LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Epidemia invisível
Na atual conjuntura, governo e população se estarrecem com a proliferação acelerada das epidemias que ameaçam todo o sistema de saúde já bastante sacrificado. Neste momento, o planeta Terra passa por processo depurativo e de auto-ajuste e serão inevitáveis novas catástrofes e epidemias. Outrora, povos inteiros foram dizimados nesses períodos apocalípticos como o que se inaugura agora. Não há vencedores nem vencidos nesse processo, pois a Natureza age deliberadamente com o intuito de preservar a espécie humana e os animais que lhes interessa e a regra para a sobrevivência, após o cataclisma, parece-nos já ser conhecida dos antigos e imemoriáveis povos que já pregavam o respeito à Natureza, a honestidade e a caridade ao semelhante. Mas passa quase desapercebido do grande público a pior de todas as epidemias, talvez por ser invisível a olho nu, mas será a de maior complexidade e desafio para os novos tempos, que é a questão dos transtornos mentais. Extraiu-se pela primeira vez do último Encontro Nacional de Saúde na Espanha, este ano, que um em cada cinco espanhóis corre risco de sofrer algum tipo de transtorno mental e que boa parte dos medicamentos vendidos por lá são ansiolíticos, soníferos e antipsicóticos. As causas para tais transtornos foram apontadas como o estresse, vida sedentária, má alimentação, álcool, drogas etc. e foi pelos eminentes psiquiatras espanhóis, caracterizado tal evento como a Epidemia do século XXI. Infelizmente, os medicamentos ofertados pela indústria farmacêutica não curam ninguém; fazem, no máximo, o “controle” da doença. Basta ver que até hoje não há caso algum de cura da esquizofrenia por via de medicação convencional. Somente com a mudança de atitude mental e de comportamento, o indivíduo estará incólume da epidemia do século XXI. A esquizofrenia - ou transtorno mental - não tem ainda cura e aparece no sujeito de forma invisível e silenciosa, e evitá-la de todas as formas será o maior investimento individual que o homem poderá e deverá fazer para não entrar nas assustadoras estatísticas sempre crescentes dos transtornos mentais.
* Psicanalista