Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

sábado, 25 de dezembro de 2010

O preço do livro - artigo - Diário do Nordeste

O preço do livro

 

Por muito tempo, os livros não eram acessíveis, pois além do analfabetismo alarmante em todos os períodos da história, o alto preço do livro afastava os poucos leitores. Daí a existência das rodas de leitura, em que os partícipes rateavam o preço do livro para compartilhá-lo. Sempre houve na civilização uma elite nababesca e detentora do conhecimento e a humanidade fica refém desses polímatas, pois em sabendo ler, escrever e manipular as massas defendem e propagam causas, muitas vezes, inglórias.
Na Alemanha de Hitler, milhares de livros foram queimados em praças públicas para mostrar que eram nocivos e não tinham valor algum para o regime nazista; em contradição, a história registra que Hitler era um grande leitor de tudo; e ironicamente no seu livro, "Minha luta", que vendeu 12 milhões de exemplares, somente na Alemanha, se diz socialista. Na União Soviética, os escritores, poetas e intelectuais iam parar no gulag; e Na Revolução Cultural da China, destruíram-se milhares de livros que não interessavam ao regime comunista de Mao Tse-Tung; e no Tibete dezenas de bibliotecas inteiras foram destruídas e perderam-se conhecimentos milenares e importantes para a civilização. O Índice dos Livros Proibidos, ou "anticatálogo", oficializado pela Igreja Católica no Concílio de Trento, no século XVI, instituiu a censura ao conhecimento, tornando-o seletivo ao bel-prazer dos interesses dos clérigos.
Na Inquisição, o cidadão que "lia demais", ou "possuía livro inconveniente", poderia sufragar na fogueira num ritual exemplar de higienização do conhecimento. Na modernidade e com a tecnologia, o preço do livro despencou e hoje é acessível a muitos e deve-se estimular esse auspicioso investimento cultural da boa leitura na sociedade. Atribuo mais aos livros a qualquer outro fenômeno a produção intelectual, pois o que teria sido de Platão, Aristóteles, Darwin, Rousseau, Freud e outros tantos gigantes do pensamento humano se não fossem as leituras cotidianas? O conhecimento é universal e o livro é patrimônio da civilização, daí poder-se afirmar que os livros têm valor e não preço.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é Psicanalista

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ensaio do poder - artigo - Diário do Nordeste

Ensaio do poder

 

Montesquieu, Rousseau, Voltaire, Kant e outros iluministas eram maçons e delinearam uma sociedade livre e sem os arbítrios dos reis. Porém, os maçons eram perseguidos pelos reis na Europa, inclusive, alguns países puniam com a pena de morte quem ingressasse na maçonaria por conta do então misterioso "segredo" maçônico. Daí, a sua resposta com a Revolução Francesa, quando se deu fim ao absolutismo, porém, mudou apenas o totalitário no poder. Há evidências de que o movimento revolucionário arquitetado por Marx nasceu por conta de um racha na sua comunidade e por ausência de doutrina capaz de se contrapor ao capitalismo. No entanto, quando o comunismo chegou à Rússia não havia prova de que o capitalismo lá estivesse implantado. A amizade de Marx com o industrial Engels é obscura e pode sugerir que havia um conluio dentro do plano da Revolução Proletária, pois não é razoável acreditar que Marx e Engels estivessem preocupados com a civilização e o "perigo" do capitalismo. Que nenhum marxista se sinta ofendido, mas chega a ser uma ironia acreditar que o desejo de Marx era de ver todos iguais e vivendo em lua de mel com a paz e a plena harmonia. Do epistolário de Marx, extrai-se um homem rude e longe de ser o novo Messias, como muitos marxistas acreditam sê-lo. O industrial e político americano Henry Ford publicou em 1922 o livro, "O Judeu Internacional: O Maior Problema do Mundo", revelando-se surpreendentemente antissemita e a sua "obra" foi idolatrada e usada por Hitler que chegou a homenageá-lo. Em 24 de outubro de 1929, a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou e milhares de bancos foram à derrocada e milhares de empresas fecharam suas portas demitindo milhões de funcionários e o capitalismo levou um duro "golpe" que ocasionou a II Guerra, porém, curiosamente muitos saíram da crise maior do que antes. Onde houver dinheiro e/ou disputa pelo poder, desconfie, pois o desejo de dominação do homem supera qualquer outro sentimento e Maquiavel, que viveu dentro do poder e conhecia-o como poucos, deu-nos a lição primeira dos que jogam no poder: os fins justificam os meios.



Luís Olímpio Ferraz Melo - psicanalista

A imagem do advogado - artigo - OPOVO

Em incursão na Sibéria, um soldado do exército russo me perguntou a minha profissão e eu disse: advogado. O militar começou a rir e perguntei-lhe qual o motivo da risada. Na bucha respondeu que todo advogado é mentiroso e por isto ele achou graça. Por motivos óbvios, calado fiquei. Não se pode negar que a imagem do advogado na sociedade anda em baixa por conta de alguns colegas que não estão honrando a nossa nobilíssima profissão. Toda a categoria advocatícia encontra-se respingada por causa da exposição na mídia, quase que diariamente, apontando supostos desvios éticos de advogados. Não é justo toda a classe pagar por atos isolados de alguns. É cediço no Direito que todos têm o direito à ampla defesa e ao contraditório, mas há casos envolvendo colegas advogados em que as provas estão gritando e são por demais robustas; e negar os fatos é o mesmo que debochar da inteligência da opinião pública, até porque ninguém acredita mais nessas desculpas esfarrapadas.
Há evidências de que, tradicionalmente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é corporativista e evita punir desvios, mas deve mudar de postura urgentemente, pois toda a categoria foi lançada ao crivo da opinião pública e somente com rigor se conseguirá resgatar a imagem e a dignidade do advogado.
Depois da maratona, que é o curso de Direito, faz-se o Exame de Ordem para ingressar na OAB e os que passam têm que fazer juramento antes de começar a exercer a atividade privativa dos advogados, prometendo exercer a advocacia com dignidade, ética e defender a Constituição. Os que não cumprirem, o que voluntariamente prometeram, devem ser responsabilizados pela atual fratura exposta na imagem dos advogados. Corrupção e desvios éticos existem em todas as categorias profissionais, mas isto não pode jamais ser justificativa para aceitarmos passivamente na nossa nobilíssima classe dos advogados.

 
Luís Olímpio Ferraz Melo - Advogado e psicanalista

domingo, 12 de dezembro de 2010

Esperança para a paz - Artigo - Diário do Nordeste

Esperança para a paz

 

Tolstói, o gigante russo do pacifismo universal, quando oficial, por ocasião de uma marcha, diz ao militar que espancava o seu colega de farda: - Não se envergonha de tratar assim um de seus semelhantes? Você não leu o Evangelho? O militar teria respondido: - E você, não leu os regulamentos militares? A contradição da guerra está entre fazer o bem auxiliando o próximo e executar o mal para impor a autoridade, ambos os substantivos regulamentados por normas e leis que têm previstas sanções na terra; e a outra supostamente no céu. Antes não houvesse leis para regulamentar a conduta humana, mas que fosse aplicada a regra de ouro, milenar e universal, de fazer ao próximo somente aquilo que queres que te façam.
Ao se atribuir a autoria dos textos ditos sagrados da Bíblia a uma entidade superior antropomórfica e inseri-los no contexto das religiões, cometeu-se um grave equívoco histórico; e uma das consequências é o lamentável fanatismo. Não se sabe como foram feitas as traduções da Bíblia, pois somente no século XVI apareceram os primeiros dicionários bilíngues, sugerindo que os textos originais podem ter sido substancialmente alterados. No Novo Testamento, se retirarmos as quimeras, é possível afirmar que há conhecimento educacional universal e atemporal para a civilização, pois as parábolas são de valor inestimável e de uma profundidade indescritível.
A Terceira Guerra Mundial se avizinha, mas a Quarta poderá ser evitada se seguirmos o exemplo dos líderes pacifistas, como Tolstói que tanto influenciou outro gigante do pacifismo, Gandhi. Neste ano em que se comemora o centenário de desencarne do iluminado Tolstói e diante dos rumores de guerras inevitáveis, precisamos dar uma chance à paz e divulgar as augustas e sábias palavras proferidas e esculpidas no Novo Testamento, pois este antigo conhecimento poderá auxiliar a civilização na busca da almejada paz perpétua. Disse genial pensador: "Quando todos derem as mãos não haverá mais como se pegar em armas"; e Gandhi revelou: "A mim me bastou o Sermão da Montanha; por que o Evangelho inteiro não basta para os demais?".



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 5 de dezembro de 2010

Freud e as mulheres - artigo - Diário do Nordeste

Freud e as mulheres

No século XIX, o jovem Freud e outros seus contemporâneos, definiram as mulheres como loucas, histéricas e hipnotizadas, porém, no acender das luzes do século XX, o Freud maduro amenizou o discurso em relação às mulheres, pois estava preocupado com o futuro da condição feminina. Nas famosas reuniões das "Quartas-feiras", em sua casa, em Viena, na Áustria, entre os anos 1902 e 1907, Freud repudiou a misoginia e dizia apenas que a mulher é um continente obscuro. Já na reta final da carreira perguntava-se com frequência: o que quer uma mulher? Essa é a pergunta freudiana para a qual, ainda hoje, não se tem a resposta. Lacan sugeriu que a mulher quer gozar - no sentido amplo da palavra - e seus seguidores embarcaram nessa tese. Alguns desejos parecem existir em quase todas as mulheres: casar e ter filho. O desejo de ter o filho seria a sua saída da fase da inveja do pênis, e o casar e ter família, a segurança que a mulher deseja para não "terminar sozinha", como temem. Passou despercebido por Freud e seus seguidores a questão da linguagem indefinida da mulher que pode fornecer elementos para a dificuldade delas de finalizarem os relacionamentos, pois quase sempre deixam em banho-maria os "ex". Há linguagem universal que as mulheres usam como indefinição: "pode ser"; "hoje não"; "outro dia"; "talvez", etc. Sem maldade, mas com algum exagero, a mulher fala sempre nos novos enlaces que há algo que ela nunca fez com outro, sugerindo querer presentear ou prestigiar o novo romance com aquela "primeira vez".
Há na mulher preocupação excessiva com o corpo e os cabelos, pois nunca estão satisfeitas e sempre acham que é possível melhorar, mas sofrem por conta desse desejo de perfeição. A mulher na contemporaneidade embarcou no barco furado das feministas que pregam pelo mundo afora a liberação total e a busca ilimitada por prazer, mas nunca mostram os efeitos colaterais desses comportamentos. Rousseau sugeriu em Émile, uma nova mulher, voltada para a família, pois este é desejo inato da mulher, inclusive Rousseau e Freud acreditavam que somente na família a mulher se realiza.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

terça-feira, 30 de novembro de 2010

                                                 Charge do Amarildo
                                                       Fonte: Noblat

domingo, 28 de novembro de 2010

Coisas do Brasil - artigo - Diário do Nordeste

Coisas do Brasil

 

A cultura do estrangeirismo no Brasil é antiga e produziu fenômeno interessante a ser estudado: a xenofobia às avessas (xenofilia). Se no Exterior há aversão aos estrangeiros - xenofobia - aqui no Brasil os brasileiros adoram tudo que vem de fora, inclusive de regiões diferentes de dentro do Brasil. Dezenas de artistas - humoristas, atores, cantores, etc. - nordestinos tiveram que emigrar para o Sul para conhecer o sucesso, pois os seus conterrâneos resistiam em reconhecê-los. Fiquei tentado a escrever este artigo depois de me deparar várias vezes em livros de autores estrangeiros com citações positivas sobre os escritores Gilberto Freyre, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa e outros brasileiros, mas aqui no Brasil pouco se vê citações de brasileiros reconhecendo esses gigantes da literatura nacional, o que pode sugerir que há preconceito na cultura nacional.
Os humoristas Chico Anísio, Renato Aragão e o cantor e poeta Raimundo Fagner, por exemplo, todos cearenses, são heróis dignos de honrarias, pois mesmo tendo que emigrar de sua terra natal, hoje fazem sucesso dentro e fora do país e são considerados fenômenos culturais atemporais. Voltando a Gilberto Freyre, que se formou no Exterior e despertou a atenção dos intelectuais de diversas pátrias, criticado por ter apoiado o golpe militar de 1964, bem como defendido a "democracia racial" e de ser um teórico a-teórico - se é que isto seja possível - deixou valiosa contribuição intelectual falando mais do Brasil do que de outra pátria, mas ironicamente é, em tese, mais reconhecido no estrangeiro. Houve uma época - mais do que agora - em que os brasileiros somente desejavam usar objetos se fossem de outro país, principalmente dos EUA, mesmo havendo produtos similares fabricados aqui tão bons - ou até melhores - quanto os de lá. Há intelectuais brasileiros que admiram regimes esquerdistas do Exterior sem ter a mínima noção do perigo de tais governos; e os anglófilos acreditam ser o Paraíso o Reino Unido e a sua obscura monarquia, mas é engano... O sábio provérbio: "santo de casa não obra milagre"; deve ser brasileiro...



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Psicanalista

A crença na religião - artigo - OPOVO

A crença na religião


Em 9 de novembro de 1989, na Alemanha, começou a derrubada do “Muro de Berlin”, mas já na semana imediata era possível comprar nos EUA em lojas de souvenir “pedaços originais” do muro que semanas depois também foram vendidos em outros continentes. No entanto, é possível que diante da quantidade de “pedaços originais” fosse possível construir duas outras muralhas da China. O exemplo acima é dado propositalmente fora das searas das religiões, pois a crença ultrapassa a questão religiosa e habita o imaginário humano. Somente no século XIX, começaram as escavações arqueológicas na Babilônia, onde, em tese, teria surgido a comercialização de objetos supostamente sagrados, daí ainda não se ter uma radiografia segura da gênese e da amplitude da crença naquela sociedade. Na Índia, os hinduístas acreditam serem sagradas as águas do rio Gangues e por isso, se banham diuturnamente nelas sem se preocupar com os cadáveres boiando numa visível poluição e riscos de doenças, pois a crença na cultura indiana é muito forte e ultrapassa a racionalidade.
No templo de Miralepa, no Tibete, os tibetanos passam o dia se jogando no chão num ritual secular que nem eles sabem como e quando começou, mas acreditam que aquele quase flagelo é importante para reverenciar Miralepa de quem nem sequer há provas de que existiu. A civilização Maia, que viveu na América Central, é tida como evoluída, mas fazia sacrifícios humanos terríveis acreditando serem necessários para agradar na devoção aos seus deuses. O homem confunde Evolução com Devoção, mas nada tem a ver uma coisa com a outra, pois na devoção há crença na adoração de santos e imagens sacras. Porém, a Evolução marcha justamente em sentido contrário, pois é se desprendendo das crenças e do material que se evolui.
A ciência tem dado uma contribuição valorosa para desmistificar as crenças na civilização e o caso de maior destaque é o do exame do Santo Sudário de Turim com a datação do carbono 14. Fragmentos do Sudário de Turim foram analisados simultaneamente em 1988, em três laboratórios – Suíça, Inglaterra e EUA – e para surpresa da comunidade científica e religiosa os três apontaram a data dessa relíquia sagrada para a Idade Média, o que sugere que jamais poderia ter sido usado no evento da suposta crucificação no período paleocristão. Há mais de três mil denominações religiosas hoje no mundo e todas afirmam possuir a verdade absoluta e que o seu Deus é o único real.




Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista

domingo, 21 de novembro de 2010

Berlinda intelectual - artigo - Diário do Nordeste

Berlinda intelectual

 
A historiografia da intelectualidade não é a das mais empolgantes, pois o papel originário dos intelectuais de apontar as contradições, estes homens de conhecimentos enciclopédicos, não os livrou de também tê-las. Platão defendeu a pena de morte e falava na necessidade do ideal do bem, mas é contradição apregoar o bem utilizando a vingança vez por outra. Montaigne era moralista e achava o costume da sua época, - século XVI -, em que era normal o magistrado vender sua vaga nos tribunais, um absurdo, mas Montaigne vendeu a sua toga sem qualquer remorso. Rousseau foi entre todos, o moralista por excelência, deu contribuição intelectual extraordinária para a civilização, mas além de defender a pena de morte sem rodeios, nas suas Confissões tentou justificar em vão o abandono de seus cinco filhos num orfanato. Robespierre foi uma dessas figuras emblemáticas na intelectualidade, pois liderou a Revolução Francesa com discurso ético e em defesa da vida, mas no período do terror, mudou-o e defendeu a pena de morte, onde encontrou nela a sua contradição. Marc Bloch dizia em tom jocoso: - robespierristas, anti-robespierristas, nós vos imploramos: por misericórdia, dizei-nos, simplesmente, quem foi Robespierre? Interpelado sobre a razão de ter mudado o discurso e defendido a pena de morte, Robespierre disse: - os tempos mudaram; como se a atividade intelectual fosse uma contraditória metamorfose ambulante. O conhecimento bom trazido por esses intelectuais não deve ser anulado, pois é contribuição valiosa para a civilização, mas é preciso ficar atento com os escritos intelectuais, onde já se encontrou antissemitismo e totalitarismo disfarçados e outros desejos nocivos para a humanidade, daí a necessidade da leitura crítica. A mudança do discurso é perigosa, pois sem uma justificativa cabal, mostra a contradição do intelectual. O intelectual é responsável pelas ideias que defender; e é prudente que se abstenha de participação ativa político-partidária, pois o intelectual defende a civilização e é independente e os seus valores inarredáveis, são a verdade, a razão e a justiça.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

domingo, 14 de novembro de 2010

Café no subsolo - artigo - Diário do Nordeste

Café no subsolo


 

A líder comunista Rosa de Luxemburgo e vários de seus contemporâneos marxistas eram judeus, mas diziam ter renunciado a fé religiosa – poucos acreditaram –, porém, seus nomes eram quase sempre ligados aos líderes bolchevique judeus da Rússia – Trotsky, Zinoviev e Kamenev. Descobriu-se nos “arquivos soviéticos” que o “Lênin bonzinho” não existiu, pois essa imagem foi exageradamente explorada pelo seu sucessor Stalin para manter as alianças políticas e legitimar e promover as atrocidades na Rússia.
Os Três Grandes, Roosevelt, então presidente dos EUA, Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, ambos maçons, e o comunista bolchevique Stalin, entre acordos de alianças para a guerra e divisão territorial de países, criaram as Nações Unidas – hoje Organização das Nações Unidas (ONU) – e inauguram-na em 25 de abril de 1945, numa conferência em São Francisco, nos EUA. Os países governados pelos Três Grandes mais a hibrida França e a China comunista são os únicos membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, mas curiosamente são também os gigantes da indústria bélica mundial. É difícil acreditar que o desejo da criação da ONU tenha sido para a viabilização da paz, pois logo no pós-Segunda Guerra houve a Guerra Fria que rearmou todos os continentes e durou quase meio século, tornando inviável o desarmamento militar e o acordo para evitar a temida guerra termonuclear.
A ignorância tem sido a pior arma para se proteger dos governantes beligerantes, pois eles criam situações para tentar justificar as suas ações e se manterem no poder, mesmo que isto custe a vida de milhões. Nos EUA, quando se aproximam as eleições, coincidentemente, começam a aparecer “ameaças” de terrorismo que o governo usa para manipular o eleitorado; e ainda hoje a “Comissão independente do 11/9” tenta descobrir a verdade sobre os atentados terroristas, mas ninguém do governo consegue desconstruir a hipótese de conspiração. Enquanto a civilização se “diverte” tomando cerveja e vinho, os totalitários estão sóbrios, tomando café escondido, sorrindo e planejando o próximo alvo...


 

Luís Olímpio Ferraz Melo – psicanalista.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

                                              Charge:Sponholz
                                        Fonte: Site Cláudio Humberto

domingo, 7 de novembro de 2010

A escrita da história - artigo - Diário do Nordeste

A escrita da história


 
Em "Moisés e o monoteísmo", Freud inaugurou, sem saber, uma nova perspectiva na historiografia da História; e curiosamente a sua bibliografia selecionada sugere que leu mais livros de arqueologia do que de psicologia. De onde escreve o historiador é uma questão crucial para a escrita da história, mas o olhar nos fatos e o que há por trás deles, não podem ser desprezado. O historiador não deve temer publicar descobertas e observações diferentes do que já foi escrito, por receio de heterodoxia ou de causar polêmica, pois o intelectual que não for polêmico tornar-se-á apenas mero repetidor de ideias. Afinal, a história é uma pintura provisória que sempre poderá receber retoques até chegar à perfeição. Baseando-se no volume de arquivos ainda lacrados, é possível que considerada parcela da história possa ser revisada e até reescrita por completo. Foi a Escola dos Annales (1929-89), fundada por gigantes da historiografia, considerada a Revolução Francesa da história, que propôs novas abordagens e perspectivas na escrita da "história nova". Os recentes abertos arquivos soviéticos trouxeram à tona revelações até então não observadas e alguns rumores incontroláveis ganharam força com as provas contidas nesses arquivos. Porém, muitas situações já são dadas como incomprováveis por destruição das provas ou alteração proposital do evento. Hitler temia a história e parecia saber que uma hora seria pilhado, pois apagou várias provas e não deu uma só ordem escrita no holocausto determinando a pública matança dos judeus e dos comunistas. Credite-se ao professor inglês Peter Burke o melhor ensino da escrita da história na contemporaneidade, pois a formação do historiador para a escrita da história é importante e devem ser afastadas influências religiosas, políticas e ideológicas ao narrar os fatos históricos, em contrário, a história estará comprometida. Freud desconfiava, com razão, dos seus futuros biógrafos, pois em sendo rompedor de um sistema de pensamento, sabia que seria alvo de inveja e de maledicências e há lotes de seus "arquivos" que somente poderão ser abertos em 2.100.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Psicanalista

domingo, 31 de outubro de 2010

Conspiração planetária - artigo - Diário do Nordeste

Conspiração planetária


O sistema capitalista promoveu na civilização a deteriorização dos valores mínimos para a sociedade se manter em paz. Não obstante, o sistema de oposição - comunismo/socialismo - transformou uma causa, no caso, a igualdade, numa guerra sem fim, em que os homens tornaram-se eternos inimigos. Hobbes já havia sentenciado corretamente que o homem é inimigo do homem, mas com o advento do capitalismo essa máxima ganhou outros contornos: o homem foi reduzido a um valor e tudo passou a girar em torno do vil metal - Não se pode servir a Deus e a Mamon (dinheiro), diziam os antigos. Grupos que detinham o conhecimento e as propriedades fundiram-se e criaram o que se conhece hoje por sistema financeiro para especular e multiplicar os seus capitais sem qualquer remorso e a qualquer preço. Os bancos financiam as guerras, independente de ideologias, mas a culpa pelo "projeto" beligerante dos totalitários ou dos democráticos não é deles.
A quebra da Bolsa de Valores em Wall Street , em 24 de outubro de 1929, foi armação - no capitalismo, quando um ganha, outro perde; e não é exagero afirmar que o homem é escravo do dinheiro. Após a Segunda Guerra, a Europa foi curiosamente "dividida" em Oriental e Ocidental, esta sob influência dos EUA capitalista, aquela, da Rússia comunista. A Rússia é o país onde mais há bilionários, mas a informação a seguir é assustadora: em 1997, 73% do sistema bancário da Rússia estavam sob o controle da máfia (Publifolha, 1999). A grave crise econômica nos EUA, em 2008, que colocou em xeque o sistema financeiro mundial, teve como pivô o banco Lehman Brothers, de propriedade de judeus, como tantos outros, mas foi o governo americano que saldou as obrigações, daí as especulações de que os judeus comandam o planeta por conta do poder financeiro. A história cultural da civilização é de dominação e os complôs sempre existiram, mas a humanidade foi que se permitiu por ignorância e passividade a todas essas manipulações. Não há caridade no capitalismo, nem tampouco piedade no socialismo, pois sempre houve disputa pelo homem, não para salvá-lo, mas sim, dominá-lo.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é psicanalista

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O fantasma da censura - artigo - Blog da TV Jangadeiro e Observatório da imprensa

O fantasma da censura


Engana-se quem acredita que a censura não é mais uma ameaça real na civilização, pois vez por outra, o seu fantasma surge ensaiando o seu triunfal retorno. No Concílio de Trento (1545-63) foi proclamada a primeira censura oficial que ficou conhecida como o Índice dos Livros Proibidos, ou anticatálogo, pois o conhecimento poderia afetar o poder clerical e assim atrapalhar os planos da Igreja Católica. Outros tipos de censura subliminar surgiram, mas somente os intelectuais entendiam como funcionavam, por exemplo, foi concedida uma carta real em 1557, para a Companhia de Papéis que passou a controlar os impressos até o ano de 1695, quando a Lei de Licenciamento extinguiu essa censura e a exclusividade da Companhia de Papéis no controle dos impressos.
Em 1712, inventaram a Taxação dos jornais, ou do Selo (Stamp Act), que estabelecia um imposto sobre impressos, com o intuito de reprimir a escalada da imprensa escrita.
Na França de Luís XIV, que reinou de 1660 até 1715, a mídia era controlada e não há registros de críticas publicadas ao seu reinado. Nos poucos jornais e panfletos em circulação naquela época, nenhum podia falar em política, inclusive, muitos dos filósofos do Iluminismo participavam de sociedades secretas para driblar a censura imperial e suas ideias eram divulgadas para Frederico da Prússia e Catarina, a Grande, da Rússia, por meio de cartas. É bom relembrar que a matéria impressa teve parte importante na Revolução Francesa (1789-91) que apelava por uma Imprensa Livre e 250 jornais impressos foram fundados na França nos últimos seis meses de 1789.
Todos os governos totalitários que assumiram o poder através de Revolução ou Golpe de Estado miraram nos meios de comunicação e tomaram-nos de assalto para poder “manipular” a população e impor ampla censura, pois somente assim, conseguiam “legitimar” seus ilegítimos governos.
A Imprensa tem importante papel na civilização e não pode ser violada ou mesmo “monitorada”, como querem os neototalitários, pois somente com a Imprensa Livre e a Liberdade de Expressão assegurada pode-se acreditar em uma sociedade digna e menos injusta. Os governantes não têm apreço pela Imprensa Livre e não foi por acaso que Napoleão Bonaparte dizia, já perto de ser exilado na Ilha de Santa Helena, que quatro jornais hostis devem ser mais temidos do que cem mil baionetas.
É tentador suspeitar que a intenção dos que querem “monitorar” a mídia e a Liberdade de Expressão, é dar-nos um novo Pravda – jornal do Partido Comunista que somente falava das “maravilhas” implantadas na então União Soviética pelos totalitários Lênin e Stalin.

Luís Olímpio Ferraz Melo

Advogado e psicanalista

domingo, 24 de outubro de 2010

O poder das imagens - artigo - OPOVO

O poder das imagens




A arte visual moldou a civilização e arqueólogos descobriram que há 35 mil anos o homem já pintava nas cavernas imagens rupestres de rituais e símbolos para a preservação da cultura. O historiador grego Heródoto mostrou com destaque imagens da cultura egípcia inversa a da grega, em que naquela se escrevia da direita para a esquerda e que as mulheres urinavam sentadas e não em pé, como as gregas.
Em 18 de maio de 1498, Vasco da Gama chegou à Índia e avistou o monte Eli, onde repousa “o trono do deus Shiva”, e interpretou na cidade indiana de Calcutá a imagem da escultura de Brahma, Vishnu e Shiva como sendo a da Santíssima Trindade; e os chineses na Europa olhavam e adoravam a imagem da Virgem Maria, mas acreditavam ser da deusa budista Kuan Yin; já os missionários jesuítas quando foram ao Japão pensavam que uma imagem do imperador nipônico era na verdade a de um “papa oriental”; a imagem de Buda nos templos requer leitura dos textos budistas para compreensão, pois é dito que com a mão ele toca o chão, que supostamente seria a terra testemunhando a sua iluminação; os aborígines da Nova Zelândia não sabiam o sentido da imagem da “Última Ceia”, pensavam que era apenas uma refeição em grupo.
O cristianismo ganhou grande força na civilização devido ao apelo dramático e à glorificação da hipotética crucificação, pois o significado da cruz leva o sujeito a despertar três sentimentos: sofrimento, compaixão e esperança; e hoje há crucifixosespalhados por toda parte. Antes do século XIV, eram raríssimas as imagens publicadas de fantasmas e demônios, o que sugere que na Idade Média e na Santa Inquisição, a Igreja Católica usou exageradamente essas imagens de terror para converter pelo medo os incrédulos.
No Renascimento tentou-se retornar à arte e à cultura da Grécia Antiga e as igrejas e templos da Europa ganharam alegorias de narrativas de anjos, julgamentos, demônios, céu e inferno, pois os que não sabiam ler, entendiam de forma instrumental a mensagem bíblica nas pinturas e monumentos. A técnica de usar imagens para impressionar, ou sugerir situações à civilização, foi também utilizada em larga escala pelos reis e, num período recente da história, pelos totalitários ditos populares que eram tidos como “líderes supremos”.
A força da imagem na mente humana é devastadora e, como diz o provérbio: “uma imagem vale mais do que mil palavras”, daí o ritual das pessoas quando passam em frente aos templos sagrados e fazem por reverência o sinal da cruz, ou outro análogo, por automatismo e num processo inconsciente.
Na arte religiosa, no Ocidente e no Oriente, as imagens – no sentido mais amplo da palavra – despertam piedade e causam apreensão e medo com o possível fracasso da não salvação e de uma possível “punição” e exercem uma “vigilância” inconsciente no sujeito. A Iconoclastia - ou vandalismo - começou por volta do século VIII e tinha como objetivo destruir as imagens sacras, pois repudiava a adoração e a veneração das mesmas pela civilização, mas não há registros de que os iconoclastas tenham obtido êxito nessa empreitada.
Se retirarmos as imagens, as estátuas e as pinturas das religiões, pouco sobrará para a adoração e a devoção dos fiéis, pois quase todos precisam do recurso visual das imagens para manter a fé e a compreensão dos rituais religiosos.

 

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO , psicanalista..

sábado, 23 de outubro de 2010

A questão judaica - artigo - Diário do Nordeste

A questão judaica

 

Pitágoras, vivido no século VI a.C. fundou uma sociedade secreta para salvaguardar diversos conhecimentos; e com o tempo aconteceram dissidências e outras sociedades secretas surgiram. Os judeus, após fugirem com ouro do Egito, onde eram escravos, teriam fundado em Israel, a sociedade secreta dos "Irmãos Essênios" que iniciava seus partícipes com rituais e ensinava-os técnicas milenares secretas - a Cabala, por exemplo, que é uma ferramenta milenar de autoconhecimento, foi estudada na comunidade judaica e explica muitas questões existenciais. A primeira religião monoteísta foi o Judaísmo e os judeus são pessoas que sempre souberam utilizar o conhecimento e o dinheiro como poucos, mas a saga judaica é repleta de graves acusações, perseguições e assassinatos. Várias foram as tentativas na Europa de expulsar e exterminar os judeus acusando-os quase sempre de nababos e de tramarem um suposto complô judaico-maçônico contra a civilização; e alguns boatos insinuavam maldosamente e sem provas que os judeus promoviam rituais macabros com sacrifícios de crianças. Karl Marx, que era judeu, deu destaque à questão judaica nos seus estudos, pois sabia da influência dos judeus, mas não era antissemita, porém, muitos de seus discípulos, lamentavelmente, o são. Marx fez uma estranha aliança com membros políticos da maçonaria (Guérin, 2006); o que sugere mais obscurantismo na sua doutrina; e Lênin silenciou quando acusaram a Revolução Bolchevique de ser um complô judaico, fornecendo munição para o imaginário popular. Hitler estava convencido da ligação do Judaísmo com o comunismo e executou o extermínio dos judeus como solução única para a questão judaica. O que alimenta as especulações acerca do Judaísmo e os supostos complôs, é que os judeus nunca se defendem e preferem se fechar cada vez mais no sionismo, mesmo pagando preço altíssimo pelo hermetismo, ao invés de se abrirem para o mundo e provarem que nada têm a ver com essas acusações e boatarias. É dito que toda a Torá - o livro sagrado dos Judeus - se resume nesse ensinamento: "faze aos outros aquilo que queres que te façam".



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

Liberdade de expressão ameaçada - artigo - TV Jangadeiro e Observatório da Imprensa

Liberdade de expressão ameaçada



Por Luís Olímpio*



O Ceará, que pioneiramente libertou os escravos, acaba de ensaiar uma agressão à Liberdade de Expressão, pois a Assembleia Legislativa aprovou a criação de um Conselho Estadual de Comunicação Social para “monitorar” a Imprensa local. Afastadas todas as inequívocas inconstitucionalidades do tal “conselho”, resta-nos debater sobre o desejo do partido governante em restringir e “monitorar” a mídia cearense. Nenhum governo de orientação marxista – leia-se, esquerdista – conseguiu se implantar e governar onde a Imprensa era livre, daí os assaltos aos meios de comunicação a cada Revolução, pois agindo assim, os “esquerdistas” manipulavam a população, bem como implantavam a ampla censura. Chega a ser ironia acreditar que Karl Marx tinha apreço pela Liberdade de Expressão, pois como bom totalitário que era, sabia que a população teria que pensar como ele e, portanto, saber somente o que ele acreditava ser judicioso.
Na antiga União Soviética, os que tentavam exercer a Liberdade de Expressão eram enviados ao “gulag”, quando não, executados nos “paredões de fuzilamento” stalinista. Na China não é diferente, pois os comunistas têm total controle da mídia e da internet e somente é pauta o que for de interesse do governo; e os que defendem a Liberdade de Expressão são aprisionados ou executados. O imortal Fidel Castro implantou o comunismo na ilha de Cuba e a censura ampla e ainda hoje, há críticos presos sem acusação formal, pois isto é dispensado nos regimes totalitários em que a Liberdade de Expressão não passa de uma “bela expressão”.
A Liberdade de Expressão é um direito inegociável da civilização, pois foi conseguido a duras penas e com muito sangue derramado na derrubada de outros regimes totalitários que, vez por outra, ressurgem e não desistem do desejo de manipular a civilização. A sociedade civil deve ficar em Alerta Máximo contra qualquer tentativa de lesionar o sacrossanto direito à Liberdade de Expressão
Há, neste momento, movimentação em toda a América do Sul onde seus governantes acusam a Imprensa fazendo ilações descabidas e generalizadas, como se divulgar verdades fosse crime em algum país, daí a necessidade da mobilização de toda a sociedade civil para que esse direito inalienável não seja molestado, pois não queira saber o que é viver num regime totalitário e numa sociedade civil afásica.
A Liberdade de Expressão é a garantia da manutenção da democracia e não se pode, nem de longe, pensar em restringi-la, tampouco extingui-la, como parece ser o desejo dos governantes de plantão.



*Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

Publicado também no Observatório da Imprensa, em 26/10/2010.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A campanha do aborto - artigo - OPOVO

A campanha do aborto

O tema do aborto na campanha política eleitoral atual despertou a atenção de milhões de brasileiros que parecem não concordar com tal prática, mas passou despercebido que o partido que tem como programa de governo o desejo de legalizar o aborto quer na verdade instituir o “controle de natalidade” no Brasil e não é sábio acreditar que essa “preocupação” seja com o bem-estar e a saúde da mulher.
Se o aborto provocou movimentação que foi capaz de influenciar o resultado da eleição tida como consumada, levando-a para o segundo turno, é porque o tema é caro para a sociedade civil e os valores éticos não sucumbiram, como muitos políticos imaginam.
O discurso sofismático dos defensores do aborto, que falam em questão de saúde pública, não tem amparo legal ou racional, já que a Constituição Federal proíbe e o sistema de saúde pública beira o caos e sem esperança alguma de reversão, daí não ser sábio abraçar essa hipótese desumana.
A lei penal já disciplina as exceções pelas quais a mulher pode praticar o aborto, portanto, não se deve generalizar e incentivar outras a cometerem esse ato extremo que tantos danos físicos e mentais provocam nas mulheres – especialmente o sentimento de culpa.
Todos os países que planejam o “controle de natalidade” recorrem à legalização indiscriminada do aborto dizendo ser para garantir o “direito” de a mulher ter ou não o seu filho, o que acaba enganando, incentivando e causando danos à saúde e ao bem-estar da mulher por conta de política governamental de “controle de natalidade”.
Recorrer à legalização do aborto como política partidária e governamental é declarar incompetência para governar e total falta de respeito ao sacrossanto direito à vida e à dignidade humana. Os políticos e os partidos que pugnam e desejam a legalização indiscriminada do aborto, deveriam vir a público dizer a verdade que querem mesmo é fazer o “controle de natalidade”.


LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Advogado e psicanalista

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

                                                      Charge: Sponholz
                                         Fonte: Site do Cláudio Humberto

domingo, 17 de outubro de 2010

Águas passadas - Artigo - Diário do Nordeste

Águas passadas

 

Águas passadas não movem moinhos, diz o sábio provérbio. Porém, o sujeito tradicionalmente vai em sentido contrário ao milenar ensinamento, pois não dá o mesmo destaque mental às coisas boas que lhe acontecem na vida, preferindo "glorificar" as negativas. O sentimento de culpa, causado pela prisão ao passado, é cruel e impede que o sujeito avance na vida e na sua evolução espiritual e isso pode sim causar vários transtornos mentais, daí a necessidade urgente de se livrar do que passou, pois não é sábio e nem prudente desperdiçar energia e tempo remoendo o que não mais poderá ser modificado.
Os resultados com o perdão são extraordinários e perdoar é hoje questão de saúde pública, pois muitos dos sintomas de ansiedade, melancolia, depressão e sentimento de culpa são gerados pelas prisões voluntárias ao passado que o sujeito fica carregando, mas que utilidade nenhuma tem na vida. Todos têm o livre-arbítrio e devem decidir livremente se querem ou não se livrar da prisão do passado, mas devem assumir o risco, caso queiram continuar voluntariamente aprisionado no seu próprio inferno mental. Nesses dias desafiadores para a civilização, nada mais sábio do que renunciar ao passado em prol da evolução espiritual e da saúde física e mental. Ódio, remorso e desejo de vingança são venenos para o sujeito e quem alimenta esses nefastos sentimentos é o maior prejudicado.
É altamente recomendável fazer a Terapia da Oração do perdão por trinta dias, pois os resultados são extraordinários e análogos aos de seis meses de análise - há cópia no meu blog: "no campo das ideias" -, pois não chega a ser alguma vantagem glorificar o passado. A paz mundial precisa e apela para a propagação urgentíssima do perdão na civilização. Prometeu, que na mitologia grega teria roubado o fogo dos deuses e entregue aos homens, e assim modificado a história da civilização, hoje recomendaria a Terapia da Oração do perdão; Freud, se vivo estivesse, confirmaria seus efeitos psicoterapêuticos positivos. O leitor que conseguir se libertar da prisão do seu passado poderá dizer: "o meu reino não é deste mundo".



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO - psicanalista

domingo, 10 de outubro de 2010

História repetida - artigo - Diário do Nordeste

História repetida

 
É proibida a reimpressão do livro de Hitler - "Minha luta" (Mein Kampf) - na Alemanha, mas em contradição, há grupos neonazistas em solo germânico agindo impunemente à luz do dia. Hitler "elegeu" os judeus como inimigos capitais dos alemães e da humanidade, mas é bom lembrar que os judeus era uma minoria em relação aos germânicos. A tese hitleriana em "Minha Luta", escrita na prisão, transformou os judeus em demônios encarnados e que deveriam ser eliminados para o bem da humanidade e mesmo assim vendeu milhões de exemplares. No dia 24 de fevereiro de 1920, o Partido dos Trabalhadores mudou de nome e passou a se chamar Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores - nazismo é a abreviatura de Nacional Socialista. Hitler foi eleito em julho de 1921, o Führer (o Guia), do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores e ao ser nomeado chanceler, elegeu a França e a Rússia bolchevique, ambas judeizadas, segundo Hitler, países inimigos da humanidade. Hitler alegava que a França estava sob domínio judaico e, como queria pegá-la de assalto, proibiu a venda de seu livro em solo francês. Em 17 de maio de 1933, Hitler, num discurso subliminar, proclamou que a "missão" dele era proteger a paz no mundo - o leitor que tente entender - e os alemães desatentos embarcaram na barca-furada do nazismo rumo ao extremismo. Engana-se quem acreditar que os regimes totalitários naufragaram, pois o comunismo, o fascismo e o nazismo podem ainda ressuscitar; essa turma não desistiu do desejo de "controlar" e manipular a civilização e é preciso de todos vigilância máxima e olhos bem abertos. Na Índia, por exemplo, grupos nativos estão acusando minorias locais muçulmanas de conspiração; curiosamente usando a mesma "tese" de Hitler: uma minoria é uma ameaça real. Há intelectuais dizendo que Israel hoje repete os mesmos erros extremistas do nazismo, pois estariam os israelenses sionistas fazendo a mesma coisa com os palestinos. O primeiro sinal de ameaça da volta do totalitarismo é a insistente crítica à liberdade de expressão, afinal, como bem diziam Hegel e Marx, a história sempre se repete...



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

                                                         Charge: Amarildo
                                                     Fonte: Blog do Noblat

domingo, 3 de outubro de 2010

Comitê secreto - artigo - Diário do Nordeste

Comitê secreto


 
Revelado em 1944 que durante os anos de 1912-36 houve na psicanálise o "Comitê secreto" idealizado por Ernest Jones para reunir os mais próximos discípulos de Freud - Karl Abraham, Hanns Sachs, Otto Rank, Sandor Ferenczi e Max Eitingon. O Comitê tinha como objetivo tentar preservar a doutrina freudiana de desvios, após o grave conflito entre Freud e Carl Gustav Jung, começado em 1912. Várias cartas dos membros do Comitê ainda estão fechadas num arquivo na Universidade de Columbia, em New York , e somente depois de proclamado é que se saberá ao certo toda a verdade sobre o Comitê. Os "Arquivos Freud", depositados na Biblioteca do Congresso Nacional dos EUA, sugerem que o Comitê não tinha a intenção de ser uma sociedade secreta, pois o próprio Freud era contra manipulações e a "reserva de mercado" e mostrou isso quando escreveu "A questão da análise leiga", em que defendia a realização da análise por não médicos impedindo assim que ficasse privativa da classe médica. Freud tinha temperamento difícil, mas não era mercenário e nem fez fortuna e sofreu críticas e perseguições, inclusive, em 1938, teve que sair de Viena, rumo à Inglaterra, por causa do nazismo e quem pagou a sua "liberação" foi sua amiga Marie Bonaparte.
Se o Comitê secreto teve por objetivo proteger a psicanálise de seu desafeto Jung, precisamos entender o rompimento. O conflito entre Freud e Jung se tornou evidente por conta da teoria da libido que cada um abordava à sua forma, mas a gota d´água foi a conferência e a visita que Freud fez a Ludwing Binswanger que estava operado de um tumor maligno em Kreuzlingen. Porém , não foi à casa de Jung, que ficava em Kusnacht, apenas a 50 quilômetros ; e Jung se sentiu ofendido com a postura de Freud. Jung publicou em abril de 1934 o artigo: "Sobre a situação atual da psicoterapia", em que se revelou antissemita e partidário do nazismo de Hitler, porém, foi somente em 1989, no XI Congresso da International Association for Analytical Psychology, em Paris, na França, que o antissemitismo de Jung veio à tona e a sua culpa foi finalmente reconhecida pelos junguianos.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO - psicanalista

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

                                              Fonte: Blog do Amarildo

domingo, 26 de setembro de 2010

Fofoca na sociedade - artigo - Diário do Nordeste

Fofoca na sociedade


A fofoca e o fuxico são perigosos sinônimos - feminino e masculino - que têm por finalidade "criar" uma situação ou aumentar um fato dando outra versão. Pesquisa aponta que 2/3 das conversações nas rodas sociais são fofocas e a mídia especializada em glorificar e bisbilhotar a vida privada das celebridades fatura alto com os escândalos e os "furos". A capacidade criativa do propagador de fofoca é algo extraordinário, mas pode ser considerada autos-sabotagem, pois em todos sabendo o nascedouro frequente das maledicências, os fofoqueiros, regra geral, não têm credibilidade. No jargão jornalístico, ouve-se muito a expressão, "plantar notícia", para designar uma notícia artificial e assim tentar torná-la fato jornalístico natural. É tentador imaginar que algumas pessoas teriam dificuldade de viver se não existisse a fofoca, já que pautam suas vidas em torno da vida alheia sem se preocupar com a sua. Há dois elementos psicológicos na fofoca: ela dá prazer e "consola" o fofoqueiro - a desgraça de poucos faz a alegria de muitos, diz o provérbio. Porém, produz uma autofagia social em que até os "cuidadores" da vida alheia são prejudicados.
O fofoqueiro é terrível e se projeta na sua vítima, semeia discórdias e ainda tem a ilusão de que nunca é alvo de fofoca. O sujeito desprevenido pode sofrer de rejeição, melancolia e tornar-se depressivo por conta da ação dos "boateiros". Cícero, no seu tratado sobre os deveres sociais, recomendava que se evitasse a fofoca maldosa sobre pessoas que não estivessem presentes nas rodas de conversa. Nas salas de convivência da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o aluno que for pego "desabonando" um colega é multado, devendo pagar uma garrafa de clarete; o curioso é que essa regra foi criada pelos próprios alunos. Não é raro ouvir queixas de pessoas dizendo-se ser vítima de fofocas, mas quando perguntadas se também fofocam, saem-se dizendo que apenas fazem "comentários", mas fofoca, não (!). A fofoca anda de mãos dadas com a inveja e é um fenômeno social milenar que não traz benefício algum para a civilização e deve ser desencorajada.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Psicanalista

sábado, 25 de setembro de 2010

''Meu reino não é deste mundo'' - artigo - jornal OPOVO

''Meu reino não é deste mundo''


No charlatanismo, o conhecimento — da persuasão ou do antídoto — é transformado em crença para convencer o desejoso de cura. Desde 27 a.C. até a Revolução Francesa em 1789, a civilização foi governada por reis e monarcas e, para se manter no poder, os soberanos se apropriaram de conhecimentos milenares com o intuito de impressionar os súditos e assim controlá-los permanentemente.
O conhecido método do “toque real”, em que o rei fazia a imposição das mãos na cabeça dos súditos, curando-o de vários sintomas, principalmente de escrófula, nada mais era do que o magnetismo animal teorizado por Franz Mesmer no século XVIII. Os súditos acreditavam que o rei era taumaturgo e tinha poderes sobrenaturais e que eram legitimados no poder pelos deuses, daí a civilização ter passado 17 séculos sobre o domínio imperial, mas é tentador imaginar que os soberanos usavam de malandragem para controlar o povo. Na mitologia grega, Apolo é o deus da poesia e da medicina, pois sugere-se que a palavra tem poder de cura pelo magnetismo e a sugestão — no princípio era o Verbo, cita a Bíblia - assim como a medicina.
Afora usar os unguentos e as pílulas de todas as espécies e locais, que eram comercializadas em praças públicas como panaceias, os charlatões sempre tinham que diversificar seus métodos, afinal, uma hora seriam descobertos. Na Índia, Nepal, Tibete e outros países onde o fanatismo impera, mais perigoso do que as epidemias, são os charlatões, que se multiplicam a cada geração. Os charlatões se passam nessas searas por curandeiros divinos com poderes até de materializar objetos, mas não passam de ilusionistas. A boa-fé das pessoas é utilizada pelos charlatões para enganá-las, mas mesmo assim, muitas vezes, passam por “bonzinhos”, pois dizem que quem não tiver dinheiro não paga, ou, se não curar, não precisa pagar.
A crença na religião e nas suas alegorias é muito forte na civilização e desde a venda de indulgência pela Igreja Católica até a comercialização de lotes no céu – acredite, houve isso mesmo – as pessoas são enganadas pelos charlatões. Há magnetismo na fala e um eloquente charlatão pode encantar os sujeitos desprevenidos e fragilizados; veja na Odisséia de Homeroo canto da sereia que atraía e traía os barqueiros que ficavam hipnotizados. Os charlatões, ou trapaceiros, usam linguagem hiperbólica nas suas abordagens; e chega a sugerir ao desavisado que não há salvação fora de seus produtos.
As adivinhações, as promessas, grandes promessas, são sempre usadas pelos charlatões nas suas propagandas irresistíveis em jornais e/ou praças públicas, mas é sábio desconfiar de esmolas demais. Não há duvidas de que a Natureza possui nas plantas elixir para o tratamento de diversos sintomas, mas o charlatão transforma esse conhecimento em divino para ludibriar o aflito pela cura e adiciona a sugestão pela fala. Muitos médicos emprestaram, em troca de dinheiro, seus famosos nomes para charlatões patentearem e venderem suas pílulas, remédios e unguentos em escala industrial, tornando assim quase que “legalizado” o charlatanismo medicinal, mas com efeito placebo. O leitor que conseguir se libertar da armadilha do charlatanismo universal poderá dizer: “o meu reino não é deste mundo”.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO, psicanalista e autor do livro Pensamento contemporâneo

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

                                                        Charge: Sponholz
                                          Fonte: Site do Claúdio Humberto

domingo, 19 de setembro de 2010

Disputa de gigantes - artigo - Diário do Nordeste

Disputa de gigantes

 


Bibliotecas reivindicam o título de maior do mundo, mas não é fácil esclarecer e proclamar a vencedora, mesmo o Guiness Book já tendo a sua eleita. Há critérios técnicos que devem ser observados, tais como: quantidade de livros, artigos, dissertações, teses, fotografias, jornais, espaço físico, documentos inéditos, etc. A biblioteca de Nínive, na Assíria, no século VII antes de Cristo, possuía 25 mil plaquetas de argila, que eram usadas como livros e foi tida como a maior daquela época. Alexandre, o Grande, deu nome a uma das maiores bibliotecas da Antiguidade, a de Alexandria, no Egito, onde era possível encontrar antes de ser incendiada, milhares de rolos de pergaminhos. Na biblioteca de Ambrosiana, na Itália, os leitores eram aquecidos com braseiros, diminuindo assim a preocupação com eventual incêndio. De 1880 para cá houve aumento considerável na procura pelas bibliotecas, pois o advento da luz elétrica facilitou as pesquisas e leituras que eram limitadas ao bel-prazer da luz solar. Na biblioteca de Oxford, na Inglaterra, ainda hoje tem que se fazer juramento ao entrar de que não produzirá centelha que possa colocar em risco os livros. No século XV, após a fundação na Europa da Imprensa por Gutenberg - os chineses já tinham inventado há mil anos -, a produção de livros se proliferou de tal forma que era dito ironicamente que ninguém tinha mais tempo para lê-los, pois a oferta era enorme e no máximo se conseguia ver somente as capas. Os clientes das bibliotecas eram em geral os polímatas - homens de ampla cultura, hoje também conhecidos como intelectuais. A biblioteca do Congresso Nacional em Washington, nos EUA, a Nacional de Saint Petersburgo, na Rússia, a Biblioteca Nacional de Madri, a Bibliothèque Nationale em Paris e o British Museum em Londres, por exemplo, reivindicam o título de maior do mundo. Os 300 livros de Epicuro perdidos e outros tantos que ainda não foram achados desfalcam as gigantes bibliotecas que buscam o reconhecimento do seu tamanho, mas muitos homens de letras têm hoje a sua biblioteca particular, mas é bom não entrarmos nessa briga.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

domingo, 12 de setembro de 2010

Revolução revisada - artigo - Diário do Nordeste

Revolução revisada

 
A história das revoluções despreza o verdadeiro desejo e objetivos almejados nesses movimentos. A Revolução Francesa (1789-1791) mobilizou aproximadamente 90% de camponeses que se rebelaram contra o regime monárquico, porém, foi a franco-maçonaria que emprestou a sublevação a trilogia: liberdade, igualdade e fraternidade - estandarte da luta contra os mais favorecidos em favor de todos e da democracia. O movimento revolucionário arquitetado por Moses Modechai Marx Levi, ou simplesmente, Karl Marx, saiu da sociedade secreta "Liga dos Justos" que encomendou o monumental Manifesto Comunista. Porém, parte modificada do texto do Manifesto já estava publicada antes de Marx nascer, e o nome foi modificado em 1847 de "Liga dos Justos" para "Liga dos Comunistas". Muitos dos artigos de Marx publicados no The New York Tribune foram escritos por seu amigo industrial Engels (Burke, 2006), o que sugere que há obscurantismo na teleologia do movimento e no desejo marxista. É difícil acreditar em movimento das massas sem o "apoio" dos grupos de pressão e/ou das sociedades secretas. No máximo, conseguirá movimentar um punhado de pessoas e por pouco tempo nas ruas. As elites tradicionalmente não se rebelam, pois sempre souberam dominar o poder sem esforço. O movimento estudantil é exceção à regra, mas as lutas dos estudantes são sempre delimitadas. É possível que os EUA não existissem na atual forma se não fosse a maçonaria, pois os maçons foram fundamentais na constituição do Estado americano. A Revolução Soviética, 1917, tomou de assalto os meios de comunicação para manipular a população e ao mesmo tempo impor ampla censura. No regime nazi-fascista do Vichy (1940-44), passou-se a ensinar por cartilhas nas escolas outra versão da história daquele período obscuro para os franceses. Não é confortável escrever sobre isto, mas a civilização é manipulada e os totalitários querem passar a ideia de que o povo não tem inteligência e precisa deles para sobreviver. Tudo é um esquema e a célebre frase de Mussolini não deixa dúvida: - cuidado para não cairmos na armadilha fatal da coerência.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Psicanalista

domingo, 5 de setembro de 2010

Prazer na leitura - Artigo - Diário do Nordeste

Prazer na leitura

 
Muitos livros, mesmo quando exageram ou não contam a verdade, produzem prazer no leitor. Alguns leitores afirmam ter modificado suas vidas após alguma leitura, mas esse fenômeno somente é possível quando o leitor está aberto a novos conhecimentos. Para escrever bons textos é recomendável debruçar-se em leituras edificantes para adquirir diversos conhecimentos e pontos de vista. Há leituras que são divertidas, que falam de fatos que jamais poderiam ter existido, exemplo, não há nada de absurdo que não se possa encontrar num livro de filosofia e/ou de história, daí a necessidade da leitura crítica. A Enciclopédia Soviética é emblemática e causava risos nos leitores, devido a tantas modificações sofridas nos períodos imperiais e totalitários, inclusive, os intelectuais recomendavam, com ironia, que os soviéticos atualizassem sempre as suas biografias para poder acompanhar as constantes mudanças na Enciclopédia. O prazer proporcionado por um bom livro é indescritível, pois ninguém é o mesmo após consumi-lo. A juventude na contemporaneidade desperdiça precioso tempo em baladas, ao invés de dedicar à boa leitura; se o costume de ler fosse incentivado na sociedade, teríamos, em pouco tempo, uma boa civilização culta. Historicamente, os livros têm mais ouvintes do que leitores, basta ver que desde criança se ouve na escola as estorinhas infantis; e a bíblia, mesmo sendo o livro mais vendido, é apenas o mais ouvido nas homilias; e os livros eram escritos quase sempre na terceira pessoa, justamente pensando mais nos ouvintes das rodas de leitura do que nos leitores solitários. Filmes, novelas e documentários são baseados em centenas de livros que são assistidos anualmente por bilhões. Os livros e a Imprensa revolucionaram o pensamento humano, mesmo com os índices alarmantes de analfabetismo, e podem auxiliar na construção da nova sociedade que já começou. Na Inquisição européia era perigoso ler e mais ainda possuir certos livros; e na China imperial havia problema na circulação dos livros e sempre era citado o provérbio: Emprestar livro é estupidez; pior ainda é devolvê-lo.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

domingo, 29 de agosto de 2010

A saga feminina - Artigo - Diário do Nordeste

A saga feminina


A primeira mulher de Adão não foi Eva, mas sim, Lilith, segundo a tradição judaica do Zohar. Lilith, diz o mito, era independente e indomável e não aceitou viver em passividade com Adão no Paraíso, daí ter fugido para o Mar Vermelho e se acasalado com vários demônios. Eva cometeu o pecado original de comer a fruta do conhecimento que, se revelado, segundo a bíblia, inviabilizaria a saga feminina. A beleza e o ímpeto de Lilith, segundo a alegoria, teria sido o estopim para a crise nos relacionamentos afetivos entre o homem e a mulher. A tradição rabínica diz ainda que Lilith tornou-se inimiga de Eva e da família e declarou guerra aos deuses, não deixando desde então homens, mulheres e crianças em paz, daí a figura de Lilith estar ligada à vingança, à inveja e ao ódio. Nos mitos há mensagens veladas, mas a figura de Lilith não foi compreendida e é usada nos movimentos feministas para "libertar" as mulheres, porém, esses movimentos são estéreis e histéricos e com discurso sofismático, pois leva a mulher para um ilusório paraíso. A missão sagrada que a Natureza concedeu à mulher, dizia Rousseau, foi a da reprodução e a de cuidar dos seus rebentos em favor da família. Lilith "ensinou" a vingança e a não esquecer os antigos relacionamentos, daí, ainda hoje, a quase inviabilidade de novos enlaces afetivos por conta do passado feminino. Lilith influencia as mulheres contemporâneas, pois em busca da beleza a qualquer preço, usam nos cabelos produtos químicos à base de formol, amônia, guanidina e até lítio, que penetram na corrente sanguínea causando danosos efeitos colaterais, o que, em tese, altera o humor e o bem-estar da mulher. Hipócrates, Platão, Aristóteles e mestre Eckhart - a Igreja colocou em dúvida se a mulher pertencia ao reino animal -, diziam sem provas que a mulher não tinha alma, mas todos erraram. Os mitos têm muita força na civilização e explica o presente no passado e Lilith serviu para provar que a mulher no seu estilo não é feliz. A mulher saiu de seu habitat seguro - a família - para se aventurar sozinha na selva onde somente os selvagens sobrevivem.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

Psicanalista

Espiritismo milenar - Artigo - jornal OPOVO


Espiritismo milenar

No acender das luzes do século XIX ganhou força na Europa a moda dos códigos e de se codificar conhecimentos inspirados no sucesso do Código Civil de Napoleão Bonaparte, de 1803 (Code Napoléon), e o de Burgerliches Gesetzbuch (BGB) alemão, considerados perfeitos. O conhecimento do Espiritismo, ou espírita, já existia antes mesmo da Era cristã, pois no Tibete era praticado num ritual da religião Bon que, entre outras coisas, praticava a comunicação com os espíritos. A comunicação com os espíritos não é novidade, pois no Antigo Testamento há proibição de tal pratica, mas se proibia é porque eles – os espíritos - existem. Franz Anton Mesmer (1734-1815) desenvolveu estudos científicos acerca do magnetismo animal, ou fluidísmo, pois sabia que existia um “fluido universal” que curava as pessoas. O magnetismo mesmeriano tornou-se um grande sucesso, mas Mesmer foi perseguido pela Academia de Ciências e da Sociedade Real de Medicina, que acabou condenando a sua hipótese, ou seja, sem qualquer prova científica condenaram a ciência. Conhecimentos foram tabus na civilização por tempos, exemplo, a química era conhecida por “ciência proibida”, mas curiosamente essas ciências e outras, tais como: desdobramento, telepatia e levitação são praticadas nas sociedades herméticas desde a antiguidade...
É reconhecido na historiografia que, em 1840, o Espiritismo na sua forma moderna, já era praticado, mas é somente em 1854, que Kardec ouve falar do fenômeno das “mesas girantes”. Em maio do ano imediato Kardec participaria do fenômeno das “mesas girantes” e em 1857 proclamava O livro dos espíritos que viria a ser o primeiro dos cinco livros codificados das obras básicas do Espiritismo.
Kardec dá uma contribuição fabulosa ao Espiritismo, pois codificou o conhecimento espírita amealhado até a sua época. A palavra Espiritismo é espanhola, vem da expressão inglesa, “spirit-rapping”, que quer dizer: comunicação por pancadas sonoras com os espíritos, daí ter-se forjado em espanhol a palavra Espiritismo, que em francês escreve-se “Spiritisme” e no alemão “Spiritismus”.
Espiritismo é conhecimento; e conhecimento é ciência, portanto, marchemos unidos expurgando os mitos na busca da verdade e da plenitude do saber científico, conforme recomendou o próprio Kardec.
O hibridismo cultural molda religiões análogas ao Espiritismo, como, por exemplo, o movimento Cao Daí, no Vietnam, que tem papa, cardeais e bispos, porém, há sessões espíritas mediúnicas de comunicação com os espíritos. Na África tradicional, os africanos há séculos praticam rituais de danças em que os espíritos incorporam nos dançarinos, como no caso dos iorubas de Daomé e da Nigéria.
Milenarmente os empiristas e os racionalistas trilham por avenidas diferentes, porém, com os mesmos objetivos, ou seja: a busca da verdade e da universalização do conhecimento. O conhecimento é universal e na nova Era todos devem saciar-se nesse fantástico manancial que libertará a civilização dos grilhões milenares.
É possível que estejamos falando do mais antigo conhecimento da civilização e que foi pouco recorrido por muito tempo – o Espiritismo – e que deve ser universalizado para sempre em prol da humanidade.

Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista e espírita.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

          Charge: Sponholz
          Fonte: Site do Cláudio Humberto

sábado, 21 de agosto de 2010

Redoma dialética - Artigo - Diário do Nordeste

Redoma dialética

 

A intelectualidade é uma elite, e outrora já se prestou ao papel de defender sistemas de governos da direita à esquerda, porém, hoje silencia diante das visíveis e inequívocas contradições. O papel do intelectual na civilização é apontar as contradições, mas o sujeito de conhecimento enciclopédico não pode se fechar numa redoma e defender e questionar somente a sua pátria, pois assim sendo, sugere-se que bata no seu peito um coração chauvinista. Stalin, na então União Soviética, foi uma das intelectualidades mais admiráveis, porém, usou-a para o mal, pois escravizou os soviéticos, além de mandar para os "paredões de fuzilamento" os dissidentes de dentro e de fora do seu partido comunista ou enviá-los ao "gulag" para perecerem por inanição e sede. O óbvio nunca poderá ser considerado descoberta, mas parece ser essa a lógica dos dialéticos, exemplo, a filha pergunta ao pai dialético: - papai, a cobra tem rabo? O pai dialético responde: - nada além de um rabo! Não elucidou a questão, porém, a contradição é permitida na dialética, mesmo sendo oficialmente negada. Há inegável estacionamento do pensamento humano na geração pós-dialética, pois a dialética gera mais confusão do que solução e cria nova elite, até sugere que os dialéticos acreditam que ninguém sabia pensar antes de Hegel e de Marx. Heráclito de Éfeso (540-470 a.C.), que dizia que ninguém entra no mesmo rio duas vezes, influenciou por demais os dialéticos: Não existe frase de Heráclito, dizia Hegel, que eu não tenha integrado em minha Lógica. A doutrina totalitária hegeliana, bem como o marxismo comunista, somente dariam certo se todos pensassem como Hegel e Marx, o que acabaria colocando o pensamento humano numa redoma ignóbil. A obra do jovem Marx, O manifesto comunista, escrita juntamente com Engels, é um monumento literário. Em O Capital, no seu primeiro volume - há mais dois outros que foram escritos apenas por Engels - o Marx maduro tenta contornar os equívocos de sua visão intelectual, porém, ambas as obras têm na contemporaneidade valor meramente histórico, pois o pensamento humano precisa evoluir.



LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

domingo, 8 de agosto de 2010

Olhar na maçonaria - Artigo - Diário do Nordeste

Olhar na maçonaria


A história cultural da maçonaria revela-nos algo além do que habitualmente se imagina, pois em sendo sociedade secreta e endógena mostra somente o que lhe interessa, acaba dando margem para diversas especulações no imaginário da civilização. Alguns dos segredos que afirmam ter, são na verdade, técnicas milenares, pois já eram praticadas na Antiguidade no Egito, Tibete, Ilha de Páscoa, etc., tais como: a telepatia e o desdobramento, que é experiência fora do corpo físico. Os símbolos, sinais e imagens sacras usados na maçonaria nenhum poder tem, o que sugere que não passam de bengalas psicológicas, porém, o principal segredo da maçonaria é o desejo de construir um "governo único", basta ver que 14 ex-presidentes dos EUA e vários ministros da Suprema Corte de Justiça foram egressos de lojas maçônicas; aqui no Brasil desde Dom Pedro I a Deodoro da Fonseca e outros presidentes saíram de lojas maçônicas. A maçonaria é misógina e no panfleto maçônico Jachin and Boas (New York, 1797) há canção pornográfica e de gosto duvidoso de nome "Kate and Ned", onde a mulher é citada como uma obra arruinada e com uma fissura que merece atenção e que precisa de um construtor - um maçom - para consertá-la. O neófito na maçonaria é levado a um ritual onde faz juramento eterno e aterrorizante que, se descumprido, pode lhe custar a vida; e encena a suposta morte de Hiram Abif, que seria o arquiteto do Rei Salomão, que teria perdido a palavra secreta. Na alegoria maçônica, os assassinos de Hiram Abif tiveram o peito rasgado e o coração e as partes vitais arrancadas. Somente no quarto grau é revelada ao maçom a palavra secreta: "Jah-Bul-On", que é uma variação de quatro línguas: caldeu, hebraico, siríaco e egípcio. A maçonaria é uma elite na civilização e mesmo afirmando que é uma fraternidade e uma sociedade com segredos, e não secreta, o que acaba sendo a mesma coisa, por ser hermética provoca medo e alimenta especulações conspiratórias nunca negadas. O poder da maçonaria e das outras sociedades secretas na civilização salta aos olhos dos leitores, pois o tema sempre foi tratado como tabu.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO

psicanalista

domingo, 1 de agosto de 2010

A psiquiatria no divã - Artigo - Diário do Nordeste

A psiquiatria no divã


A era dos fármacos exauriu-se, pois se desdobrou de tal forma, que hoje é difícil encontrar algum sujeito que não seja usuário de remédios, como se toda a civilização, de uma hora para outra, tivesse sido acometida de pandemia de múltiplos transtornos mentais. Porém, os efeitos colaterais e a dependência causados pelo uso indiscriminado dessas "bombas químicas", sugerem que já está mais do que na hora de se repensar a psiquiatria. Na contemporaneidade, a psiquiatria, sem saber, talvez, está a serviço dos laboratórios farmacêuticos, pois deixou de escutar o sofrimento dos pacientes prescrevendo-lhes em troca pílula com a promessa de ser panaceia e única saída para o retorno à normalidade. Não existe efeito sem causa e, não raramente, o paciente é sentenciado na primeira consulta psiquiátrica e a condenação é o uso "voluntário" desses fármacos por longos períodos, quando não, para sempre.
Não se pode negar a utilidade pontual desses medicamentos, mas houve banalização de prescrições sem dar ao paciente qualquer alternativa. É possível que a ortodoxia acadêmica impeça que considerada parcela da psiquiatria enxergue que há vida fora do universo do cardápio indigesto da indústria farmacêutica. A indústria farmacêutica não produz remédios para curar, pois os alotrópicos somente controlam os sintomas e em alguns produz apenas efeito placebo; e chega a ser até cômodo tomar uma pílula diária ao invés de recorrer a algum tratamento alternativo e que não produza dependência e efeitos colaterais.
A Eletroconvulsãoterapia (ECT) - nada a ver com o vetusto eletrochoque - produz resultados admiráveis nos pacientes portadores de transtornos mentais, especialmente nos casos de iminente risco de suicídio. A Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) vem sendo estudada no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e tem apresentado resultados satisfatórios e não causa efeitos colaterais, ou seja, alternativas aos remédios existem.
A prescrição indiscriminada de remédios alotrópicos é ameaça real à saúde pública, pois os laboratórios farmacêuticos visam, em última instância, apenas o lucro.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Psicanalista

terça-feira, 27 de julho de 2010

Bruce, descanse em paz - Artigo inédito

Bruce, descanse em paz

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Há quase dez anos escrevi artigo neste matutino, Elian, ore por nós, 24/11/2000, em que dissertava sobre o assassinato da jovem Elian de 17 anos, num campus universitário, em dia de vestibular. Poderia ter sido apenas mais um homicídio que entraria para a estatística da violência urbana, porém, a jovem Elian estava prestando exame vestibular num domingo ensolarado. No dia imediato, conjuntamente com meus colegas, então estudantes de Direito, iríamos realizar um seminário sobre a violência urbana que, por motivos óbvios, foi cancelado. No último domingo, novamente assistimos outra tragédia envolvendo jovem, no caso, Bruce Cristian, de 14 anos. Também como a tragédia de Elian, a de Bruce quase entraria apenas para a assustadora estatística da criminalidade, mas aquele jovem que trafegava de volta para casa na garupa da moto do pai, após um dia de trabalho num dia de descanso encerrou a vida de forma inimaginável. A cena do desespero do pai deitado ao lado do corpo do jovem Bruce, exaustivamente exibida pela mídia, não mais sairá de nossas mentes. É difícil imaginar a dor daquele pai naquele momento de desespero e, talvez, o mais dramático para um pai, perder o filho, ainda mais quando este estava sob sua proteção e ele nada pôde fazer para evitar a tragédia.

A violência urbana a cada dia chega mais perto de qualquer um e os índices alarmantes de homicídios, levam-nos a pensar que vivemos no Brasil uma guerra não declarada. Lamentavelmente, a sociedade “acostumou-se” com a violência e daqui a alguns dias ninguém mais falará sobre esse triste e trágico episódio.

Num belo domingo, ceifou-se a vida da jovem vestibulanda Elian; noutro domingo, dez anos depois, também ensolarado, foi a vez do jovem Bruce partir, que numa demonstração extraordinária de bom filho, acompanhava seu pai num dia de trabalho, mas que era para ser de descanso. Descanse agora em paz, Bruce.

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Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista.

domingo, 25 de julho de 2010

Desejo de controlar - Artigo - Diário do Nordeste

DEBATES E IDEIAS

Desejo de controlar



O alemão Karl Marx desconfiava que o anarquista Bakunin fosse um agente do serviço secreto russo, mas por outro lado, Bakunin acusava Marx de desejar, com sua doutrina obscura e totalitária, inclusive se relacionando com o secreto e antigo templo maçônico de Unique, controlar o proletariado. Assim como os comunistas elegeram os Estados Unidos como país imperialista e ditatorial, com alguma razão, os EUA, por sua vez, elegeram os comunistas como inimigos declarados da humanidade, pois denunciavam, não sem razão, que o comunismo desejava transformar o mundo numa prisão a céu aberto. Hegel desejava uniformizar o pensamento humano e assim fundar nova Igreja onde o deus seria o Estado totalitário; e foi com essas matrizes teóricas que Marx construiu as estruturas para o comunismo. No entanto, esqueceu Marx de combinar com a civilização se queria participar do seu totalitarismo, pois todos teriam que renunciar a liberdade de pensamento. Marx sabia que o seu movimento somente daria certo com a participação dos proletários na linha de frente e ele e a sua turma no comando, afinal, não há revolução sem líderes. Hitler pregava a prosperidade econômica na Alemanha e desejava dominar o mundo criando uma nova raça humana, a ariana, e conseguiu persuadir os seus patrícios, mas poucos sabem que a doutrina sanguinária hitleriana foi "elaborada" numa sociedade secreta, a Vril. Entra e sai governante nos países e vez por outra aparecem novos modelos de governos, mas há em todos o desejo de controle da população e a fissura pelo poder. É difícil acreditar que na Grécia antiga houve democracia, pois historicamente, naquela longínqua época, a quase totalidade de seu povo era composta de escravos analfabetos, daí não ser sábio imaginar que houvesse democracia em seara iletrada, pois somente pelo conhecimento é que um dia a humanidade se libertará e ficará a salvo de seus governantes. Os políticos não têm limites, pois gastam milhões de dólares para se elegerem alegando que é para ajudar o povo, mas isto é enganação, pois no fundo o desejo é de gozar sem limites no poder.

LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO
Psicanalista