente a vida conjugal na espiritualidade. Os ``mistérios`` sobre o mundo espiritual foram criados pelo homem e assim como é aqui, também é lá. Ao publicar o Índice dos livros proibidos, a Igreja Católica o fez com o intuito de que a civilização não soubesse da verdade quanto ao pós-morte e se libertasse, pois se isso ocorresse, ninguém mais sofreria por medo do imaginário fogo do inferno, que causa o inútil sentimento de culpa e retira a esperança. Somos testemunhas oculares, neste momento, do fenômeno natural que se repete a cada 12 mil anos, mais conhecido como Apocalipse - em grego quer dizer: Revelação. Antes mesmo de o último livro bíblico prenunciar, sem datas, esse evento, civilizações antiquíssimas já sabiam deste conhecimento e até sugeriram datas, como é o caso dos Maias que, pelos hieróglifos, apontam 21 de dezembro de 2012, como final desta Era e a chegada da nova. Já aconteceu outras vezes, mas é preciso pontuar que o mundo não irá se acabar, mas haverá hecatombe e modificações profundas na civilização. De volta ao Tibete, lembro-me que eles encaram a morte com naturalidade e até chegam a festejar a libertação do corpo quando algum de seus entes queridos desencarna. A morte é um fenômeno natural e a lei universal e imutável foi relembrada por Kardec: nascer, morrer e renascer.
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LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO, psicanalista e autor do livro ``Psicanálise para todos``.