Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

sábado, 21 de abril de 2012

Questão de consciência - artigo - OPOVO



   Nenhuma mulher sente prazer em abortar e não será com leis penais cada vez mais rígidas que a questão do aborto será resolvida. As leis criminais contra o aborto no planeta são burladas e não encontram efetividade e eficácia, pois a clandestinidade de clínicas, o uso de pílulas abortivas e os abortos realizados extraterritoriais — exemplo, o navio do movimento “Women on Waves” (Mulheres em onda), que defende o direito das mulheres ao aborto e que navega em águas internacionais fazendo abortos — mostram que a complexidade da questão do aborto ultrapassa, em tese, a questão jurídica, a religiosa e a ética.
   Alguns médicos recorrem à “cláusula de consciência” para se negarem a praticar o aborto, mesmo, em alguns casos, quando há determinação judicial. Na Índia, na Coreia do Sul, em Taiwan e na China, por exemplo, apesar do aborto ser liberado, apenas os fetos femininos são sacrificados, pois há misoginia nessas plagas — na Índia, algumas clínicas de abortamento propagam: “Pague 500 rúpias hoje e economize as 50 mil do dote. Certifique-se de que não está esperando uma filha”.
   Esses países misóginos desestimulam a gravidez de fetos femininos pois as famílias têm que, por tradição cultural, pagar o dote à família do noivo, o que pode levá-las, se tiverem várias filhas, à falência.
   Estimativas conservadoras apontam para o estarrecedor número de 46 milhões de abortos realizados por ano no planeta e, não raramente, a mulher paga com a própria vida o ato do aborto, pois, desesperadas, assumem o risco de interromper a gestação acreditando que será um mal menor.
   A cultural do local influencia diretamente as leis e a decisão da mulher sobre o aborto, pois, nos países que não prestigiam culturalmente o pleno direito à vida, a questão do aborto ficará sempre refém da consciência da mulher. Lei criminal alguma impedirá de fazê-la o aborto na clandestinidade.


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

sábado, 7 de abril de 2012

Síndrome leopoldiana - artigo - Diário do Nordeste

O desejo de dominar os demais no sujeito produz comportamento atípico que é capaz de surpreender até os mais experientes. O genocídio ocorrido no território do rio Congo, na África, no final do século XIX, em que 10 milhões de africanos foram barbaramente assassinados e que foi patrocinado pelo rei da Bélgica, Leopoldo II, fornece elementos importantes para estudarmos o comportamento e a perversidade humana em sua plenitude. O jovem rei Leopoldo II sonhava encontrar terras devolutas para ampliar o seu reinado e descobriu as riquezas do Congo, até então inexplorado. Para dominar as tribos negras africanas naquela plaga, fundou um movimento para "libertação dos escravos" e proclamou-se humanista e filantropo, mas enganou a muitos da comunidade internacional que lhe depositaram apoio, pois o seu real objetivo era explorar os congoleses e retirar-lhes todas as suas riquezas minerais e, especialmente, o látex e o marfim. Em Serra Leoa, também na África, no século XXI, os diamantes vêm provocando discórdias e guerras entre as tribos locais e mais uma vez os africanos são explorados e mutilados pelos comerciantes dessa pedra preciosa. Os diamantes de sangue, como ficaram conhecidos, são negociados com os africanos a preço vil e/ou trocados por armamento de guerra obsoleto, proporcionando assim a formação de guerrilhas tribais e impedindo qualquer esperança de paz. A crueldade no sujeito e na civilização sempre existiu, mas houve um aumento considerável nos casos de genocídio após a Peste Negra, na Idade Média, na Europa, em que quase metade da população pereceu, supostamente por envenenamento da água - depois veio a Inquisição até os dias de hoje. Extermínios em massa tornaram-se a solução para os "conquistadores" do planeta, daí os regimes totalitários não prestigiarem o direito à vida e à dignidade humana, inclusive recorrendo à pena de morte como ferramenta para se manter a ordem - estatísticas apontam que 100 milhões de pessoas no mundo foram assassinados durante regimes comunistas no século XX. A síndrome leopoldiana age inconscientemente no governante levando-o a sentir prazer em ser temido e insaciável, mas como um esquizofrênico, não se preocupa com o sofrimento e o bem-estar dos demais, pois para o leopoldino somente o seu gozo interessa.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 25 de março de 2012

Relatório Leuchter - artigo - Diário do Nordeste

Indique essa matéria









Fred A. Leuchter Jr. residia em Boston, Massachusetts, nos EUA e era especializado em projetos de fabricação de equipamentos usados em presídios americanos, principalmente as câmaras de gás da Penitenciária do Estado de Missouri, em Jefferson City e outros. Nomeado perito forense pela Justiça do Canadá, Leuchter Jr. viajou com a sua equipe para Polônia, em 25 de fevereiro de 1988, para periciar as alegadas câmaras de gás cuja existência estava sendo questionada judicialmente em desfavor do alemão-canadense, Dr. Ernest Zundel que publicou o panfleto: "Morreram de fato seis milhões?" - em referência ao suposto Holocausto.
A versão oficial descrita no ofício L-022 do Tribunal de Nuremberg, dizia que 1.765.000 milhões judeus teriam sido assassinados por meio de câmaras de gás nos campos de concentração polonês de Auschwitz, Birkenau e Majdanek, utilizando-se, supostamente, o gás hidro-cianureto (Zyklon-B) ou monóxido de carbono (CO) produzido por motores a diesel. A primeira vez que houve execução de presidiário com gás Zyklon-B foi em 1924, nos EUA, mas até o ano de 1988, ainda persistia o problema na montagem dessas câmaras por conta da questão dos vazamentos e do alto risco para os executores durante a operação - detalhe: o Zyklon-B não é adequado para uso em câmara de gás. Os EUA, na época da Segunda Guerra, eram o único país que detinha a tecnologia de execução de prisioneiros em câmara de gás - frise-se, de dois em dois prisioneiros, no máximo... E não há registros de intercâmbio de tecnologia entre americanos e alemães neste sentido - o alto custo de manutenção das câmaras de gás levou os EUA a trocarem as execuções a gás por injeções letais.
O relatório pericial de Fred A. Leuchter Jr. datado de 5 de abril de 1988, com 192 páginas, concluiu determinantemente: não há qualquer prova de que existiram câmaras de gás nos locais dos campos de concentração alegados. Sob juramento, respondeu ao juiz canadense nos dias 20 e 21 de abril de 1988 todas as perguntas do magistrado, bem como dos demais interessados na querela judicial. O historiador britânico, Dr. David Irving, em seu depoimento judicial, em 22 de abril de 1988, disse que o relatório do perito Fred A. Leuchter Jr. mudava a história da Segunda Guerra e das propagadas câmaras de gás.

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

sábado, 10 de março de 2012

Operação verdade - artigo - Diário do Nordeste

No dia 29 de maio de 1988, a Rádio Moscou, informou que as autoridades russas poderiam reconhecer que a N.K.W.D (depois K.G.B) assassinou milhares de oficiais poloneses capturados pelos exército russo durante a Segunda Guerra - até então a versão oficial culpava os alemães por esse evento que ficou mundialmente conhecido como: "O massacre de Katyn". No dia 13 de abril de 1943, a imprensa alemã denunciou que próximo à cidade russa de Smolensk, na região de Katyn, foram encontradas valas comuns com os corpos de milhares de oficiais poloneses executados pelos russos que estavam desaparecidos. Os russos logo culparam a Alemanha pelo massacre dos 11 mil militares poloneses - 7 mil oficiais e 4 mil praças -, mas no local foram encontrados apenas 4.500 vítimas, ou seja, a Rússia não tinha como justificar os demais assassinatos, juntou como se tudo estivesse no massacre de Katyn - se colar, colou.
Em 23 de dezembro de 1989, foi entregue por uma comissão ao Congresso dos Deputados do Povo, em Moscou, na Rússia, uma reinterpretação de um episódio crucial da Segunda Guerra: o pacto Hitler-Stalin. Sabe-se hoje que ambos assinaram um protocolo secreto datado de 23 de agosto de 1939 que foi apresentado em 25 de março de 1946 ao Tribunal de Nuremberg colocando a Rússia em situação delicada, pois como "juiz" togado daquela corte, o documento revelou a participação russa nos planos dos alemães. Na Guerra das Malvinas, em 1982, descobriu-se que documentos oficiais ingleses do ano de 1930, subtraídos e depois encontrados, sugeriam que a Inglaterra não tinha legitimidade para reivindicar a posse das Ilhas Malvinas. Por ocasião da Grande Depressão, em 1929, em que os EUA foram à derrocada com a quebra da Bolsa de Valores, em Wall Street, descobriu-se por acaso nos arquivos do Banco da Inglaterra que o importante depoimento judicial do seu diretor, Montagu Norman, não era igual ao que se tornou público, ou seja, há, no mínimo, duas versões nessa história. A História é elitista e tem sido manipulada e escrita longe dos fatos para beneficiar grupos de pressão, no entanto, alguns fatos históricos foram apagados e/ou esquecidos... Peço ao leitor que faça um minuto de silêncio em homenagem aos 20 milhões de russos assassinados durante o regime stalinista bolchevique.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Colapso econômico - artigo - Diário do Nordeste


A primeira Bolsa de Valores foi fundada em Bruges, na Bélgica, no ano de 1409, seguida das de Antuérpia (1460), Lyon (1462), Amsterdã (1530), Londres (1554), Hamburgo (1558) e Copenhague (1624). É ainda no século XVII que se forjou a palavra "stockjobbers" (especuladores) quando a Bolsa engatinhava para sair da comercialização de produtos para entrar no mercado de títulos e ações. As especulações giravam em torno das informações náuticas sobre o "Grande Mar do Sul" (Oceano Pacífico da América do Sul) em que os especuladores se reuniam diariamente no Café Exchange Alley, o que motivou o surgimento das agências de notícias para facilitar a distribuição das informações, pois as notícias e os boatos alimentavam as Bolsas. No século XVIII, usava-se em Londres a expressão "buyer of bearskins" (comprador de peles de urso), pois as comercializações nas Bolsas aconteciam antes mesmo da matança dos ursos.
A Grande Depressão, em 1929, nos EUA, em que houve a quebra da Bolsa de Valores de Wall Street, em Nova Iorque, e num efeito dominó quebrou milhares de bancos e fecharam outras tantas empresas comerciais, levando ao colapso a economia atingindo reflexivamente outros continentes, teve como elementos decisivos o alto endividamento dos americanos, bem como o consumo exagerado de bens móveis, especialmente veículos e a especulação na Bolsa de Valores - cenário muito parecido com o atual... O governo americano relutava em regulamentar a Bolsa de Valores, conhecida como, "A confusão das confusões", pois havia muitos interesses econômicos da elite por trás da jogatina, mas no dia 24 de outubro de 1929, a bolha especulativa estourou deixando rastro de destruição por todos os lados. O que viria a seguir era algo até então inimaginável, pois a ilusão da especulação acabou não somente com a economia, mas também com o glamour e a dignidade da sociedade que passou a enfrentar dificuldades até para a alimentação e a higiene pessoal. O pagamento das dívidas externas dos países tornou-se escravidão para a civilização, pois essas "dívidas" foram contraídas sem transparência e são impagáveis e será o estopim do próximo colapso econômico mundial que se avizinha. O homem tornou-se escravo do dinheiro e das ilusões mundanas, mas precisa mudar urgentemente de mentalidade.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Perderam a esportiva? - artigo - blog do Eliomar de Lima

   Parece que alguns torcedores perderam a esportiva em relação às partidas de futebol, pois agora é preciso que haja forte esquema policial para garantir a segurança nos clássicos, como se verificou no último domingo (12) no jogo entre os times: Ceará e Fortaleza. Algumas torcidas organizadas parecem querer um “terceiro tempo”, além dos dois regulamentados e continuam o frenético embalo, mesmo após o término das partidas, porém, quase sempre recorrendo à violência verbal e física contra os antigos torcedores adversários — hoje parecem mais inimigos declarados.
O futebol é paixão nacional e deve ser incentivado desde a infância, pois auxilia o sujeito a conviver com a emoção de ganhar e de perder na vida, além de trabalhar positivamente a saúde física. A impressão que se tem, estando de fora, é que ir ao estádio de futebol em dias de clássicos e não ser alcançado pela violência futebolística é quase ganhar na loteria esportiva; fato este que tem afastado outros que outrora frequentavam esses locais de diversão e lazer.
   O futebol é uma manifestação cultural popular secular e os torcedores não podem banalizar a violência desnecessária nos estádios durante esses jogos esportivos, sob pena desses eventos perderem o tradicional glamour. Quando Charles Miller, em 1894, desembarcou na cidade de Santos, em São Paulo, com duas bolas de futebol na bagagem, não tinha a menor noção que inseriria na cultura brasileira um dos mais geniais e populares esportes e que revelaria talentos como o rei Pelé e outros tantos gigantes da bola nem que projetaria gloriosamente o nosso país como um dos maiores celeiros de bons jogadores do planeta.
   Ter esportiva é a característica de quem respeita as regras do esporte e sabe ganhar ou perder com elegância, tem espírito esportivo; e os que descumprirem essa regra de ouro, devem ser identificados e afastados dos jogos nos estádios para que a bola continue rolando.

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista e advogado

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A cultura do Carnaval - artigo - Diário do Nordeste


O Carnaval surgiu na Europa, na Idade Média, mas os gregos tinham uma festa anual análoga, pois durava seis dias regados a muito vinho, danças, procissões e encenações — homens e mulheres se embriagavam e diziam louvar o deus do vinho, Dionísio. Na festa de 404 a.C., milhares de atenienses participaram em blocos carregando pelas ruas réplicas de pênis gigantes e cantarolando músicas de duplo sentido que dava uma conotação sexual ao evento. O Carnaval europeu sempre teve um viés de crítica ao sistema e às autoridades, pois, por ser festa pagã, os foliões se fantasiavam de padres para debochar da Igreja, mas também eram vistos falsos magistrados e políticos na folia.
O Carnaval sempre foi usado também para se extravasar desejos reprimidos, pois, como se diz, o mundo fica de cabeça para baixo e tudo é permitido no período momino, daí muitos usarem máscaras e fantasias do sexo oposto... O Carnaval de Ivrea, na Itália, é o único que manteve um vínculo com a Idade Média, porém, nesta época os combatentes de todas as camadas sociais enfrentavam-se nas ruas com os punhos, ou com pedras, em uma espécie de luta ritual deixando, inclusive, mortos. A tradição das batalhas sobrevive ainda hoje no Carnaval de Ivrea, mas as laranjas tomaram o lugar das pedras, porém, no final da “brincadeira” há sempre feridos sendo levados aos hospitais. Água, farinha e ovos eram jogados nos foliões pelas moças debruçadas nas janelas de suas casas e em alguns lugares havia a festa carnavalesca quase familiar e reservada para evitar os “papudinhos” inconvenientes. Animais indefesos, mesmo sem fantasias, eram capturados nas ruas e levados para a folia e arremessados de um lado para o outro até a morte. Durante toda a Idade Média, a Quaresma era rigorosa, pois, além das penitências impostas pela Igreja, se fazia acompanhar da privação até a Páscoa de carne, álcool, sexo, palavrões, festas, enfim, tudo que se abusou no Carnaval.
O Carnaval no Brasil modificou-se, pois antes era alegre, divertido e pacífico, mas transformou-se num campo de violência sem fim — e também de abuso de álcool e de drogas, o que tem levado muitos foliões a distúrbios psicológicos, sugerindo que é preciso sabedoria e prudência durante a folia para não cair na armadilha anunciada do desequilíbrio mental...

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista