Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

terça-feira, 12 de abril de 2011

Análise de uma tragédia - artigo - Observatório da imprensa

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 12/4/2011


   A tragédia da escola em Realengo, no último dia 7/4, deixou todos atônitos e em busca de explicações lógicas que pudessem elucidar o comportamento do jovem Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, que assassinou numa emboscada 11 adolescentes – 10 meninas e 1 menino. Rapidamente surgiram pela mídia as possíveis hipóteses: a mãe era esquizofrênica; o assassino era adotivo, teria sofrido bullying na escola e era zombado por ser capenga, era misógino etc.
   Não é sábio embarcar em nenhuma dessas hipóteses como fator determinante ao desencadeamento da terrível tragédia, pois há algo além de tudo isto. Nos EUA, vez por outra somos surpreendidos com casos análogos ao acontecido agora aqui no Brasil e sempre, após o ocorrido, levanta-se o debate em busca de um fato para ser o “culpado” – quase sempre é a venda legalizada de armas.
   No universo não existe efeito sem causa e os antigos contavam com essa hipótese, pois sabiam – diferente de “acreditavam” – da reencarnação como fator determinante para os acontecimentos de nossas vidas. No Oriente, absorve-se com maior facilidade a teoria reencarnacionista, mas no Ocidente vê-se ainda resistência em reconhecer o óbvio – nada acontece por acaso. Sempre houve tabu para se tratar da reencarnação e da imutável lei de causa e efeito devido ao desejo incontrolável das religiões de dominar o homem e assim impedir que este soubesse da verdade. O Antigo Testamento proíbe a comunicação com os espíritos, mas se proíbe é porque eles existem, daí o obstáculo milenar ao estudo desse fenômeno que pode fornecer elementos para a elucidação de tragédias como a da escola de Realengo. O planeta Terra passa neste momento por transformações profundas e, inevitavelmente, outros eventos de tamanha comoção acontecerão, pois fazem parte do processo de renovação da civilização.
   O tema em epígrafe não é estranho à psicanálise, como pode imaginar algum leitor açodado, pois Sigmund Freud participou como médium de sessões do famoso fenômeno europeu das “mesas girantes”, onde supostamente espíritos respondiam a perguntas formuladas pelos participantes, pois Freud sabia que muitas explicações não seriam encontradas apenas no divã na análise. Freud recuou do estudo dos fenômenos espirituais pois temia resistência da psicanálise na ortodoxa comunidade científica. E, numa carta datada de 24 de julho de 1921, em resposta ao psiquiatra norte-americano Hereward Carrigton, que lhe pedia sua opinião sobre espiritualidade, diz: “(...) Se eu me encontrasse no início de minha carreira científica, e não em seu fim, talvez escolhesse esse campo de pesquisa e desafiaria todas as dificuldades...”

domingo, 10 de abril de 2011

A Idade das Trevas - artigo - Diário do Nordeste

A Idade das Trevas

 

O período denominado Idade das Trevas, em que a civilização quase não tinha acesso aos livros, pois além de caros eram raros, atrasou o processo evolutivo do homem. Atribui-se a Gutenberg e a sua invenção da prensa - mas, os chineses já haviam descoberto mil anos antes - o início do fim da Idade das Trevas, pois com produção em escala industrial de livros e panfletos aumentou a oferta de oportunidades para a leitura e o conhecimento. O grande desafio depois disto era criar a cultura da leitura nos europeus, pois não havia o hábito de ler e quase sempre os poucos leitores apenas ouviam os livros em rodas de leitura. Os que se sobressaíam na sociedade eram justamente os que tinham acesso aos livros, daí as disputas nos portos por livros raros quando chegavam de navios de outros países. Mesmo diante desse avanço na produção de livros, o crescimento intelectual ainda era tímido e o número de leitores crescia a passos de tartaruga. Na Inquisição, no Concílio de Trento, a Igreja Católica lançou um Índice dos Livros Proibidos, frustrando assim o deslindar da expansão do livro e da leitura na sociedade europeia. Uma sociedade sem livros e leitores não é nada e deve-se encorajar as crianças e os jovens a adquirir o hábito da boa leitura, pois é fundamental para o homem e a sociedade - toda iniciativa de divulgar livros e conhecimento deve ser louvada e enaltecida. No Iluminismo, o conhecimento ficou restrito a um grupo de intelectuais que usaram-no para divulgar suas ideias e proporcionar a Revolução Francesa. Gigantes da literatura revelaram-se nesse período e suas obras tornaram-se leitura obrigatória para as gerações vindouras. Há problemas ainda nas traduções de alguns livros, mas isso não anula a sua importância e o preço dos livros está cada vez mais acessível tornando assim a leitura muito mais interessante. Parece-me que vivemos um segundo Renascimento, pois se espalham salutarmente novas livrarias, espaços culturais, gosto pela arte - música, pintura, esculturas, etc. - aumentou-se o interesse por viagens culturais e por leituras sobre a cultura da civilização.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

sábado, 9 de abril de 2011

A religião no divã - artigo - Espiritualidade - OPOVO

A religião no divã



   Sigmund Freud construiu os alicerces da psicanálise no declínio do patriarcado e na descrença na religião, pois Deus – o Pai – havia perdido espaço na moderna sociedade materialista e individualista europeia. Milhões de pessoas no planeta diziam ter se “libertado” das religiões e seguiram caminhos de peregrinações em busca da verdade. Muitas foram até a Índia, acreditando ser aquela seara o local mais sagrado do mundo, mas acabaram se vinculando a gurus e aos babas – em sânscrito quer dizer “pai” –, ou seja, mudaram apenas de rótulo e continuaram no contexto das religiões. Outros tantos ousaram e falavam apenas em espiritualidade ou espiritualismo, inclusive alguns fundaram templos utilizando métodos análogos aos das religiões. Poucos outros criaram técnicas de autoconhecimento e rotularam como espiritualizadas, mas não se esqueceram de colocar nas suas logomarcas o símbolo maior do materialismo (® marca registrada).
   Ainda na Índia, Satya Sai Baba, que se autorrotula de Deus, diz não ser e nem querer ser de alguma religião, mas age com o mesmo sistema alienatário utilizado pelas religiões convencionais. Sai Baba construiu um império econômico e fanatizou milhões desses que diziam ter “escapado” das religiões, mas continuaram no mesmo sistema de crenças, porém, proclamando terem encontrado a verdade.
   Que nenhum membro da Igreja Católica se sinta ofendido, mas a história dos papas e do Vaticano é assustadora e remete-nos a uma questão crucial: querem os papas a salvação ou a dominação do homem? Traições, assassinatos, prostituições, vícios, corrupção, fraude, conspirações, etc., fazem parte do enredo da vida pregressa de muitos papas que envergonham essa instituição milenar...
   A indústria do turismo religioso é algo impressionante, pois rende milhões de dólares por ano alimentando a alienação e o fanatismo nas pessoas; e em muitos países, a religião tem mais poder e autoridade do que o governante. Assistimos atônitos na contemporaneidade a proliferação desordenada de criação de igrejas, seitas e templos; não com o desejo de salvar os seus seguidores, mas com interesses obscuros e visando quase sempre auferir ganhos financeiros com suas pregações e “curas” milagrosas que não existem.
   Quando o homem entender o verdadeiro sentido da vida e praticar o que os antigos já ensinavam – “fora da caridade não há salvação” e “faze aos outros aquilo que queres que te façam” – não mais se justificará a existência das quase sempre mercenárias e alienantes religiões.


Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vamos fazer uma evolução? - artigo - Observatório da imprensa

EXPLOSÃO ÁRABE

Vamos fazer uma evolução?



Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 5/4/2011

 

   A repentina "revolta" – ou revolução – nos países árabes está devendo uma explicação lógica à opinião pública internacional, pois há evidências de ser uma ação orquestrada nos moldes de outras agitações populares. Várias centenas de milhares de homens – não se têm notícias de mulheres nesses eventos – nas ruas, "indignados" e querendo a todo custo a derrubada de regime de governos totalitários, mas quem está bancando as despesas – da luta armada e a comida em seus lares – para esses neófitos revolucionários? Afinal, ainda vivemos num mundo capitalista e, como diz o provérbio, "saco vazio não se sustenta em pé". A teoria marxista da luta pela igualdade e contra a permanente opressão não encontra égide e fulcro na psicanálise, pois não há no sujeito esse desejo de idealismo que se mantenha por tanto tempo em luta sem fins lucrativos e por uma causa estranha à sua cultura. Karl Marx disse que o homem é movido pelas massas, mas Sigmund Freud retificou-o, dizendo que o sujeito é movimentado pelo inconsciente e que não é senhor na sua morada, sugerindo que faz coisas sem saber conscientemente a razão.
   A probabilidade dessa movimentação repentina no mundo árabe em busca de democracia e de liberdade ser um evento consciente e espontâneo aproxima-se de zero, pois há evidências de que é uma ação planejada e é tentador imaginar que uma sociedade secreta esteja atuando nos bastidores, assim como foi em outras "revoltas" e "revoluções" históricas – Revolução Francesa, independência dos EUA e do Brasil, Inconfidência Mineira etc.
   O discurso da democracia e da liberdade é sedutor e não encontra resistência na opinião pública, mas é preciso recorrer à História para entender os fatos. Os chefes do partido democrático de Atenas, na antiga Grécia, na época da guerra do Peloponeso – em referência ao herói mitológico Pélope, que teria conquistado aquela península –, eram conhecidos por "demagogos". Curiosamente, a palavra demagogia foi inserida na literatura política como sendo pejorativa e sinônimo de político inescrupuloso, hábil e mentiroso e a política tornou-se assim jocosa. Jean-Jacques Rousseau desconfiava que não houve democracia na Grécia antiga e não acreditava que um dia ela viesse a ser efetivada plenamente, devido à sua complexidade.
   A evolução do pensamento humano passa por novas perspectivas de olhar para os fatos de forma diferente daquela como eles são apresentados – sempre frios e maquiados. Não acreditem nas agências de notícias internacionais que repassam para a mídia somente o que bem entendem sobre essa "revolta" nos países árabes...

domingo, 3 de abril de 2011

Ensaio da língua - artigo - Diário do Nordeste

Ensaio da língua


Discute-se ainda hoje quem veio primeiro: o ovo ou a galinha. Na questão da linguagem há uma dúvida intrigante, pois não se pode afirmar se a língua deu origem ao dialeto ou se o processo foi o contrário. Alguns povos ainda falam línguas herméticas que não se enquadram nem em língua ou dialetos, talvez mais apropriado fosse denominá-las apenas de patoás - falas quase que incompreensíveis. Os cientistas acreditam que a fala se desenvolveu de uma necessidade de comunicação entre os homens, pois os sinais por si só já não deveriam bastar e com a evolução da espécie o mecanismo da voz surgiu no corpo do homem. Antropólogos sugerem que a tagarelice das mulheres se desenvolveu ainda na Pré-História, pois o homem saía diuturnamente para caçar o alimento, enquanto a mulher ficava na caverna ensinando os filhos a falar. A língua - ou dialeto ou patoá - faz parte da cultura dos povos e mesmo sendo considerada muitas vezes "morta" ainda é usada, sugerindo que inconscientemente os usuários temem por perderem a sua identidade e a tradição, exemplo: ainda há segmentos da Igreja Católica que insistem na fala nas missas em latim; os hindus falam o sânscrito; os budistas o páli; os judeus o hebraico e no Tibete acontece um fenômeno interessante de ser estudado, pois a fala tibetana transita entre o dialeto e o patoá, tanto é verdade que, os chineses que falam o difícil mandarim, quase nunca entendem o que seus conterrâneos tibetanos dizem. Há linha entre os sociolinguistas que defendem que algumas línguas são preservadas para ficar o conhecimento restrito a um povo e/ou grupo, outros tantos, acreditam que a tradição oral e não escrita, como era a dos maias, periga desaparecer repentinamente. O latim foi a língua oficial da Igreja Católica Romana por quase toda a sua história, pois era uma língua global para uma instituição internacional. Ludovic Zamenhof publicou o primeiro livro em esperanto, em 1887, "Internacia Linguo", numa tentativa interessante de universalizar a língua - o esperanto é uma forma simplificada do latim devido ao fato de ter sido projetado na Europa Oriental.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

sábado, 26 de março de 2011

Revolução Bolivariana - artigo - Diário do Nordeste

Revolução Bolivariana

 
Simón Bolívar (1783-1830), militar e maçom, é tido como “O Libertador” de vários países da América do Sul, especialmente a Venezuela, onde foi presidente. Homem de letras e de visão, emigrou para a Europa onde fez amizades no meio cultural e ingressou na franco-maçonaria parisiense e recebeu a missão maçônica de agregar a América do Sul num possível governo sul-americano. A influência de Bolívar ainda hoje na Venezuela é algo surpreendente, pois o atual presidente venezuelano, Hugo Chavéz, também maçom, reza na mesma cartilha do seu ídolo Bolívar. A contradição da Revolução Bolivariana se dá na questão da liberdade de expressão, pois na Venezuela, hoje, quase toda a mídia encontra-se tolhida do seu direito de divulgar a verdade dos fatos e Chavéz persegue os poucos veículos de comunicação que teimam em ser independentes. Na Revolução Francesa, liderada também por francos-maçons, o objetivo maior era justamente restabelecer a liberdade de expressão castrada por dezessete séculos pelos monarcas — somente no último semestre de 1789, 250 jornais impressos foram fundados na França. Na luta pela Independência dos EUA, os maçons usaram a tese da garantia das liberdades individuais e coletivas para seduzir os americanos e assim legitimar e fundar o Estado americano. O modo de operar as Revoluções Maçônicas é muito parecido, pois os líderes são trabalhados em sua imagem pública tornando-a íntegra e intelectual, assim como foi a de Robespierre e Napoleão na Revolução Francesa, Karl Marx na Revolução Proletária, Tiradentes na Inconfidência Mineira e Bolívar na Revolução Bolivariana. É quase um endeusamento que Chavéz e a população fazem de Bolívar, mas a verdadeira história venezuelana os venezuelanos não sabem. Praticamente todas as revoluções e “revoltas” depois do século XVIII, a Maçonaria esteve nos bastidores, curiosamente usando o sedutor discurso Francês americanizado da democracia – Liberdade, Igualdade e Fraternidade. É tentador imaginar que a Maçonaria está por trás dessa “revolta” repentina no mundo árabe que culturalmente tem raízes profundas com o totalitarismo.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

terça-feira, 22 de março de 2011

Por que a guerra? - artigo - Observatório da imprensa

"PROFECIAS" & GEOPOLÍTICA


Por que a guerra?


Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 22/3/2011


   O Armagedom parece que está se armando, pois, usando a linguagem bíblica, a luta entre o bem e o mal é inevitável, faz parte das "profecias" e, portanto, tem que ser cumprida. A Terceira Guerra mundial avizinha-se e não será qualquer novidade se seu estopim for no Oriente Médio, como sugerem as últimas movimentações militares. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas – ONU – autorizou ação militar na Líbia para "proteger" os civis das ações desastradas do seu ditador Muamar Kadafi. O curioso é que dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e também maiores fabricantes de armas do planeta, três – França, Reino Unido e EUA – já proclamaram que estão prontos para intervir na Líbia, juntamente com alguns países árabes, apenas um dia depois da resolução militar.
   Merece um estudo todos esses últimos sombrios eventos de "revoltas" nos países de cultura árabe, pois tradicionalmente essas plagas são governadas por ditadores totalitários e, de uma hora para outra, o povo descobre que precisa de liberdade para poder sobreviver. No caso do Iraque e das possíveis armas de destruição em massa que os EUA e a Inglaterra afirmavam peremptoriamente existir e que nunca foram encontradas, a verdade é que a notícia foi "plantada" e numa transmissão feita pela BBC de Londres, em 29 de maio de 2003, o jornalista Andrew Gilligan denunciou que o tal relatório do serviço de inteligência que afirmava a existência do iminente perigo iraquiano era falso. Soube-se, depois, que a fonte da notícia era o dr. David Kelly, um inspetor de armamento sem vínculo direto com o sistema de informação reservado governamental, que após a bombástica revelação apareceu suicidado em circunstâncias obscuras.
   Albert Einstein, fundador do estudo da energia nuclear, escreveu a Sigmund Freud, em 30 de julho de 1932, perguntando-lhe: "(...) Por que a guerra? Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra?" Freud respondeu-lhe: "(...) E quanto tempo teremos de esperar até que o restante da humanidade também se torne pacifista? Não há como dizê-lo. Mas pode não ser utópico esperar que esses dois fatores, a atitude cultural e o justificado medo das consequências de uma guerra futura, venham a resultar, dentro de um tempo previsível, e que se ponha um término à ameaça de guerra. Por quais caminhos ou por que atalhos isto se realizará, não podemos adivinhar. Mas uma coisa podemos dizer: tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra..."