Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

sábado, 16 de maio de 2009

Pensamento humano - Artigo - Diário do Nordeste


LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Pensamento humano

A matriz do pensamento humano é platônica, pois apesar do posterior pensamento aristotélico ter se universalizado, pois tinha solução para tudo, entrou em declínio por conta do de Bacon e Galileu. Descartes inovou e ousou investigar a subjetividade como tal – Penso, logo existo. Teóricos racionalistas e empiristas trilham por caminhos diferentes, mas todos, além destes, buscam o mesmo objetivo, ou seja, chegar à verdade e a universalidade do conhecimento. Hegel é autor dos mais difíceis de compreensão, inclusive, tempos passados, intelectuais franceses ironizavam dizendo que iriam estudar Hegel na língua alemã, pois em francês era impossível compreendê-lo. A contradição é permitida na dialética hegeliana - Hegel chamava de lógica - e que esta busca a verdade e é, segundo Hegel, o estudo do pensamento. A primeira vez que o Estruturalismo é usado fora da linguagem, foi com Lévi-Strauss, que concluiu que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos. O Estruturalismo é uma forma de análise e vários intelectuais surfaram ressuscitando idéias já existentes e colocando-as dentro de estruturas. Foi assim com Jacques Lacan que estruturou como uma linguagem o inconsciente e Lacan foi por demais otimista ao dizer que se levaria dali apenas 10 anos para que entendessem a sua obra, apesar de dizer que apenas releu Freud. Louis Althusser ganhou lugar de destaque na Sociologia ao fazer releitura da obra de Marx e estruturando-a, mas quem leu Marx viu que quem menos era marxista era o próprio Marx. A questão da tradução tem sido crucial para o pensamento, pois há textos dúbios e outros tantos incompletos por conta, ambos, de equívocos de tradutores. A hermenêutica faz-se necessária para leitura de vários autores, mas alguns textos são abordados e compreendidos ao bel-prazer do hermeneuta, sem falar que biografias foram manipuladas. A façanha para o deslindar do pensamento humano para a forma acessível e compreensível, dever-se-á a nova leitura de tudo que já foi escrito e dito até aqui, afinal, inteligência não pode ser usada como enfeite.
* Psicanalista

sábado, 2 de maio de 2009

Anestesia intelectual - Artigo - Diário do Nordeste


LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Anestesia intelectual

O caso Dreyfus é emblemático para a intelectualidade, pois o gigante da literatura francesa Émile Zola defendeu em carta-aberta, “Eu acuso”, o capitão Alfred Dreyfus, acusado injustamente pelo governo francês de alta traição. Zola recebeu apoio dos intelectuais, mas teve que fugir, porém o capitão Dreyfus foi absolvido e o governo pediu-lhe desculpa pela injustiça cometida. O homem somente é livre quando é independente, e o intelectual tem que pugnar por valores universais e não se aquietar com teses circunstanciais diminutas e que visam mais confundir do que esclarecer, pois o obscurantismo é incompatível com o intelectual, pois é justamente o contrário o seu papel na sociedade. A verdade dói para o leigo e incomoda os interesses dos poderosos – leia-se: elites - e dos grupos de pressão, mas não se pode ter medo de desagradar quem não quer saber da verdade e nem tampouco os governos, estes sim, odeiam a verdade. Os intelectuais, que escreviam com denodo nos matutinos criticando os desacertos dos governos anteriores, silenciaram, como numa conspiração silenciosa, e como se não mais houvesse os mesmos equívocos de outrora. A intelectualidade não pode se afastar nunca da razão, da justiça e da verdade, pois são valores universais e inarredáveis para o intelectual. Os eminentes professores universitários deveriam se insurgir contra o totalitarismo que se avizinha para que nunca mais a humanidade seja governada por pessoas descompromissadas com a ética e o coletivo.Acreditar em luta política partidária é desconhecer por completo a natureza humana, pois tradicionalmente os participantes desses movimentos mudam o discurso depois de eleitos. Não há compromisso com o coletivo, pois o único objetivo é vencer a eleição e, após consumado o fato, tratam os eleitores como num teatro de mambembe, onde o personagem imitando o bêbado fica falando nada com coisa nenhuma e a platéia fica rindo como se estivesse entendendo tudo. Os intelectuais parecem anestesiados e o seu silêncio acaba por deslegitimá-los junto à sociedade civil, pois o papel do intelectual é apontar as contradições.
*Psicanalista

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Colóquio analítico - Artigo - Diário do Nordeste


Idéias

Colóquio analítico

É numa carta datada de 30 de maio de 1893 para Wilhelm Fliess, em que disserta sobre as seduções de adultos com crianças, Sigmund Freud, denomina essa questão de “Teoria da sedução”, o que se conhece hoje por pedofilia. Noutra carta, agora em 21 de setembro de 1897, Freud justifica o seu abandono à “Teoria da sedução”, pois diz ser impossível aceitar como verdadeira todas as declarações dos pacientes de que foram molestados na infância por algum adulto e passa a tratar essa questão como a “Teoria da fantasia”. Tema antigo, problema atual, a pedofilia ganha dimensão por conta da divulgação pela mídia, mas a mesma sempre existiu e na historiografia são sempre os homens os pedófilos, ou seja, quase não há mulheres pedófilas. Ganha força a hipótese de que o pedófilo tenha sido molestado na infância e queira inconscientemente se “vingar”.A psicanálise tem compromisso inarredável com a verdade e fala sobre tudo e Freud foi um gênio solitário e injustiçado, inclusive por alguns de seus seguidores. Não consigo imaginar a humanidade sem o conhecimento psicanalítico amealhado até aqui, pois perdê-lo ou desprezá-lo, será retrocesso irreparável. A psicanálise caminhava para ser privativa dos médicos, pois os mesmo queriam fazê-la uma “reserva de mercado”, Freud, mais uma vez mostrando seu altruísmo e compromisso com a humanidade, publicou o texto em meados de julho de 1926, “A questão da análise leiga”, onde defende a prática da psicanálise por não médico.As reveladoras correspondências que se encontram nos “Arquivos Freud”, no Congresso Nacional dos Estados Unidos, que Freud recebeu e escreveu, trazem à tona questões que estavam obscuras sobre a vida e a obra desse gênio. Descobriu-se, depois de confiar-lhe parte da biografia de Freud, que o biografo Jeffrey M. Masson, era na verdade antifreudiano, daí haver manipulação na historiografia do mestre. Freud disse em carta para Einstein, que lhe perguntou: “Por que a guerra?”, que a mesma é inevitável e que faz parte do processo de transformação da civilização.
LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO - Psicanalista

domingo, 29 de março de 2009

Perdoe-me Abraão - Artigo - Diário do Nordeste

Debates e Idéias

Perdoe-me Abraão
Não há prova material de que o patriarca de todas essas historietas bíblicas, Abraão, tenha existido, pois as provas cabais da sua inexistência estão no próprio Antigo Testamento – A Gênese. Seja lá quem montou essa história, se esqueceu de dados importantes e que muda tudo, pois Abraão, com 99 anos de idade, e sua esposa, Sara, com 90, tiveram um filho, mas esqueceram – propositalmente ou por ignorância – que a expectativa de vida naquela longínqua época era menos da metade dessas idades. Outro ponto contraditório é o fato de, antes de ser pai com sua esposa, esta autoriza Abraão a copular com a sua escrava egípcia, Agar, e com esta tem um filho chamado Ismael - isto Abraão aos 85 anos. Ainda no Gênesis é contada a história de que Jacó luta com Deus e vence a batalha e o criador mudou o seu nome de Jacó para Israel, que significa: aquele que luta com Deus. Na historiografia da humanidade é notório o abuso dos líderes espirituais – como se a humanidade precisasse de algum -, bem como o desejo de manipular as massas e se locupletarem à custa da boa-fé das pessoas, usando para tanto, má-fé. Toda essa historieta encena suposta e ingênua aparição do criador dizendo e guiando Abraão para a terra prometida, onde ele seria reconhecido e teria honrarias intermináveis. O mal-estar que produz na mente humana essas narrações bíblicas, tais como: medo, consciência de culpa, alienação e tragédia, já seriam suficiente para a humanidade ter esses livros ditos sagrados apenas como histórico. Os filósofos iluministas já falaram tudo e desmascararam toda essa manipulação clerical por meio da fé e do medo, mas está esculpido estruturadamente no inconsciente das pessoas essas ilusórias aberrações bíblicas.Robespierre, no seu discurso à convenção francesa, em 21 de novembro de 1793, disse que aquele que tentasse impedir as missas era mais fanático do que aquele que a oficiava, e que essa crença num criador é tão forte que, se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo. Que ninguém se ofenda em sua fé, mas o Abraão bíblico não existiu, pois toda crença não passa de mera ilusão.
LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO - Psicanalista

sábado, 14 de março de 2009

Verdade acadêmica - Artigo - Diário do Nordeste


Debates e Idéias

Verdade acadêmica

É comum ouvir no meio acadêmico que a única certeza na ciência, é a dúvida, e que a verdade, seja ela qual for, é apenas provisória. Se a ciência encontrasse alguma verdade absoluta, peremptória, incontestável, deixaria essa hipotética verdade de ser ciência, pois um dos requisitos genéricos para o continuo estudo cientifico, é a pesquisa, assim sendo, deixaria e estaria de fora do saber cientifico essa hipotética hipótese. Atribuída aos filósofos, que é um dos três tipos de conhecimento tradicionalmente aceito, a busca da espiritualidade sempre fascinou, e não foi por acaso, o homem em saber da sua realidade inaugural e do seu objetivo para que se justificasse todas as adversidades e diferenças – no sentido mais amplo da palavra – que há na vida humana. As sociedades, desde a primeira horda, sempre foram comandadas e guiadas por pessoas que detinham o conhecimento e as informações e assim se moldavam ao estilo dos chefes e/ou governantes a forma de organização social. Somente produz conhecimento quem os têm e não se pode negar, sem elementos válidos, que o pensamento é anterior ao pensador, portanto, é possível que todo o conhecimento que repousa sobre a Terra já tenha existido anteriormente.Nas antigas civilizações, sabia-se – diferente de “acreditava-se” – do conhecimento da reencarnação, mas com o advento da Igreja Católica, esse conhecimento foi castrado no Concilio de Constantinopla, no ano de 553, onde até então, a mesma era reconhecida e estudada. Numa leitura despretensiosa e imparcial, pode-se ver que todos esses livros ditos sagrados – existe algum livro que não seja sagrado? – há presente neles o conhecimento da reencarnação e todo o saber filosófico buscou provar a sobrevivência da alma – ou espírito – após a morte. Negar, sem elementos válidos para a desconstrução da hipótese, a sobrevivência do espírito no fenômeno pós-morte, equivale dizer que o sofrimento e as desigualdades de toda ordem, são obras do acaso e que a pseuda criação divina nada mais é do que o capricho de um ser sadomasoquista que escolhe ao seu bel-prazer as suas azaradas vitimas.
LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO - Psicanalista

terça-feira, 10 de março de 2009

Imprensa camaleônica - Artigo Inédito

Imprensa camaleônica
Luís Olímpio Ferraz Melo

O leitor atento, já percebeu que há várias imprensas no Brasil e que há fatos e versões para todas situações? A imprensa, regra geral, necessita de motivação – fato – para fazer o seu papel de comunicação social das massas. Em muitos países a imprensa tem que se adaptar a religião dominante e/ou ao partido que detém o governo e este fato é até compreensível em algumas plagas, pois há países em que os índices de analfabetismos são tão assustadores, que não importa o que se publique. Toda instituição hoje tem o seu tablóide ou veiculo de comunicação oficial, tais como as igrejas, sindicatos, órgãos públicos, etc. O jornalismo é endógeno, ou seja, mostra somente o que quer e não necessariamente o que o leitor, que é o único e legitimo destinatário da noticia, quer saber. O jornalismo criou “universo” hermético e não se vê nenhum jornalista criticando e pugnando por mudanças desse modelo anacrônico de jornalismo “seletivo”. O corporativismo no jornalismo é algo inexplicável e jamais visto em outra classe econômica e por conta disto à nobilíssima profissão de jornalista, acaba perdendo a legitimidade para questionar o corporativismo e a corrupção nas outras categorias econômicas.
Os leitores brasileiros não são tão ingênuos como parece acreditar alguns jornalistas, pois já é notório as searas – a famigerada “Imprensa marrom” - em que as noticias são constantemente manipuladas e “diabinhos” acabam virando “santos”. Os jornalistas defendem tanto a liberdade de expressão, mas há muitas noticias sonegadas para os leitores por motivos ainda obscuros.
A manipulação no jornalismo não é fato novo, pois a Escola de Frankfurt, na Alemanha, fundada em 1924, cujos principais expoentes foram Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor W. Adorno (1903-1969), já denunciava o descaso da mídia com a ética, pois estavam seguros esses intelectuais de que as massas estavam sendo manipuladas e suas mentes bombardeadas de informações muitas vezes desnecessárias. Sem concorrência - mesmo existindo várias imprensas - as mesmas não colidem e não há autocrítica na mídia, o que tem levado à autofagia.


terça-feira, 3 de março de 2009

Os intelectuais e a liberdade de expressão - Artigo - Observatório da Imprensa

MÍDIA & INFORMAÇÃO
Os intelectuais e a liberdade de expressão

Luís Olímpio Ferraz Melo

Na Revolução Francesa, os intelectuais do Iluminismo foram fundamentais para modificação da opressão do regime do imperialismo burguês em favor da maioria camponesa. Em 15 de outubro de 1894, Alfred Dreyfus foi preso por alta traição em benéfico da Alemanha e no dia 13 de abril de 1895 foi deportado para a ilha do Diabo. No dia 13 de janeiro de 1898, Émile Zola, gigante da literatura francesa, publicou artigo no jornal L´Aurore intitulado de "J´accuse" (Eu acuso), no qual defendia abertamente a injustiça cometida com o capitão Alfred Dreyfus.
O termo "intelectual" surgiu ainda no século 19 e foi oficializado por Maurice Barrès em 1º de fevereiro de 1898, em artigo no Le Journal, intitulado "O protesto dos intelectuais", que apoiava Émile Zola na sua defesa pública denunciando a cúpula do governo francês no caso da condenação injustiça do capitão Alfred Dreyfus por traição. Zola teve que fugir da França, mas o capitão Alfred Dreyfus foi reabilitado em 12 de julho de 1906 e o governo francês pediu-lhe desculpas adimitindo a injustiça.
Em 7 de março de 1989, quando se comemorou na França o bicentenário da Revolução Francesa, dezenas de intelectuais sairam em passeata defendendo a liberdade de expressão e contra a intolerância religiosa. Em toda a historiografia da humanidade os pensadores foram fundamentais no processo de conscientização e de luta em favor das garantias constitucionais e da liberdade de expressão, que foi castrada por 17 séculos - de 27 a.C até 1789 -, período em que fomos governados por reis e monarcas.
O papel do intelectual é apontar com independência as contradições dos governos e a inépcia das religiões que desejam sempre controlar a humanidade. Aqui no Brasil, por exemplo, os intelectuais desistiram de lutar por um país menos injusto, pois após a ascensão ao poder pelos ditos esquerdistas, silenciaram e quase não há mais voz crítica contra os abusos dos governantes e da corrupção desenfreada que ameaça o Estado Democrático de Direito. O medo de serem "tragados" pelo sistema acaba por afastá-los das páginas de opinião dos matutinos e a discreta minoria que ainda escreve algo, age acabrunhada e com medo do Leviatã contemporâneo brasileiro.
Não é mais novidade que a mídia é manipulada e a população acaba sendo induzida às versões jornalísticas que nem sempre caminham com a verdade dos fatos. Os jornais vivem lutando pela liberdade de expressão - como se fosse um oásis - mas não a usam e isto é a contradição jornalística contemporânea, pois há notícias e fatos que são manipulados e/ou alijados das redações dos veículos de comunicação por motivos obscuros e o legitimo destinatário da notícia, o leitor, sai no prejuízo.
Auguro aos intelectuais que se insurjam contra a banalização da manipulação que a mídia brasileira faz com os seus leitores que, por coincidência, são também seus clientes.