Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Verberação intelectual - Artigo - Observatório da imprensa


Verberação intelectual

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 15/9/2009
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É desproporcional a reação intelectual à movimentação na América do Sul dos governantes que zombam da liberdade de imprensa e de expressão, pois se tolhidas essas garantias constitucionais a população desses países corre sério risco de ser castrada e ter que ficar calada assistindo às "ordens" dos ditadores ditos democráticos. Na quinta-feira [10/9], 200 fiscais da Receita Federal argentina fizeram operação num dos maiores grupos de comunicação da América Latina, o Clarín. O governo argentino tem a legitimidade e até a obrigação de fiscalizar as empresas, mas a quantidade de fiscais utilizada na operação não deixa dúvida de que foi um atentado à liberdade de imprensa.
O fato ocorre em meio à tentativa da presidenta Cristina Kirchner de modificar a lei que disciplina a matéria das comunicações naquela plaga, mas depois do comportamento dispensado à imprensa pelo ditador esquerdista Hugo Chávez, na Venezuela, é bom abrir os olhos e desconfiar de tudo que se mexe dentro dos palácios governamentais sul-americanos. Na sexta-feira imediata foi à vez do socialista Rafael Correa, presidente do Equador, anunciar que proporia lei nos moldes argentinos para controlar a mídia, como se esta fosse uma conspiração equatoriana.
Quem ainda fala do golpe em Honduras? Certo ou errado, o exemplo citado serve apenas para alertar a intelectualidade da gravidade dessa movimentação ao arrepio da lei e que pode trazer prejuízos para o Estado democrático de Direito. A população de Honduras foi vencida pelo cansaço e, dias depois do presidente ser deposto, voltou para sua rotina diária e pouco ou nada se fala sobre esse precedente aberto.
A importância da intelectualidade é grande neste momento crítico da humanidade com o iminente risco de limitar ou proibir a liberdade de expressão e os intelectuais devem defender a razão, a justiça e a verdade, pois são estes seus valores inarredáveis e é o papel do intelectual apontar as contradições sociais. O intelectual deve orientar a opinião pública e, como disse D´Alembert no seu livro Diálogo dos morcegos, citando Descartes, "a opinião governa o mundo". Esses governos híbridos sul-americanos alimentam as suspeitas de que não há boa-fé e transparência em seus atos ditatoriais, digo, governamentais.
O intelectual nato não deve ter medo de intimidações e ameaças de processos do poder constituído, pois a causa da defesa da liberdade de expressão e de imprensa é nobre e diz respeito a todos nós. Devem se enaltecer os intelectuais que não desistiram de auxiliar a construir um mundo melhor: sem totalitarismos, desigualdades, injustiças e guerras.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jornalismo, ética e análise de conteúdo - Observatório da imprensa

Jornalismo, ética e análise de conteúdo

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 8/9/2009
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O método da "análise de conteúdo" foi utilizado no século 19 nas universidades de jornalismo dos Estados Unidos, mas foi na Alemanha o seu auge. Para obter informações confiáveis durante o holocausto, usou-se a "análise de conteúdo" que se resume, em apertada síntese, ao seguinte: escolhe-se um texto e conta-se a freqüência de um ou mais dados ou temas e analisa-se a associação entre estes e as suas variâncias, daí extraindo – ou tentando extrair – a noticia com alguma fidedignidade. Em período de guerras, a ética na informação é a primeira baixa e não somente se sente falta das leis – que são suspensas ou revogadas, pois os inimigos usam a manipulação da informação para atacar em pontos estratégicos seu adversário.
Os meios de comunicação têm seus interesses comerciais e políticos e não é somente aqui no Brasil que é assim, pois vários políticos chegaram à presidência de outros países ou a outros cargos por meio da propaganda de seus meios de comunicação e não é à toa que as concessões públicas de televisões e rádios geram tantas disputas políticas no Congresso Nacional. As rádios parecem ser uma das mais importantes ferramentas dos políticos interioranos, pois além do alcance delimitado e devido ao baixo índice de cultura da população, distorcem as notícias ao bel-prazer do político e agora com a sinalização da liberação de meios eletrônicos para campanhas eleitorais, o eleitor deve ficar de olhos bem abertos com as promessas e a vida pregressa de seus candidatos e fazer a análise não somente das noticias, mas também do conteúdo dos candidatos.
O intelectual italiano Antonio Gramsci dizia que a classe dominante detinha o poder da informação e as suas idéias eram aceitas pelas classes subalternas não somente pela imposição ou força, mas também por não haver alternativa, ou seja, quem pode o mais engole o menos.
A crítica que se faz ao respeitado público – telespectadores, ouvintes e leitores dos produtos dos meios de comunicação – é a não cobrança de providências por meio de carta, e-mail, telefone e pessoalmente ao responsável pelo veículo de comunicação, pois os consumidores ficam indigestos quando se trata de notícia mal-dita, e além do mais a manipulação, em tese, somente acontece quando o sujeito está aberto a tal objetivo, pois o direito à informação é subjetivo, ou seja, ninguém é obrigado a assistir, ouvir ou ler qualquer coisa.
O meu método não chega a ser uma "análise de conteúdo" e é bem singelo, ou seja, deixo de ler as colunas e os jornais que manipulam as informações consciente e reiteradamente, já que se aplicasse à regra do inconsciente, pouco leria doravante.

domingo, 6 de setembro de 2009

D. Luizinácio: 'Independência, o mote'!


.Thiago Recchia

Via Gazeta do Povo

Igreja hegeliana - Artigo - Diário do Nordeste


Debates e idéias

Igreja hegeliana

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
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Hegel foi um dos filósofos que mais influenciaram o universo intelectual e como numa igreja onde se necessita de seguidores para se manter acesa alguma doutrina, o hegelianismo fez escola na Alemanha e serviu de fulcro para a doutrina marxista que sucumbiu depois das atrocidades de alguns radicais.Assim como a Igreja Católica à doutrina de Hegel é totalitária e a sua dialética permite a contradição, e somente seria possível o Estado hegeliano se todos os partícipes pensassem de uma forma uniforme. Só que neste caso, o sujeito acabaria sendo anulado, pois o Estado é que era tudo.A Igreja Católica usou o terror do fogo imaginário do inferno e depois deste apagado a fogueira da "santa inquisição" para quem não pensasse como desejavam os clérigos.Hegel escreveu com ironia ímpar: "somente um homem me entende e mesmo este não o consegue"; a obscuridade e a dificuldade de leitura de sua obra tornou-o além de fascinante também incompreensível e na doutrina de Hegel Deus é o próprio Estado.Hobbes, no seu livro, "Leviatã", disserta sobre o Estado e diz que os homens são inimigos por natureza e tendem a guerrear entre si e necessitam de um "Leviatã" - em referência ao monstro do caos da mitologia fenícia citado na Bíblia - que neste caso seria o soberano que representava o Estado originado do Contrato Social, onde todos renunciariam aos seus direitos, menos o direito à vida, em prol da paz que para Hobbes seria a primeira lei natural.Há desejo de uniformizar o pensamento humano em Hegel e Marx não conseguiu disfarçar que segue essa linha e diziam eles que a alienação se dá pelo trabalho, pois este escraviza o homem que passa a priorizar o "ter" e não mais o "ser" e em Marx isto é negativo, mas em Hegel é algo positivo - vai tentar entender - e Marx dizia que somente pelo comunismo o homem deixaria de ser alienado - ambos erraram, pois a alienação se dá no pensamento e não pelo desejo.Na Igreja eclesiástica sagrada e na profana de Hegel vê-se que Deus mudou somente de morada, pois naquela estaria no céu e nesta na Terra, mas ambas igrejas desejam inutilmente uniformizar e manipular o pensamento humano.
*Psicanalista

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Santa lei equivocada - Artigo - Observatório da imprensa

ESTADO & RELIGIÃO

Santa lei equivocada

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 1/9/2009

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adora nos proporcionar perplexidade, pois sem debater com a sociedade fez acordo com o Vaticano para implantar o ensino religioso nas escolas públicas, bem como concedendo isenção fiscal e imunidade perante as leis trabalhistas indiscriminadamente às religiões para não pagarem qualquer tipo de contribuição fiscal e trabalhista. A Câmara dos Deputados já aprovou e ampliou para outros credos sem resistência corroborando o tal acordo e o mesmo segue para o Senado Federal para a aprovação.
O curioso é que o mundo todo vê, estarrecido, a manipulação das religiões onde em muitos países o líder religioso é também o governante e as barbaridades que algumas delas andam fazendo em desfavor da paz mundial e a doutrina do partido do governo se diz de esquerda e segue a cartilha totalitária marxista, frise-se, esta tem ojeriza à religião e já até disse que esta é o ópio do homem e Marx seguia a doutrina de Hegel que dizia que Deus era na verdade o Estado. Uniformizar a religião de um povo cheio de diversidade de crenças de toda sorte fere a liberdade prescrita na Constituição Federal que assegura o respeito ao culto e proíbe a discriminação religiosa, ou seja, o Estado brasileiro é laico e fará com isto desvio de finalidade, pois não há respaldo legal constitucional para tal façanha. Os alunos que resistirem a assistir essas catequeses anacrônicas serão discriminados o que a lex fundamentalis também veda.
Na nota introdutória do Código Canônico de 25 de janeiro de 1983, o santo papa João Paulo II, diz: "(...) A fim de que todos possam mais seguramente informar-se sobre essas prescrições e conhecê-las suficientemente bem, antes de serem levadas a efeito, dispomos e determinamos que tenham força obrigatória a partir do primeiro dia do Advento de 1983, não obstante quaisquer disposições, constituições, privilégios, mesmo que dignos de especial ou singular menção, e costumes contrários (...)."
Extrai-se do parágrafo acima que as santas leis da Igreja Católica devem se sobrepor a qualquer constituição de qualquer país, mas as Constituições dos países são soberanas e não podem sofrer interferência de qualquer religião, por mais respeitada que seja, como é o caso da Católica.
Lula mais uma vez mudou o discurso, pois por ocasião da visita do santo papa Bento 16 ao Brasil ele foi taxativo ao negar o pedido do clérigo para transformar o país em Estado católico. O governo tupiniquim lulista vai na contramão da história, pois a civilização precisa de escola que ensine a pensar, e não para o sujeito se alienar "voluntariamente".