Meu novo livro: Novas abordagens

Meu novo livro: Novas abordagens

domingo, 11 de junho de 2017

Convite enterro - Artigo - Diário do Poder

                                               
   A Justiça Eleitoral apareceu no Brasil após a revolução de 1930, mas a Constituição Federal de 1937, outorgada por Getulio Vargas, excluiu-a do Poder Judiciário. No período de 1937 a 1945 conhecido como Estado Novo, não houve eleições no Brasil. O Decreto-Lei n.º 7.586 de 1945, restabeleceu a Justiça Eleitoral no Brasil para felicidade dos que desejavam poder e prestígio, afinal, quem dava a última palavra após o sufrágio [voto] eram os juízes eleitorais.
   A competência da Justiça Eleitoral é atuar exclusivamente nas eleições, homologar os pedidos de candidaturas, as convenções dos partidos, fiscalizar e homologar as prestações de contas das campanhas, julgar recursos contra os abusos e fraudes e diplomar os eleitos. É bom lembrar que a Justiça Eleitoral custa por ano R$ 2 bilhões de reais ao erário e no Brasil as eleições se dão somente a cada dois anos...  
   A cada vacância nos Tribunais Eleitorais estaduais e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acontece uma verdadeira maratona de operadores do Direito mendigando aquela cadeira togada junto a políticos que, em tese, eles terão que julgar, se prometendo lealdade aos seus apoiadores.
   O julgamento na última sexta-feira da chapa “Dilma-Temer”, da eleição presidencial de 2014, ultrapassou o ridículo, pois ministros do TSE estavam visivelmente atuando como se advogados do presidente Temer fossem, ignorando provas criminais e antecipando seus votos para influenciar os demais, sem qualquer preocupação com a opinião pública.
   O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, não conseguiu esconder que estava trabalhando para que aquele julgamento histórico terminasse em “pizza”, o que pode sugerir que ele levou em consideração a sua antiga amizade com o presidente Temer...
   A Justiça Eleitoral sempre foi polêmica, não somente pelo alto custo e a sua composição por indicações políticas, mas também por ter dois pesos e duas medidas. No julgamento “Dilma-Temer” o TSE cometeu suicídio eleitoral...


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Elogio às mulheres - artigo - Diário do Poder


   A então primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, recebeu uma carta da trilionária multinacional Monsanto® criticando a postura dela por ter feito um jardim dedicado à agricultura biológica na Casa Branca. A Monsanto® argumentava que aquele jardim, no endereço mais importante dos EUA, poderia exortar os americanos a fazerem o mesmo e assim prejudicaria a indústria “alimentícia”, a venda dos agrotóxicos, bem como dos “alimentos” transgênicos.
   A Monsanto® é controlada pelo megaespeculador Georges Soros e é líder mundial na fabricação de agrotóxicos, bem como dos “alimentos” geneticamente modificados que, segundo cientistas sérios, causam câncer e controlam considerada parcela da proteína não animal na civilização, inclusive quase já não há mais a original “semente crioula” para a agricultura saudável.
   Ano passado, a Monsanto® fez fusão com a gigantesca farmacêutica alemã Bayer® para juntas tornarem-se líderes do mercado de sementes e químicos agrícolas, mas não avisaram aos consumidores que por trás do negócio continuava no controle o insensível George Soros que somente pensa em fatura e o resto que se dane.
   Há evidências de relações promiscua da Monsanto® com a indústria farmacêutica, o que pode sugerir que uma envenenará o sujeito; e a outra, venderá o remédio para o tratamento...
   A agricultura familiar orgânica é uma tendência que parece irreversível, daí o receio dessas gigantes multinacionais de perderem mercado e faturamento.
   Ao planejar e executar um jardim orgânico na Casa Branca, coisa que ninguém havia pensando antes, Michelle mostrou como as mulheres são inteligentes, pois enfrentou sozinha o forte lobby da Monsanto®, da indústria “alimentícia” e da farmacêutica sem desgastar o governo do seu esposo, Barack Obama.
   Não se sabe se Michelle respondeu a carta da Monsanto®, provavelmente, não, mas todos precisam tirar o chapéu para essa “jogada de mestre” de Michelle. Viva as mulheres!


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista 

sábado, 11 de março de 2017

Transtornos mentais - artigo - Diário do Nordeste

                                   

   Rita Mae Brown, escritora americana, dizia com humor: “As estatísticas sobre saúde mental revelam que um em cada quatro americanos sofre de alguma forma de doença mental. Pense em seus três melhores amigos. Se eles estão bem, então o quarto é você”.
   A Associação Americana de Psiquiatria (APA), em 1917, começou a nosografia das doenças mentais num “Manual estatístico” para tentar uniformizar os diagnósticos. O “Manual” catalogou 22 diagnósticos de transtornos mentais. Em 1952, a APA publicou o que viria a ser a Bíblia da Psiquiatria: o “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais” (DSM-I) elencando agora 106 tipos de transtornos e no DSM-IV, de 1994, já se contabilizavam 297 tipos de transtornos mentais.
   As três principais doenças psiquiátricas são: esquizofrenia, depressão e “transtorno maníaco-depressivo” — ou bipolar do humor —, mas no DSM 5, de 2013, há descritos 265 diagnósticos e sobram críticas desse abuso no número de transtornos mentais que somente prejudica o paciente e alimenta o trilionário mercado farmacêutico.
   O primeiro antipsicótico, o “Clorpromazina”, foi descoberto por mero acaso pelo cirurgião francês Henri Laborit (1914-1995) que buscava uma droga capaz de reduzir o “choque cirúrgico” assim como foi a “Imipramina” usada em pacientes depressivos e a indústria farmacêutica investe pesado em novas drogas para “controlar” os transtornos mentais reais e os imaginários “criados” nos DSMs sem qualquer estudo científico sério. 
   O uso indiscriminado de remédios “tarja preta” afeta diretamente a memória do sujeito e podem causar demência.


Luís Olímpio Ferraz Melo é psicanalista 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Palestina livre - Artigo - Diário do Poder

   

   No dia 15 próximo, na França, 70 países se reunirão na “Conferência de Paz para o Oriente Médio” e há rumores de que a Resolução da ONU nº 2334, de 23 de dezembro último, que determina que Israel pare as ocupações ilegais na Palestina, seja executada, bem como outras medidas deverão ser adotadas.
   O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já disse que não cumprirá aquela Resolução nem outras ulteriores, aliás, Israel não se esforça para cumprir os acordos que possam levar a Paz.   
   Napoleão Bonaparte, em 1799, inspirado no espírito libertador da Revolução Francesa, convidou os judeus para se juntarem ao seu exército e fundarem o Estado judaico na Palestina, mas não houve empolgação dos judeus à ideia napoleônica...
   A doutrina do sionismo, fundada pelo judeu Teodoro Herzl (1860-1904), que esteve apenas uma vez na Palestina, diz, em apertada síntese, que somente num Estado judaico os judeus estariam seguros, mas somente 40% dos judeus do mundo vivem em Israel, o que parece ser uma contradição — os outros 60% dos judeus estão em iminente perigo nos EUA, Europa, Brasil, etc.?
   As tentativas de acordos de Paz foram sabotadas por Israel que “pregava” o mantra de dar “terras pela Paz”, mas as glebas não eram contíguas, o que acabava por inviabilizar as negociações.
   Israel usa a conhecida “tática militar russa” de oferecer o território ao inimigo, porém, totalmente devastado e sem esperança de revitalização, para sair-se bem na foto como “colaborador para Paz”.
   A civilização não pode ficar refém dessa intransigência de Israel que poderá levar o mundo à Terceira Guerra Mundial e é difícil dimensionar os danos que uma guerra termonuclear causará... 
   A Resolução da ONU nº 181/1947 autorizou os judeus ocuparem até 51% da Palestina, mas, na tomada de posse, em 1948, ocuparam 78%. A Resolução nº 242/1967, determinou que Israel devolvesse os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias naquele ano, mas até hoje não devolveu. 
   O gigante jurista Hans Kelsen (1881-1973), autor da “Teoria pura do Direito”, dizia que as normas jurídicas tinham que ser cumpridas e que a norma hipotética fundamental era: “Cumpra-se!”...


Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Natal de Obama - Artigo - Diário do Poder



   Ontem o Conselho de Segurança da ONU aprovou, com abstenção apenas dos EUA, único aliado de Israel e que poderia ter vetado, Resolução proibindo Israel de continuar o processo de ocupação na Palestina. Parece óbvia a Resolução da ONU, mas o fato é que Israel não cumpre nenhuma Resolução daquele órgão internacional, salvo quando é de seu interesse. O presidente dos EUA, Barack Obama, estava incomodado com as sucessivas investidas de ocupações de Israel na Palestina e alegava que elas eram obstáculo para o processo de Paz naquela plaga, daí ter se abstido de votar ou vetar aquela Resolução.
   O leitor precisa saber que os judeus foram autorizados pela Resolução da ONU nº 181/1947 a ocupar 51% da Palestina, mas, na tomada de posse, em 1948, ocuparam 78%. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, ocuparam mais 20% — a Resolução nº 242 da ONU daquele ano, por unanimidade, inclusive com voto dos EUA, determinou que Israel devolvesse imediatamente os territórios ocupados ilegalmente.
   Várias foram às tentativas de convivência pacífica na Palestina entre judeus, árabes e palestinos muçulmanos, mas as reuniões de Acordos de Paz de Oslo I e II, Camp David, Taba e Mapa da Estrada restaram infrutíferas por Israel não cumprir o pactuado ou colocado obstáculos impossíveis de efetividade...
   O processo de Paz no Oriente Médio passa pelo cumprimento das Resoluções da ONU e Israel não está isento de cumpri-las, pois se o discurso sionista de que os judeus somente estariam seguros se tivessem um “Estado Judaico” hoje não encontra eco na comunidade internacional. Não somente pelo descumprimento das Resoluções da ONU, mas também pelo fato de dos 14 milhões de judeus existentes no mundo apenas 5.640.000 (40%) residirem em Israel — os outros 60% dos judeus estariam em perigo?
   O Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, encerra seu governo dando um presente de Natal em prol da Paz mundial e vamos torcer para Israel cumprir essa salomônica Resolução da ONU...



Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

sábado, 27 de agosto de 2016

O exemplo britânico - artigo - Diário do Poder





   Os britânicos gostam de fazer trabalhos voluntários como poucos povos, inclusive dizem que eles trazem esse desejo de devotamento no DNA, pois abraçam causas em favor da sociedade e não esperam muito dos políticos. O sistema de saúde britânico é tido como de “Primeiro Mundo”, mas os profissionais da área e a população sempre estão comprometidos buscando aperfeiçoá-lo. Um grupo de jovens médicos, em 2012, pelo twitter, criou um movimento inusitado denominado de “Dia de Mudança do NHS” — NHS é a sigla em inglês do “Serviço de Saúde Nacional” — e em poucas semanas dezenas de milhares de voluntários se alistaram para auxiliar o aperfeiçoamento do NHS e todos saíram ganhando com a melhoria.
   A “Samaritanos” é uma instituição britânica sem fins lucrativos que funciona 24 horas por dia auxiliando pessoas a não cometerem o suicídio e possui 200 agências no Reino Unido com mais de 20 mil voluntários. A “Samaritanos” é altamente organizada, séria, salva por ano milhares de vidas e leva esperança para outras milhares que estão desesperados pensando em ideias extremas...  
   Outro evento notável que mobilizou 70 mil voluntários britânicos que trabalharam sem receber qualquer tipo de pagamento foram as “Olimpíadas 2012”, em Londres, pois para eles era uma questão de honra fazer uma festa bonita. Os britânicos amam a sua cultura e são resistentes a mudanças, inclusive resistiram até onde puderam a não entrar na “União Europeia”, da qual decidiram, em plebiscito, sair recentemente.
   Há hoje no Reino Unido por volta de 17 mil Quakers — pessoas que participam da “Sociedade de Amigos” — que são pacifistas, vivem para a filantropia, lutam contra o comércio de armas e defendem a pureza moral. Os Quakers resistem ao sistema e, ao invés de lutarem contra ele, o sistema, colocam a “mão na massa” em busca de um mundo melhor para todos...



Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

domingo, 7 de agosto de 2016

Vai ser russo - Artigo - Diário do Poder

Vai ser russo  



   O mega escândalo envolvendo vários atletas da Rússia abalou os jogos olímpicos, pois ninguém imaginava que uma organização sofisticada estivesse fraudando os resultados no exame antidoping. É desonesto disputar os jogos olímpicos sem respeitar o “fair play” (jogo justo), pois os demais atletas foram prejudicados por terem se esforçado para conseguir os melhores resultados, porém, não usaram essas substâncias que aumentam a capacidade física do atleta.
   Os russos sempre estiveram em evidência por sua suposta capacidade física nos jogos olímpicos, mas hoje se sabe que era apenas mais uma fraude no mundo dos esportes...
   O atleta cubano José Canseco denunciou, em 2015, no seu livro que a maioria dos jogadores de beisebol é usuária de esteroides anabolizantes, o que causou um escândalo no meio esportivo, mas depois se descobriu que o próprio Canseco também era usuário dessa droga.  Os esteroides são utilizados pelos atletas para ganho rápido de massa muscular, bem como aumentar a potência e a velocidade, mas os efeitos colaterais são dramáticos, pois altera a libido, o humor e aumenta a agressividade — há casos em que o atleta desenvolve mamas femininas, há o encolhimento da genitália e a impotência sexual.
   É importante que haja uma punição dura para desestimular esse tipo de fraude nos jogos e não desprestigiar os demais atletas que não usam essas substâncias proibidas. Sigmund Freud (1856-1939) falava que era importante a punição aos que descumprem as normas e exemplificou numa de suas conferências, em 1899, com bom humor: “Numa aldeia havia um ferreiro que cometera um crime capital. O júri decidiu que o crime devia ser punido, porém, como o ferreiro era o único da aldeia e era indispensável, e como, por outro lado, lá havia três alfaiates, um destes foi enforcado em seu lugar”. Aqui no Brasil quando algo se torna difícil dizemos: “Vai ser russo...” e a Rússia que se cuide...



Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista