Meu novo livro: Novas abordagens

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terça-feira, 8 de maio de 2012

Centenário do Pravda - artigo - Observatório da imprensa


O jornal russo Pravda – “verdade”, em russo – completou na semana passada 100 anos da sua fundação. O Pravda surgiu em São Petersburgo, teve sua primeira edição em 5 de maio de 1912, e era tido como jornal de oposição e contra o abuso das autoridades, mas sua linha editorial mudou consideravelmente por ocasião da revolução bolchevique, em 1917, pois tornou-se o porta-voz do Partido Comunista Soviético e principal meio de divulgação e de propaganda das ideias de Lênin e do comunismo.
Após a queda do muro de Berlim, na Alemanha, em 9 de novembro de 1989, o comunismo entrou em declínio no mundo e o Pravda foi “expulso”, em 1991, da então Rússia de Boris Yeltsin. Porém, após breve estadia na Grécia, o Pravda retornou à Rússia em 1997 e com o mesmo discurso partidário da linha editorial inaugural: pedindo união de todos os trabalhadores – confirmando a hipótese de Hegel e de Marx de que a História sempre se repete...
A crítica imparcial que se faz ao Pravda é que seus arquivos são seletivos, ou seja, há eventos de importância histórica ocorridos na União Soviética stalinista e na China comunista que não foram registrados pelo Pravda. Exemplo: até 1980, era tabu na Rússia falar sobre a “Grande Fome” programada, ocorrida na Ucrânia entre 1932-33, quando 6 milhões de ucranianos morreram de inanição. Tida como a “primeira fome programada” da História, foi utilizada pelos comunistas como instrumento de controle, dominação e guerra.
Outro evento de relevância: durante a “fome política” do Grande Salto Adiante comunista de 1959-61, ocorrida no Gulag maoísta, o Laogai, na China, 20 milhões de chineses morreram famintos e é tida como a maior fome da História, mas não há nos arquivos do Pravda esses registros. A ocultação desses e de outros eventos históricos relevantes mancha a imagem do comunismo no mundo, porém coloca também em xeque a credibilidade do Pravda e o nome – verdade – pode soar como uma ironia.
Os jornais têm sido para os historiadores uma fonte preciosa na investigação histórica, mas há restrições de alguns para citações por conta da falta de imparcialidade na publicação dos fatos, como parece ser o caso do Pravda, que renasceu numa Rússia diferente da de 1912, quando os russos viviam no regime imperial mas não havia qualquer registro de Gulags e de atrocidades nesta época.
Os fatos desfavoráveis ao comunismo e omitidos pelo Pravda somente foram descobertas graças a outras fontes e a pesquisas de campo que visavam a buscar somente a verdade...


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista



domingo, 6 de maio de 2012

Bastidores maçônicos - artigo - Diário do Nordeste



O silêncio e os segredos maçônicos operados dentro dos templos intrigam o imaginário humano e fornecem munição para as ideias de que há uma conspiração global. Os escândalos dentro da maçonaria abalaram a organização a ponto de haver racha entre os irmãos maçônicos. O caso mais gritante foi o da autoridade máxima maçônica no Brasil, o Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva, que foi acusado de traição ao juramento maçônico, pois registrou na Biblioteca Nacional livros secretos da maçonaria contendo segredos até então invioláveis. Criticado de todos os lados, foi acusado de querer se beneficiar com os direitos autorais dos livros maçônicos, pois registrou em seu nome e não no da Maçonaria (Istoé, 2010). (...) "Por dois anos, entre 2003 e 2005, era difícil discernir, dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, quem era da hierarquia do Judiciário de quem era da cúpula da maçonaria no Estado. O desembargador José Ferreira Leite era presidente do tribunal e grão-mestre da ordem maçônica" (Época, 2010). Esse escândalo afastou desembargadores e juízes que foram acusados de desviar R$ 1, 4 milhão do tribunal de Mato Grosso para a maçonaria.
O Conselho Nacional de Justiça afastou e condenou a pena máxima os magistrados envolvidos nesse escândalo maçônico, mas, misteriosamente, o egrégio Supremo Tribunal Federal mandou reintegrá-los ao tribunal, sugerindo que a maçonaria tem muita influência... A maçonaria deve uma explicação cabal à opinião pública, pois não pode se arvorar de ser uma sociedade secreta para silenciar diante de acusações sérias - o plano maçônico é a construção de um "governo único", mas ninguém pediu ou autorizou. A maçonaria é uma organização poderosíssima em todo o planeta e elege e derruba governantes que não rezarem em sua cartilha secreta e trata a opinião pública como se fosse anencefálica.
Nos EUA, por exemplo, raro é o presidente que não sai egresso de alguma loja maçônica. Toda revolta e desde a Revolução Francesa, em 1789, passando pela Bolchevique, na Rússia, em 1917, liderada por Lênin, cujo nome verdadeiro é Oulianoff, a maçonaria esteve por trás manipulando tudo... Fazendo justiça: a maioria dos maçons parece não saber que estão a serviço de interesses obscuros e que a teleologia maçônica não é a que eles pensam ser...



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 22 de abril de 2012

Memória seletiva - artigo - Diário do Nordeste



Até 1980, era tabu na Rússia falar sobre a "Grande Fome" programada e arquitetada por Stalin, ocorrida na Ucrânia entre 1932-33, em que 6 milhões de ucranianos morreram de inanição. Tida como a "primeira fome programada" da História, foi utilizada pelos comunistas como instrumento de controle, dominação e guerra. Durante a "fome política" do Grande Salto Adiante comunista de 1959-61 ocorrida no gulag maoísta, o Laogai, na China, 20 milhões de chineses morreram famintos e é tida como a maior fome da História. Nos gulags, na então União Soviética, as condições de vida e a alimentação eram medíocres e não respeitavam a dignidade humana, e milhões de dissidentes do comunismo eram enviados a esses campos de trabalho forçado onde, não raramente, morriam desnutridos ou eram brutalmente assassinados. O genocídio pela fome é torturante, pois o sujeito é condenado a morrer lentamente de fome, porém, tem que continuar a trabalhar até o último suspiro - nas guerras, os soldados são alimentados com ração diária à base de proteínas, mas não é raro morrerem de fome durante as batalhas. Todo regime totalitário mirou, desde seu início, no controle da produção e distribuição dos alimentos e na água potável, pois a população fica refém do "novo" sistema e tudo passa a ser racionado. Na Rússia lenista-stalinista, os cúlaques, camponeses bem de vida, foram perseguidos e considerados "inimigos" do regime comunista por terem produção e distribuição de alimentos - após a centralização da distribuição dos alimentos na Rússia pelos comunistas, os desvios e a corrupção generalizaram-se.
O comunismo é uma conspiração contra a civilização e o seu pseudodiscurso de igualdade não convenceu, inclusive, não é sábio acreditar num regime de governo que praticamente proibiu o cidadão de sair de seu país, em que a liberdade de expressão é apenas um sonho e que deseja "igualar" as pessoas na marra. O Muro de Berlim começou a ser construído em 13 de agosto de 1961 e iniciada a derrubada em 9 de novembro de 1989, quando o comunismo declarou-se falido, mas engana-se quem acredita que ele esteja morto... Os comunistas tentaram "apagar" a sua memória histórica, inclusive, não querem capitalizar e assumir os 100 milhões de assassinatos cometidos no malfadado período do século XX...


Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

sábado, 21 de abril de 2012

Questão de consciência - artigo - OPOVO



   Nenhuma mulher sente prazer em abortar e não será com leis penais cada vez mais rígidas que a questão do aborto será resolvida. As leis criminais contra o aborto no planeta são burladas e não encontram efetividade e eficácia, pois a clandestinidade de clínicas, o uso de pílulas abortivas e os abortos realizados extraterritoriais — exemplo, o navio do movimento “Women on Waves” (Mulheres em onda), que defende o direito das mulheres ao aborto e que navega em águas internacionais fazendo abortos — mostram que a complexidade da questão do aborto ultrapassa, em tese, a questão jurídica, a religiosa e a ética.
   Alguns médicos recorrem à “cláusula de consciência” para se negarem a praticar o aborto, mesmo, em alguns casos, quando há determinação judicial. Na Índia, na Coreia do Sul, em Taiwan e na China, por exemplo, apesar do aborto ser liberado, apenas os fetos femininos são sacrificados, pois há misoginia nessas plagas — na Índia, algumas clínicas de abortamento propagam: “Pague 500 rúpias hoje e economize as 50 mil do dote. Certifique-se de que não está esperando uma filha”.
   Esses países misóginos desestimulam a gravidez de fetos femininos pois as famílias têm que, por tradição cultural, pagar o dote à família do noivo, o que pode levá-las, se tiverem várias filhas, à falência.
   Estimativas conservadoras apontam para o estarrecedor número de 46 milhões de abortos realizados por ano no planeta e, não raramente, a mulher paga com a própria vida o ato do aborto, pois, desesperadas, assumem o risco de interromper a gestação acreditando que será um mal menor.
   A cultural do local influencia diretamente as leis e a decisão da mulher sobre o aborto, pois, nos países que não prestigiam culturalmente o pleno direito à vida, a questão do aborto ficará sempre refém da consciência da mulher. Lei criminal alguma impedirá de fazê-la o aborto na clandestinidade.


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

sábado, 7 de abril de 2012

Síndrome leopoldiana - artigo - Diário do Nordeste

O desejo de dominar os demais no sujeito produz comportamento atípico que é capaz de surpreender até os mais experientes. O genocídio ocorrido no território do rio Congo, na África, no final do século XIX, em que 10 milhões de africanos foram barbaramente assassinados e que foi patrocinado pelo rei da Bélgica, Leopoldo II, fornece elementos importantes para estudarmos o comportamento e a perversidade humana em sua plenitude. O jovem rei Leopoldo II sonhava encontrar terras devolutas para ampliar o seu reinado e descobriu as riquezas do Congo, até então inexplorado. Para dominar as tribos negras africanas naquela plaga, fundou um movimento para "libertação dos escravos" e proclamou-se humanista e filantropo, mas enganou a muitos da comunidade internacional que lhe depositaram apoio, pois o seu real objetivo era explorar os congoleses e retirar-lhes todas as suas riquezas minerais e, especialmente, o látex e o marfim. Em Serra Leoa, também na África, no século XXI, os diamantes vêm provocando discórdias e guerras entre as tribos locais e mais uma vez os africanos são explorados e mutilados pelos comerciantes dessa pedra preciosa. Os diamantes de sangue, como ficaram conhecidos, são negociados com os africanos a preço vil e/ou trocados por armamento de guerra obsoleto, proporcionando assim a formação de guerrilhas tribais e impedindo qualquer esperança de paz. A crueldade no sujeito e na civilização sempre existiu, mas houve um aumento considerável nos casos de genocídio após a Peste Negra, na Idade Média, na Europa, em que quase metade da população pereceu, supostamente por envenenamento da água - depois veio a Inquisição até os dias de hoje. Extermínios em massa tornaram-se a solução para os "conquistadores" do planeta, daí os regimes totalitários não prestigiarem o direito à vida e à dignidade humana, inclusive recorrendo à pena de morte como ferramenta para se manter a ordem - estatísticas apontam que 100 milhões de pessoas no mundo foram assassinados durante regimes comunistas no século XX. A síndrome leopoldiana age inconscientemente no governante levando-o a sentir prazer em ser temido e insaciável, mas como um esquizofrênico, não se preocupa com o sofrimento e o bem-estar dos demais, pois para o leopoldino somente o seu gozo interessa.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 25 de março de 2012

Relatório Leuchter - artigo - Diário do Nordeste

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Fred A. Leuchter Jr. residia em Boston, Massachusetts, nos EUA e era especializado em projetos de fabricação de equipamentos usados em presídios americanos, principalmente as câmaras de gás da Penitenciária do Estado de Missouri, em Jefferson City e outros. Nomeado perito forense pela Justiça do Canadá, Leuchter Jr. viajou com a sua equipe para Polônia, em 25 de fevereiro de 1988, para periciar as alegadas câmaras de gás cuja existência estava sendo questionada judicialmente em desfavor do alemão-canadense, Dr. Ernest Zundel que publicou o panfleto: "Morreram de fato seis milhões?" - em referência ao suposto Holocausto.
A versão oficial descrita no ofício L-022 do Tribunal de Nuremberg, dizia que 1.765.000 milhões judeus teriam sido assassinados por meio de câmaras de gás nos campos de concentração polonês de Auschwitz, Birkenau e Majdanek, utilizando-se, supostamente, o gás hidro-cianureto (Zyklon-B) ou monóxido de carbono (CO) produzido por motores a diesel. A primeira vez que houve execução de presidiário com gás Zyklon-B foi em 1924, nos EUA, mas até o ano de 1988, ainda persistia o problema na montagem dessas câmaras por conta da questão dos vazamentos e do alto risco para os executores durante a operação - detalhe: o Zyklon-B não é adequado para uso em câmara de gás. Os EUA, na época da Segunda Guerra, eram o único país que detinha a tecnologia de execução de prisioneiros em câmara de gás - frise-se, de dois em dois prisioneiros, no máximo... E não há registros de intercâmbio de tecnologia entre americanos e alemães neste sentido - o alto custo de manutenção das câmaras de gás levou os EUA a trocarem as execuções a gás por injeções letais.
O relatório pericial de Fred A. Leuchter Jr. datado de 5 de abril de 1988, com 192 páginas, concluiu determinantemente: não há qualquer prova de que existiram câmaras de gás nos locais dos campos de concentração alegados. Sob juramento, respondeu ao juiz canadense nos dias 20 e 21 de abril de 1988 todas as perguntas do magistrado, bem como dos demais interessados na querela judicial. O historiador britânico, Dr. David Irving, em seu depoimento judicial, em 22 de abril de 1988, disse que o relatório do perito Fred A. Leuchter Jr. mudava a história da Segunda Guerra e das propagadas câmaras de gás.

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

sábado, 10 de março de 2012

Operação verdade - artigo - Diário do Nordeste

No dia 29 de maio de 1988, a Rádio Moscou, informou que as autoridades russas poderiam reconhecer que a N.K.W.D (depois K.G.B) assassinou milhares de oficiais poloneses capturados pelos exército russo durante a Segunda Guerra - até então a versão oficial culpava os alemães por esse evento que ficou mundialmente conhecido como: "O massacre de Katyn". No dia 13 de abril de 1943, a imprensa alemã denunciou que próximo à cidade russa de Smolensk, na região de Katyn, foram encontradas valas comuns com os corpos de milhares de oficiais poloneses executados pelos russos que estavam desaparecidos. Os russos logo culparam a Alemanha pelo massacre dos 11 mil militares poloneses - 7 mil oficiais e 4 mil praças -, mas no local foram encontrados apenas 4.500 vítimas, ou seja, a Rússia não tinha como justificar os demais assassinatos, juntou como se tudo estivesse no massacre de Katyn - se colar, colou.
Em 23 de dezembro de 1989, foi entregue por uma comissão ao Congresso dos Deputados do Povo, em Moscou, na Rússia, uma reinterpretação de um episódio crucial da Segunda Guerra: o pacto Hitler-Stalin. Sabe-se hoje que ambos assinaram um protocolo secreto datado de 23 de agosto de 1939 que foi apresentado em 25 de março de 1946 ao Tribunal de Nuremberg colocando a Rússia em situação delicada, pois como "juiz" togado daquela corte, o documento revelou a participação russa nos planos dos alemães. Na Guerra das Malvinas, em 1982, descobriu-se que documentos oficiais ingleses do ano de 1930, subtraídos e depois encontrados, sugeriam que a Inglaterra não tinha legitimidade para reivindicar a posse das Ilhas Malvinas. Por ocasião da Grande Depressão, em 1929, em que os EUA foram à derrocada com a quebra da Bolsa de Valores, em Wall Street, descobriu-se por acaso nos arquivos do Banco da Inglaterra que o importante depoimento judicial do seu diretor, Montagu Norman, não era igual ao que se tornou público, ou seja, há, no mínimo, duas versões nessa história. A História é elitista e tem sido manipulada e escrita longe dos fatos para beneficiar grupos de pressão, no entanto, alguns fatos históricos foram apagados e/ou esquecidos... Peço ao leitor que faça um minuto de silêncio em homenagem aos 20 milhões de russos assassinados durante o regime stalinista bolchevique.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista