Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Breve história do jornal - artigo - Observatório da imprensa


Um fato curioso passa despercebido: os jornais impressos surgem e desaparecem em momentos de mudanças socioeconômicas. No segundo semestre de 1789, durante a Revolução Francesa, nada menos do que 250 jornais impressos surgiram da noite para o dia e os tidos como conservadores entraram em declínio. Na então União Soviética, o Pravda (verdade, em russo) era o jornal oficial do regime bolchevique durante os governos de Lênin e Stalin, mas foram as impressoras clandestinas que rodavam os panfletos que conseguiram furar o cerco e denunciar para o mundo as atrocidades cometidas pelos comunistas – 20 milhões de assassinatos – e puseram fim ao Pravda.
O jornal impresso parece ser um negócio pouco ou nada rentável e serviria mais como poder político e de barganha – Napoleão Bonaparte dizia que quatro jornais são mais perigosos do que 100 mil baionetas – e os donos de jornais quase sempre têm outros negócios empresariais: rádios, televisão, editoras etc. Outro fato que merece destaque é que as tipografias, onde eram rodados os panfletos, eram de judeus, inclusive, no Império Otomano. Por duzentos anos, foram os judeus que dominaram as impressões: em 1504, fundaram tipografia em Istambul; 1510, em Salônica; em 1554, em Esmirna (ou Izmir). Foi preciso esperar até 1728 para aparecer a primeira tipografia não judaica no Império Otomano – as tipografias faturavam mais com a impressão de livros do que com a panfletaria e os tabloides.
A primeira agência de notícias surgiu em 1832, fundada pelo judeu Bernhard Wolf, em que utilizava a tecnologia de Samuel Morse para transmitir as notícias por telegrama – no início especulava na Bolsa de Valores e anunciava os horários dos trens. O primeiro furo político foi dado pelo Times no mesmo dia, em 10 de janeiro de 1859, que tratava do desencadeamento da guerra franco-austríaca e a independência da Itália – a rapidez era a novidade para os jornais impressos. Em 1865, o judeu Julius Reuter fundou a Agência Reuters e passou a distribuir as informações para diversos jornais, o que ajudava na contenção dos custos, pois os jornais não precisavam mais enviar correspondentes aos locais da notícia.
O judeu Adolph Simon Ochs comprou em 1896 o The New York Times – que na época tinha tiragem de apenas nove mil exemplares/dia e estava à beira da falência – por modestos US$ 250 dólares. Porém, em 1925 a tiragem do NYT chegaria a 780 mil exemplares/dia, mas por diversas vezes o NYT passou por crises.
Quase todos os jornais impressos passaram por auges e crises e, não raramente, tiveram que se reinventar para continuar existindo...

Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ensino à distância - artigo - Observatório da imprensa


A televisão vem recebendo merecidas críticas por conta do excesso de tempo e da glorificação que tem destinado à violência em noticiários, programas policiais, filmes e lutas tipo artes marciais mistas (MMA, sigla em inglês), bem como por não destinar mais espaço em sua grade diária para programas culturais e educacionais em prol da paz na sociedade e do bem-estar da família. Porém, um fenômeno televisivo passa quase despercebido: o ensino à distância.
A questão da mobilidade urbana, a falta de tempo para o estudo em sala de aula e a concentração de escolas e universidades nos grandes centros podem justificar a expansão do uso da televisão e da internet para o ensino à distância. A televisão é uma ótima ferramenta para a promoção da educação e os governos deveriam exigir cada vez mais cultura nas grades televisivas, pois as “universidades abertas” vêm crescendo vertiginosamente e superando em número o de alunos das aulas presenciais. As “abertas”, inclusive, alcançam localidades onde os meios de comunicações – estradas, ônibus, veículos, aviões etc. – não são disponíveis com facilidade. No ano 2000, nos EUA, contavam-se 14 milhões de estudantes na “universidade aberta” contra 2 milhões na Inglaterra, mas, curiosamente, no maior país demográfico, a China, o sistema de universidade pela TV contabilizava apenas 580 mil estudantes matriculados, sugerindo que a “triagem” no conteúdo das vídeoaulas do ensino à distância realizada pelo governo chinês limita o interesse de novos alunos.
A internet, que nasceu de um temor americano de que a Rússia derrubasse a rede de comunicações num eventual ataque nuclear, tem auxiliado o ensino à distância e a pesquisa acadêmica, sem falar na facilidade que o e-mail proporciona na troca de informações em velocidade admirável – a enciclopédia eletrônica Wikipédia, bem como o buscador Google, têm auxiliado nas pesquisas acadêmicas. Famosas e respeitadas universidades vêm disponibilizando conteúdos gratuitos na rede mundial de computadores por meio de vídeoaulas, exemplo: Harvard, Columbia e Michigan.
A democratização e a globalização do conhecimento passam inevitavelmente pela televisão e a internet, pois o ensino à distância precisa dessas ferramentas para alcançar seus objetivos nos cursos técnicos, nas graduações e no programa de pós-graduação. O Telecurso 1º e 2º grau, da Fundação Roberto Marinho, bem como a ótima programação da TV Escola, do Ministério da Educação, têm colocado o Brasil como referência na questão do ensino à distância, pois é uma tendência mundial nos países que prestigiam a educação e a profissionalização dos seus cidadãos.

Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

domingo, 7 de outubro de 2012

Síndrome do pânico - artigo - Diário do Nordeste


Não há uma explicação definitiva para a pandemia de síndrome do pânico de que tantos reclamam, mas já existem elementos importantes para um estudo. Freud utilizou o termo "medo" em vários de seus escritos em oposição à "angústia" para diferenciar que no medo há um perigo real, enquanto na angústia, não há um objeto determinado - ou seja, fica-se angustiado sem saber a razão. Freud fez relações semânticas em vários textos entre os termos: Angst (angústia), Furcht (temor ou medo) e Schreck (pavor) para mostrar as diferenças desses sentimentos tão comuns no sujeito. Para Freud, a angústia seria um estado caracterizado pela expectativa para um perigo que pode ser até desconhecido, porém, no caso do medo, sempre há algo especifico que o provoca, exemplo: medo de dirigir, de elevador, de escuro, de morrer, de doenças, de alguém, etc.
A angústia, segundo Freud, transforma-se em medo quando estabelece algum objeto a se temer, inclusive, ele utilizou um novo termo a partir de 1916, "Realangst", que se traduz por: angústia perante um perigo real. É impossível imaginar alguém sem qualquer tipo de medo, pois o medo protege a vida do sujeito colocando-lhe limites, mas não se pode glorificá-lo dando-lhe importância maior do que a devida. Há homens que não penetram uma mulher por medo, pois são acometidos da síndrome da "vagina dentada" e acham que a vagina poderá mastigar o seu pênis. A mulher sente medo e fica angustiada, aqui contrario o mestre Freud, com a possibilidade de terminar a vida sozinha por conta da cultura matrimonial planetária - ou seja, o medo e a angústia andam de mãos dadas nesse caso. Não se pode descartar a hipótese de que a explosão do uso e abuso de remédios alotrópicos para diversas finalidades podem estar causando efeitos colaterais levando o sujeito a "estado químico" de pânico e de angústia que poderiam ser evitados - há provas robustas de que vários remédios podem induzir o sujeito até ao suicídio, imagine ao pânico e à angústia... A exploração da violência na mídia diuturnamente, especialmente nos programas policiais televisivos, está contribuindo para "plantar" e espalhar pânico na sociedade. Faz-se necessário uma urgente mudança de vida e de atitude mental para não ser alcançado pela real pandemia de síndrome do pânico...

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista





terça-feira, 2 de outubro de 2012

Reflexão sobre a censura - artigo - Observatório da imprensa



Volta e meia, a ameaça à liberdade de expressão e de imprensa reaparece trazendo sempre elementos para novos estudos. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na semana passada deu ultimato até o dia 7 de dezembro próximo ao Grupo Clarín para que venda parte de seus negócios televisivos, pois, segundo a presidente, a lei argentina antimonopólio, de 2009, não permite a quantidade de canais utilizados pelo Clarín – Kirchner já havia colocado sob o controle do seu governo a compra do papel utilizado nos jornais. A ameaça velada levou a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) a divulgar nota condenando o ultimato ao Grupo Clarín e criticando Kirchner por não aceitar críticas.
A América do Sul tem sido palco de vários atentados à liberdade de expressão e de imprensa, como numa ação orquestrada iniciada pela Venezuela de Hugo Chávez, tornando assim a mídia refém de governos...
A censura é algo nocivo à civilização e a liberdade de expressão é um direito inegociável, pois foi conquistado com duras lutas. Engana-se quem pensar que a censura não é uma ameaça real, inclusive faz-se necessária a vigilância permanente contra ela. Na antiga Roma, no ano 443 a.C., os magistrados tinham o dever de censurar os romanos e de estabelecer a relação nas centúrias e tribos. A censura existiu informalmente, mas em 1560, no Concilio de Trento, a Igreja Católica tornou-a oficial, inclusive estabeleceu o Índex dos Livros Proibidos – havia também outro das pinturas proibidas. No século 18, em Portugal, havia a “Mesa censória”, criada pelo marquês de Pombal para censurar os livros e demais publicações – inclusive, tinha o poder de punição.
Há várias formas de censuras disfarçadas. Exemplo: cobranças de selos nas publicações etc. Nos mapas da Rússia, até Boris Ieltsin, em 1992, não constavam as localidades onde estavam os centros de pesquisas nucleares – Sarov, Seversk e Dubna. Mapas das ruas e a lista telefônica também eram restritos no período stalinista, pois havia o medo de reuniões e conspirações contra o regime comunista. Nos EUA, a lei da Liberdade de Informação, de 1966, abre a exceção para o acesso aos mapas secretos dos poços de petróleo.
A censura não dá trégua e o Brasil não é exceção de risco à liberdade de expressão. Os livros infantis do genial Monteiro Lobato estão sendo alvos de questionamento jurídico alegando que contêm “racismo”: primeiro foi Caçadas de Pedrinho e agora, Negrinha, lançado em 1920. Querem retirar de circulação os livros de Lobato pela via judicial, como numa espécie de Índex Judicial dos Livros Proibidos...

Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista



domingo, 23 de setembro de 2012

A Heloísa de Rousseau - artigo - Diário do Nordeste


Nenhum outro romance provocou tanto furor e inundações de lágrimas nos leitores daquela época como, "A nova Heloísa", de Jean-Jacques Rousseau. Lançado em 1761, "A nova Heloísa", tornou-se o livro mais vendido no século XVIII e projetou Rousseau no cenário literário com esse romance baseado em cartas escritas durante 13 anos, de 1732-45. Rousseau inaugurou um novo estilo de leitura que foi considerado uma revolução na literatura, assim como Montaigne criou um novo gênero literário no século XVI, os Ensaios, Rousseau trouxe o leitor de volta para vivenciar a leitura - Rousseau era obcecado pelo tema "leitura" e em, "Emile", sugeriu que a criança aprendesse a ler tarde: "quando estivesse madura para o aprendizado".
A procura pela "A nova Heloisa" rendeu setenta edições publicadas antes de 1800, mas mesmo assim, os livreiros ainda tinham que alugar livros por dia e até por hora para suprir a demanda da "A nova Heloísa" - em 1880 o livro chegou a 100ª edição. No primeiro prefácio de "A nova Heloisa", Rousseau diz: "Teatros são necessários para as grandes cidades e os romances para os povos corruptos". À primeira vista, foi uma contradição, porém, Rousseau tentou explicar, sem sucesso, nos outros prefácios: "Este romance não é um romance", pois dizia que era uma coleção de cartas entre dois amantes que viviam numa cidadezinha ao sopé dos Alpes e que ele seria apenas o editor. Naquela época, era comum os romances surgirem de forma anônima devido ao puritanismo e ao regime e Rousseau assumiu a autoria de "A nova Heloísa" que foi considerado um texto sentimentalista e pré-romântico. Em suas "Confissões", o brilhante Rousseau reconhece suas falhas morais e tenta explicar o abandono dos seus cinco filhos num orfanato alegando que seriam educados melhores do que se estivessem com ele e a sua esposa, Thérèse Levasseur - afinal, ninguém é perfeito...
Em fevereiro de 1777, Rousseau publicou uma "carta aberta" pedindo socorro financeiro em troca dos direitos autorais de seus manuscritos publicados e inéditos, porém, após a morte de Rousseau, muitos textos anônimos foram lhe atribuído autoria sem que haja prova da autenticidade. Rousseau desejou em, "A nova Heloísa" prestigiar os relacionamentos afetivos verdadeiros dando-lhes corpo e alma...


Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista









terça-feira, 18 de setembro de 2012

Palestina urgente - artigo - Observatório da imprensa


Fiquei surpreso com a quantidade de contradições que descobri na Palestina quando lá estive. A mídia internacional não tem sido imparcial com os fatos históricos e contemporâneos que estão ocorrendo na Palestina, pois há nítida influência do sionismo nas matérias. Nos EUA, por exemplo, nada sai de positivo acerca da questão palestina e o New York Times somente prestigia com benevolência em seus comentários livros pró-Israel. Há anos, a Liga Israelense de Direitos Humanos divulga informações sobre a demolição de residências, a expropriação de terras, o tratamento dos trabalhadores, a tortura e a detenção ilegal de árabes e palestinos muçulmanos, mas quase nada é publicado sobre o tema.
Outra prova de boicote à questão palestina foi a divulgação do relatório “Insight” pelo jornal londrino Sunday Times, em 19 de junho de 1977, relatando as torturas aos árabes e as prisões ilegais e afirmando que o Estado de Israel sabia de tudo mas fazia vista grossa; bem como os relatórios da Anistia Internacional e da Cruz Vermelha, corroborando as atrocidades, mas, com exceção do Globe, de Boston, nada saiu nos EUA – artigos de opinião pró-palestinos nos jornais são quase inexistentes.
Não se veem na mídia debates acerca do descumprimento de Israel da Resolução nº 242, de 22 de novembro de 1967, da Organização das Nações Unidas – ONU –, que determina que Israel devolva aos palestinos as terras ocupadas na Guerra dos Seis Dias naquele ano. Esse descumprimento, inclusive, tem sido apontado como o principal obstáculo para a paz entre judeus, árabes e palestinos muçulmanos.
Devido ao clima severo, a escassez de água potável e para agricultura na Palestina tem sido um problema sério, inclusive na Faixa de Gaza. Quase toda a água usada pelos palestinos é imprópria para o consumo humano — as nascentes e as fontes de água potável tornaram-se o bem mais precioso naquela desértica região.
O muro de segurança na Cisjordânia começou a ser construído por Israel em 14 de junho de 2002, alegando-se que é para evitar ataques terroristas. Porém, tem inviabilizado a vida social e econômica de várias comunidades palestinas, pois as terras deixaram de ser contíguas e a mídia tem sido omissa ao não mostrar essa realidade. Os sangrentos ataques contra os palestinos armados de pedras nas fronteiras limítrofes a Israel pelo Haganah – exército israelense – foram denunciados até por militares israelenses dissidentes e isso começou a mudar lentamente a visão da opinião pública em relação à questão palestina. Porém, os palestinos ainda estão sem voz e vez na mídia internacional...



Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista, Fortaleza, CE



sábado, 8 de setembro de 2012

Palestina milenar - artigo - Diário do Nordeste


Após a queda do último governo da Judéia e a destruição de Jerusalém, no Oriente Médio, em 70 d.C., essa região mudou de nome e passou a ser conhecida como o país dos Filisteus, ou, Palestina, pois o desejo do Império Romano era desjudeizá-la. A Palestina transformou-se ao longo desses dois milênios numa cultura genuinamente árabe e palestino-muçulmana, pois a grande maioria dos judeus emigrou em Diásporas para a Europa, África, Rússia e depois para os EUA. O Estado de Israel foi fruto do movimento sionista e a Organização das Nações Unidas - ONU - aprovou em 29 de novembro de 1947, a Resolução nº 181, que criaria o Estado de Israel e outro Palestino - o Estado Palestino ainda não foi reconhecido pela ONU.
Várias guerras foram deflagradas entre árabes e israelenses, mas a que é apontada como obstáculo para a paz foi a Guerra dos Seis Dias contra o Egito, a Síria e a Jordânia, iniciada em 5 de junho de 1967 - que resultou na Resolução da ONU nº 242, de 22 de novembro de 1967, que determina ao Estado de Israel a devolução das terras ocupadas aos palestinos. As diversas tentativas de acordos para a paz entre árabes e israelenses naufragaram - Oslo I e II, Camp David, Taba e Mapa da Estrada - e a regra era quase sempre ofertar terras pela paz. Em 14 de junho de 2002, Israel começou a construção de um muro na Cisjordânia (Samaria e Judeia, nome bíblico), alegando que é para segurança dos israelenses por causa dos atentados terroristas, mas inviabilizou a vida social e econômica de várias comunidades palestinas que dependem das áreas contínuas para sobrevivência.
A Faixa de Gaza hoje é uma prisão a céu aberto e de difícil acesso, pois com o bloqueio econômico, os palestinos muçulmanos em Gaza dependem do fornecimento de alimentos e outros gêneros do Egito e de Israel. Dos 14 milhões de judeus no mundo, apenas 5.640.000 vivem em Israel, na Palestina, porém, é preciso urgência para uma solução pacífica viabilizando que judeus, árabes e palestinos muçulmanos possam viver em paz como irmãos. As barreiras militares de fiscalização nas estradas, o muro de segurança na Cisjordânia, ao longo do território palestino, bem como a "guerra psicológica" e a tensão termonuclear no Oriente Médio, mostram que a questão palestina diz respeito a toda civilização...


LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista