Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

sábado, 11 de junho de 2011

Paz na Palestina - artigo - Diário do Nordeste

Surgem propostas para a criação do Estado Palestino nos moldes do de Israel e com as fronteiras anteriores às da "Guerra dos Seis Dias" de 1967, entre Egito e Israel. O real motivo de Israel nesta guerra era buscar recursos hídricos - água - de que tanto precisam os israelenses, pois seu solo é castigado pela seca e a agricultura é cultivada por gotejamento e, para isso, a água usada é desalinizada do mar da Galiléia. A doutrina do sionismo, fundada por Teodoro Herzl (1860-1904), que esteve apenas uma vez na Palestina, diz, em apertada síntese, que somente num Estado Judaico os judeus estariam seguros, mas essa tese não é unanimidade na comunidade judaica, uma vez que dos estimados 14 milhões de judeus existentes no mundo, apenas 5.640.000 residem em Israel. A fundação do Estado de Israel em 1948, com o apoio da Organização das Nações Unidas - ONU -, criou um conflito permanente no Oriente Médio entre os judeus e os palestinos que poderá prejudicar de forma reflexiva toda a civilização. David Ben Gurion, fundador do Estado de Israel e seu primeiro primeiro-ministro, sabia que não era legítimo expropriar a terra dos palestinos, tanto o é, que deu na época uma declaração espantosa acerca desse tema: "Se eu fosse um líder árabe, nunca assinaria um acordo com Israel. É normal: nós tomamos o país deles. É verdade que era uma promessa de Deus, mas o que eles têm a ver com isso? Nosso Deus não é o deles. Houve o antissemitismo, Hitler, os nazistas, mas no que isso lhes diz respeito? Para eles, existe uma única coisa: nós viemos e roubamos o país deles. Por que eles aceitariam isso?" (citado em Roudinesco, 2010). Sempre que se fala no conflito na Palestina lembra-se da solução encontrada pela União Soviética que se dissolveu sem maiores traumas transformando-se na Rússia. Somos todos irmãos e precisamos da paz e a questão judaica com os Palestinos precisa de uma solução pacífica; e seguindo as palavras do eminente rabino John Rayner de Londres citando a fonte clássica do Avont de rabbi Natan, disse: - "Quem é o maior herói? O que transforma um inimigo em um amigo".



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 5 de junho de 2011

A tradução na religião - artigo - OPOVO

   O leitor já sabe que somente no século XVI apareceram os primeiros dicionários bilíngues – 1580, francês-inglês; 1591, espanhol-inglês; 1596, francês-alemão, 1598, italiano-inglês, etc. –, daí não se saber ao certo como foram traduzidos os textos bíblicos antes deste período para o inglês, por exemplo. Os famosos 72 eruditos se reuniram em Alexandria, no Egito, para traduzir o Antigo Testamento para o grego, dando origem à versão da bíblia conhecida como Septuaginta. Na Europa moderna, até 1699, a Bíblia já havia sido traduzida para 51 línguas e os erros de tradução e adaptação ficaram mais visíveis com o auxílio dos dicionários bilíngues. A maioria dos livros traduzidos em toda a história é de cunho religioso, assim, dos 450 textos traduzidos pelos jesuítas até 1.700 para o chinês, 330 eram religiosos.
   Traduções mudaram boa parte da história da Bíblia, exemplo: Iñigo era um nobre basco e foi ferido com uma bala de canhão, em 1521, na Batalha de Pamplona. Iñigo coordenava a festa de San Fermin que se dá no mês de julho; e gostava mais de corrida de cavalos do que das missas na Igreja Católica. O fato é que Iñigo durante sua convalescência leu dois textos devocionais: a Legenda áurea, de Jacob Voragine, e A vida de Cristo, de Ludolfo da Saxônia. Na montagem da história e nas traduções sobre o soldado Iñigo, benevolentemente ele foi transformado em Santo Inácio de Loyola. Se não fosse essa “mãozinha” dada na interpretação e na tradução de Iñigo, é difícil acreditar que ele seria hoje Santo Inácio de Loyola.
   Os jesuítas, quando foram à China converter os chineses ao Cristianismo, tiveram muita dificuldade na tradução para o mandarim e algumas palavras foram adaptadas à cultura chinesa para que houvesse a compreensão – no Japão, por exemplo, a palavra Deus ficou como intraduzível, pois não havia similar na escrita nipônica.
   As adaptações nas traduções não se restringiram somente as da Bíblia, pois os clássicos também foram alcançados, exemplo: Arte della guerra, de Maquiavel, transferiram na tradução o diálogo que se deu na Itália para a Espanha e converteram os personagens italianos em espanhóis. Galileu também penou com as traduções de seus livros, pois queria universalizá-los traduzindo para diversas línguas, inclusive resistiu, mas autorizou a tradução da obra para o latim sob sua supervisão para evitar “interpretações” diversas. A Bíblia é o livro mais vendido do planeta, mas tem mais ouvintes do que leitores em suas diversas traduções e interpretações.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A inveja na análise - artigo - Diário do Nordeste

No dia 31 de agosto de 1885, Sigmund Freud destruiu seus manuscritos inéditos, pois já estava desconfiando de seus futuros biógrafos. Freud, quando começou a publicar seus trabalhos, despertou inveja dentro e fora da psicanálise, pois tratava dos temas humanos sem medos ou receios de críticas, e revelava as suas descobertas; e isso deu-lhe projeção internacional. Freud recebia visitas de toda parte do planeta em sua casa em Viena, na Áustria, mas alguns visitantes que ele não pôde receber, por questão de tempo, saíram difamando-o. Outros inventaram histórias sem indícios de prova contra Freud; uma das mais recorrentes é a que teria tido um romance com a sua cunhada, Minna; outra, era de que a sua relação com o amigo Wilhelm Fliess teria ultrapassado o campo da amizade. Freud foi um gênio solitário, talvez agisse assim para não ser tragado pela inveja que, sem querer, despertou em muitos dos seus contemporâneos. Freud ficava impressionado em notar como a ferramenta da análise não estava ajudando alguns psicanalistas. Jacques Lacan, outro gigante da psicanálise, que fez fortuna escrevendo sobre o tema, também foi alcançado pela inveja e certa feita se saiu com um pensamento genial, dizendo: "Façam como eu, não me invejem". As críticas à psicanálise não são poucas, mas sempre é possível encontrar nelas as digitais da malfadada inveja, inclusive, lançaram um livro intitulado: "O livro negro da psicanálise" onde se compendiou vários textos que já estavam publicados, fazendo um virulento ataque à psicanálise; outro mais recente, "O crepúsculo de um ídolo", ataca Freud e o freudismo, mas o seu autor recusou um convite ao debate público feito pela eminente professora francesa, Elisabeth Roudinesco que rebate em suas abordagens todas as acusações contra Freud e a sua doutrina. É preciso ficar atento, pois a psicanálise dá uma contribuição fantástica à civilização e não pode o seu conhecimento iniciado por Freud ser desprezado por conta da inveja de alguns. O mestre Freud teorizou sobre a inveja dizendo: "Quando Pedro fala de Paulo, ele fala mais de Pedro do que de Paulo".

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

sábado, 21 de maio de 2011

A política do terror - artigo - Diário do Nordeste

Beira o deboche a malfadada política americana e a sua propagada luta permanente contra o terrorismo. O caso mais gritante foi o do recente suposto assassinato do terrorista Osama bin Laden. Têm-se evidências que Bin Laden já estava morto há tempos e as imagens exaustivamente reproduzidas pelas agências de notícias internacionais eram de um sósia dele. O governo deixa apavorado os americanos com anúncios de iminentes perigos de terrorismo "coincidentemente" quando chegam perto eleições ou quando querem desviar o foco de alguma outra questão, mas não dá qualquer pista dos possíveis locais, horários e dias em que possam acontecer esses atentados. Na verdade, tudo gira em torno do poder e da busca do vil metal e não há ética e/ou escrúpulo para se chegar ao objetivo, pois o capitalismo não respeita o homem, a família e a sociedade - os fins justificam os meios -, já dizia Maquiavel. A rentável indústria para o "combate" ao terrorismo já ganhou trilhões de dólares e as supostas ameaças não cessam, pelo contrário, a cada dia eles apontam um novo foco terrorista. Os EUA precisam ter sempre um "inimigo" perigoso para justificar as guerras e a manutenção do poder . A independência dos EUA se deu em 4 de julho de 1776 e desde que o petróleo foi descoberto, em 1859, a política americana transformou o planeta num campo de guerra para satisfazer o desejo de consumo do chamado ouro negro na América, pois já em 1947, 80% de todos os veículos do mundo rodavam em solo americano e era preciso sustentar a dependência incontrolável por petróleo. O Oriente Médio possui no seu subsolo uma grande riqueza de petróleo, portanto, as guerras por lá não são para "libertar" aqueles povos da opressão de seus impiedosos ditadores, mas sim, para garantir a exploração e a produção de petróleo. Especialistas afirmam que já se consumiu metade das reservas de petróleo existentes desde a sua descoberta e, como o futuro do ouro negro parece sombrio, as guerras serão doravante por água potável e já se pensa qual será a mentira que os EUA usarão para justificar essas próximas guerras.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

terça-feira, 17 de maio de 2011

E o acordo ortográfico? - artigo - Observatório da imprensa

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 17/5/2011


 
   O Brasil foi signatário do acordo para uniformização da escrita da língua portuguesa entre os países que a usam e será obrigatório já em 2013. Na coleção "Viver, aprender – Por uma vida melhor", que o governo federal, por meio do Ministério da Educação, distribuirá para quase meio milhão de alunos do ensino fundamental e médio, a escrita da língua portuguesa está enviesada e permitida. A explicação oficial foi a de que se quer flexibilizar a língua escrita igualando à falada e tentar trocar o conceito de certo e errado para o que é adequado ou não. A língua portuguesa é uma das mais difíceis de escrever e de falar, devido aos regionalismos e à diferença entre a forma como é usada em outros países – tanto o é, que foi necessário o tal acordo ortográfico.
   Cada vez mais, os concursos públicos estão exigindo o uso correto da escrita da língua portuguesa. Frise-se, é um fato relativamente recente, pois somente de uns tempos para cá se inseriu a disciplina da língua portuguesa nas provas de todos os concursos, para evitar as gafes e os "linguicídios" nos documentos oficiais. Os alunos que se orientarem por essas obras que permitem o uso inadequado do português podem ter prejuízo se desejarem seguir algumas profissões como, por exemplo, Jornalismo e Direito, pois são duas áreas em que é condição sine qua non (sem a qual não) saber escrever corretamente o português.
   A quem irão reclamar esses alunos que foram induzidos ao erro com essa tal flexibilização da língua portuguesa? É uma contradição ser signatário de um acordo ortográfico para unificação da escrita e, logo em seguida, proclamar oficialmente que é permitido o uso inadequado da língua portuguesa. O uso inadequado da língua portuguesa produz efeitos jurídicos e uma vírgula a mais ou a menos pode mudar todo o sentido de um texto, causando assim danos à parte destinatária. O Ministério da Educação deveria recolher esse material e revê-lo para a sua aplicação somente da forma adequada – e não dando margem para que os alunos deformem ainda mais a nossa língua portuguesa. Há evidências de que não houve má-fé nesta propositura. Talvez negligência, mas não é sábio insistir nessa tese que flexibiliza a língua, se depois a exigirá na sua forma culta e imaculada. Qualquer aluno eventualmente reprovado nos exames de português que recorrer à Justiça alegando que aprendeu a língua de forma errada, anexando ao processo apenas a coleção do MEC "Viver, aprender – Por uma vida melhor", terá ganho de causa. Será que o Ministério da Educação esqueceu que o governo federal assinou o acordo ortográfico que uniformizará a escrita da língua portuguesa ou o acordo não mais valerá?

sábado, 14 de maio de 2011

O ódio de si no racismo - artigo - Diário do Nordeste

Volta e meia, o racismo toma conta do noticiário revelando novas vítimas e formas de demonstração do lamentável preconceito. Historicamente, sabe-se que a escravidão gerou o preconceito racial ainda na Antiguidade, pois entendia-se que era necessário manter a distância entre patrão e empregado, ou entre ricos e pobres, como é hoje. O preconceito na cultura racial desmembrou-se em diversas modalidades, pois não estacionou somente na cor da pele, mas sempre houve o equívoco de que a raça de cor negra deveria ser eliminada para "salvar" a branca e assim a civilização. Tentaram de tudo para o controle racial e a produção de uma nova raça: esterilização, eutanásia, eugenia, racismo científico e o darwinismo social, mas não conseguiram e nem conseguirão. O nazismo de Hitler ousou mais do que qualquer outro movimento higienista racial, pois queria criar a raça ariana e exterminar os judeus, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, matando milhões de vítimas nos campos de concentração e de extermínio, mas também não conseguiu seu "objetivo". Alguns grupos de "skinheads" (cabeças raspadas) ou neonazistas, como também são conhecidos, agem como se fossem os donos do mundo, pois atacam preconceituosamente suas vítimas por conta do seu "ódio de si" que, na psicanálise, é comparável ao "ódio do judeu de si". Impressiona o desejo e o prazer deles ao agredirem violentamente as suas vítimas - algumas vezes matando-as -, sugerindo que querem anular algo a sua frente que não podem ser ou ter. Assim como há preconceito racial entre os negros, gays, lésbicas, etc, a homofobia seria um desejo homossexual reprimido. Os nordestinos quase sempre sofrem preconceito nas grandes metrópoles, pois são humildes e também são atacados por esses grupos extremistas "skinheads" que usam a violência para esconder o "ódio de si". Quem rejeita algo ou alguém é porque um dia foi rejeitado, daí o ciclo do preconceito que muitas vezes nasceu inocentemente no seio do lar num destrato a um colaborador doméstico e foi se repassando por gerações desde a escravidão...



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

terça-feira, 10 de maio de 2011

O espírito de uma época - artigo - Observatório da imprensa

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 10/5/2011

 

   A notícia do suposto assassinato do terrorista Osama bin Laden pelos EUA gerou mais dúvidas do que certeza do fato, pois as inúmeras versões apresentadas por "fontes" do serviços de segurança americano divergiram em quase tudo. Sem apresentar as fotos e/ou filmagens em que fosse possível reconhecer o corpo de Bin Laden, até para efeitos jurídicos patrimoniais da família dele, bem como por questão de sua religião – a islâmica –, fica difícil acreditar na versão oficial americana de que realmente houve a captura e o assassinato do maior terrorista do planeta. Há evidências de que Osama bin Laden era apenas um "mito do terror" para os EUA, pois sua imagem era sempre usada para justificar ações antiterroristas e violações de garantias constitucionais e leis internacionais.
   Curiosamente, os EUA sempre têm que ter um inimigo e a bolsa de apostas já está aberta para se adivinhar quem será o próximo escolhido para tal missão. Em 2007, um grupo de intelectuais independentes produziu um documentário com o título Zeitgeist, que é um termo forjado por Hegel e que denomina na língua alemã o "espírito de uma época". Longe de ser uma superprodução cinematográfica, os autores conseguiram provar de forma irrecusável e cabal que os ataques às torres gêmeas nos EUA em setembro de 2001 foram pura armação e que, comparando imagens televisivas, consegue-se ver que Osama bin Laden não era o mostrado, sugerindo que ele morreu já faz algum tempo — há cópia desse documentário legendada em português no Google vídeo.
   Também há ainda hoje uma "Comissão independente de investigação dos atentados do 11/9" nos EUA, composta por 400 membros, entre arquitetos e engenheiros, tentando entender aquele evento e há evidências de que foi mesmo uma conspiração para justificar as guerras no Afeganistão e a do Iraque.
   Na cobertura da suposta segunda morte do Osama bin Laden no Paquistão, na semana passada, a imprensa norte-americana embarcou suspeitosamente e quase sem questionamento na tese do governo americano de que o corpo de Bin Laden foi mesmo "enterrado no mar", que as fotos dele morto poderiam chocar a opinião pública etc. Resumindo: foi um deboche à inteligência humana. A glorificação e o destaque que a mídia internacional dá ao terrorismo não são proporcionais ao perigo que o terror representa, pois a probabilidade de alguém morrer num atentado terrorista é infinitamente menor do que num acidente de trânsito, por exemplo. O insistente anúncio pela mídia de iminente risco de terrorismo, sem sequer dizer possíveis dias, horas e locais, também pode ser considerado ato terrorista.